Metas de leitura para 2012

O bom da corridinha é usar o tempo para pensar, seja nas coisas mais elevadas, seja em coisas digamos assim, mais leves. Correndo pelo parque da cidade surgiu a idéia de colocar alguns desafios para minha lista de leitura para esse ano, ou metas, como queiram.

  1. Um livro de um autor nascido em um país de que nunca li nada.
  2. Um livro de um autor brasileiro para mim inédito.
  3. Uma biografia.
  4. Um livro técnico-científico.
  5. Um livro de um autor cujas idéias não concordo.
  6. Um livro clássico de história.
  7. Um livro de poesia
  8. Um livro lançado este ano.
  9. Um livro de introdução a alguma área do conhecimento.
  10. Um livro de um filósofo de quem ainda não li nada.
Anúncios

O terceiro polo

No fundo, a discussão política se traduz no conflito entre dois polos, fruto da revolução francesa: liberdade e igualdade.

Poucos percebem que apenas através da fraternidade é possível harmonizar esses dois polos, pois nem direita, e muito menos a esquerda, tem a solução para os problemas da humanidade pois ambas tem o foco no mundo e não no indivíduo autônomo.

Foi a preciosa lição de dois mil anos atrás.

Nem o filho pródigo, muito menos seu irmão, a compreendeu. Daí o tempo em que vivemos.

O problema moral

Existem várias formas de ver o debate político ao invés do tradicional esquerda x direita. Aliás, este conceito é por si só complicado, tendo em vista que a direita só existe por oposição à esquerda. Na prática, é de direita todo mundo que não é de esquerda, o que transforma o conceito de direita um tanto quanto elástico. Só assim para considerar gente com Hitler e Mussolini como de direita, quando na verdade eram primos-irmãos-siameses dos totalitários comunistas.

A questão é que a esquerda considera que sua posição não é decorrente de uma melhor compreensão sobre a realidade do mundo, mas sobre uma superioridade moral. Eles se preocupam com o mundo, com as pessoas mais pobres, com a tal justiça social. O resultado é que o confronto político para eles é realmente uma luta do bem contra o mal. Um direitista, ou um não-esquerdista, é essencialmente uma pessoa muito ruim que deseja perpetuar a pobreza no mundo porque tem interesses mesquinhos junto à riqueza.  Não há tons cinzas para a esquerda, apenas preto e branco.

Antes de analisar qualquer discussão ou confronto a esquerda usa uma técnica bem simples: que representa a esquerda no confronto? Quem está do nosso lado? Pois esse pessoal está certo, independente do que está sendo debatido.

Só assim para explicar tanta hipocrisia e paradoxos. A polícia está sempre errada? Depende. Quem mandou a polícia, foi do nosso lado ou do deles? Se foi do nosso, melhor não comentar. Se foi deles, então necessariamente foi expressão da truculência. Por isso o uso da polícia no Piauí é aceitável e em São Paulo, não. Por isso um caso de corrupção em um governa da esquerda é um caso isolado e na direita é sempre um sintoma de contaminação no governo inteiro.

Basta fazer um exercício simples, imaginem se FHC tivesse que demitir meio ministério por corrupção, o que vocês acham que aconteceria? O mundo iria abaixo! Haveria editorial em página frontal de jornal clamando pela renúncia do governo. No caso da Dilma, que é uma das nossas, as demissões mostram a força de uma presidente intolerante com a corrupção, embora naturalmente nenhum dos demitidos seja corrupto de fato, afinal, são do nosso time. A esquerda inventou uma estranha corrupção sem corruptos.

O maior exemplo talvez seja a forma como foram tratados os casos Collor e Lula. O que foi feito pelo segundo foi infinitamente pior e mais nocivo que o primeiro. O mensalão foi além de um caso clássico de corrupção, tratou-se de desviar recursos públicos para garantir uma base parlamentar. Depois de descoberto, o esquema apenas mudou de figura: entregou-se os ministérios e as estatais aos companheiros, como era o desejo de patriotas como Roberto Jefferson desde o início. Sob aplausos dos intelectuais brasileiros que vêem isso apenas habilidade política e a tal “governabilidade”.

Enquanto a esquerda, que está no poder, não só no governo mas o que é infinitamente pior, nas universidades e imprensa, considerar que sua posição é fruto de uma superioridade moral, de uma bondade intrínseca para com seu semelhante, o debate público será essa miséria que vemos todos os dias, um falso confronto do bem e do mal.

Para que a sociedade realmente evolua, é preciso que a esquerda entenda que é possível defender os ideais da direita de boa fé. Não estou dizendo aqui que a direita esteja certa nos seus pontos, isso é outra história, mas que ambos os lados devem acreditar que o outro está errado por falta de compreensão adequada da realidade e tentar convencer que sua visão está mais próxima da verdade. O resultado será realmente o confronto de idéias e a descoberta dos consensos que levam a idéias cada vez melhores.

Isso é a verdadeira dialética, não aquela bruxaria demoníaca proposta por Hegel e, posteriormente, por Marx. Enquanto isso não acontecer ficamos com o “beautiful people” defendendo o povo e vivendo as custas do dinheiro desse mesmo povo através de seus contracheques do estado.

São Paulo x Rio de Janeiro

A queda dos dois prédios do Rio de Janeiro mostra mais uma vez o tratamento diferenciado que São Paulo tem em cada tragédia. Fico imaginando o que a petralhada, incluindo blogueiros “oficiais”,  “intelectuais” e representantes da sociedade civil não estariam fazendo se o ocorrido fosse na capital paulista.

Só mostra que tem gente bastante seletiva na hora de escolher suas vítimas, além da falta de escrúpulos em usar tragédias para fazer guerra política.

O poder dos debates

Esqueçam aquela coisa insossa que estamos acostumados a ver no Brasil. Debate mesmo é o que está acontecendo nas primárias dos republicanos; esse sim um verdadeiro reality show.

Essa semana foi devastadora para Newt Gingrich, que caminhava para virar o jogo na Flórida. Deu tudo errado. Sem timing e principalmente sem respostas, foi trucidado por um surpreendentemente confiante Mitt Romney, que mostrou que pode sim debater com o orelhudo.

Dos quatro candidatos, acho que Santorum é o melhor deles, mas suas chances são insignificantes. Newt tem muitas vulnerabilidades e a única coisa que o segurava era a vontade de parte dos eleitores republicanos em ver alguém dizendo para Obama o que ele merece ouvir, mesmo que perdesse as eleições. Seu desempenho na Flórida deixou os republicanos preocupados da coisa sair pelo avesso.

Mitt tem chances reais de vencer, principalmente pelo fraco desempenho do orelhudo. Não se deixem enganar pela visão estrangeira do homem; dentro de casa, tirando a mídia, o clima é de decepção por quem não entregou nada do que prometeu. Dependendo do quadro econômico, podemos ter um presidente republicano no próximo ano, principalmente se for Romney.

Meu palpite: Romney leva a Florida e vai passar algum tempo debatendo com Ron Paul antes de ser confirmado candidato. Pelo menos é melhor que o McCain.

Um dia não terão mais como ignorar.

 

Essa imagem vocês não viram e não verão nos jornais. Por enquanto.

A coisa está crescendo a cada ano e ficará difícil ignorar por muito mais tempo. O que mais assusta os regressistas progressistas, espalhados na grande mídia, é que cada vez tem mais jovens participando. A nossa geração felizmente passará, assim como nossa opção por uma vida sem valores autênticos. Tenho esperança que ainda verei o dia em que o aborto será considerado verdadeiramente uma chaga para uma sociedade.

10 Livros para ler em 2012

Eis a minha lista de livros para ler este ano, 5 de ficção e 5 de não ficção:

1. A República (Platão)

Chegou a hora. Acho que já estou finalmente preparado para ler esta obra essencial da filosofia.

2. How Civilizations Die (David Goldman)

Trata-se de um dos assuntos que mais me interessam hoje em dia, a demografia e suas consequências para a humanidade. Acho que teremos sérios problemas daqui para frente pela recusa dos países desenvolvidos em se reproduzir; pelo menos ao nível mínimo. A crise na Europa é só o primeiro sintoma.

3. Maldita Guerra (Francisco Doratioto)

Passou da hora. Estou com esse livro na estante há dois anos. Nunca é demais ler sobre a Guerra do Paraguai.

4. O Caminho da Servidão (F. A. Hayek)

Um dos clássicos da literatura econômica liberal, e dos problemas de abrir mão da liberdade em favor do estado.

5. São Tomás de Aquino (G. K. Chesterton)

Alguém já disse que precisamos ler essa preciosidade do Chesterton porque não somos mais capazes de ler São Tomás. Para mim é motivo suficiente para colocar esta obra nesta lista.

6. David Copperfield (Charles Dickens)

Todo ano tem que ter um Dickens. É obrigatório.

7. Otelo (Shakespeare)

Uma das obras famosas da literatura que ainda não li. Passou da hora há muito tempo.

8. A Marquesa de O (Kleist)

Li sobre este livro em uma crítica de Francine Prose. Rohmer o filmou. Não preciso de outro motivo.

9. Os Miseráveis ( V Hugo)

Outro clássico.

10. O Mundo como Idéia (Bruno Tolentino)

Livro de poesia que Tolentino contrasta os dois mundos, o da nossas idéias e o real. O problema de tentar fazer o mundo caber em nossa idéia.