Defendendo a História

Como Evans esclarece no na primeira frase, trata-se não de um livro de história, mas de como se estuda história. Para ele, o terreno foi delimitado por dois historiadores de meados do século XX. O primeiro foi Edward Carr que advogou pela visão relativista em que os livros de história refletem mais os historiadores e a visão de seus tempos do que a verdade do passado. Geoffrey Elton, por seu lado, defendia que a história é a busca pela verdade objetiva do passado.

O grande problema, para Evans, foi o surgimento nos anos 80 dos historiadores denominados pós-modernistas, influenciados pela teorias linguísticas, que defendem que não existe verdade histórica ou objetividade, apenas discurso. É o famoso texto como significado apenas para si mesmo. Diverge de Carr na medida que este acreditava na verdade histórica, apenas duvidava da capacidade do historiador em chegar a ela; mais ainda de Elton, que acreditava que com metodologia adequada poderia se chegar na verdade história. Para os pós-modernistas não existia essa tal verdade histórica pois a verdade não existem em qualquer época.
Evans discute os problemas que a visão pós-modernista apresenta para o estudo da história nos mais diversos

 enfoque: nos fatos, nas fontes, no discurso, nas causas, sociedade e indivíduo, etc. Ao abordar as visões não só de Elton e Carr, o livro de Evans acaba servindo como uma introdução para o estudo da história e sua problemática, o que faz com muita clareza e competência.
A ressalva que vejo em sua obra é a simpatia que tinha por Carr. Evans argumenta que os pós-modernistas se colocam igualmente contra os dois historiadores, o que não é verdade. Pode-se dizer que o pós-modernistas derivaram suas idéias do relativismo de Carr, mas nunca da objetividade de Elton. O que fizeram foi levar a hipótese básica de Carr ao extremo e concluir que a própria noção de história era absurda.
O objetivo de Evans no livro, o que faz com muita competência, é refutar o pós-modernismo e defender a história, daí o título do livro. No entanto, o historiador tenta não atingir as idéias de Carr, procurando colocar-se em uma posição de equilíbrio entre Carr e Elton, muito embora seus argumentos possam todos ser derivados da objetivida
de e possibilidade de conhecer a verdade e não do relativismo de Carr. É como se usasse Elton, mas como reservas para não refutar Carr.
De qualquer forma, é um excelente livro de introdução ao estudo da história e os historiadores deveriam lê-lo atentamente, já que não muitos teriam a capacidade de ler uma obra mais densa e colocada em outro plano de teoria do conhecimento, como Anamnese de Eric Voegelin.
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