Foco errado

Na controvérisa com aquele jornalista marrom, que já foi da globo, acho que o foco está no lugar errado.

O uso da expressão " negro de alma branca ", como um pejorativo, só mostra a pobreza de pensamento do jornalista, e seu mal gosto na escolha das palavras. Nada que 5 minutos com um texto seu não demonstre por si só. Não concordo em condenar pessoas pelas besteiras que dizem nesse sentido.

Por outro lado, quando acusou Heraldo de estar sendo pago por Daniel Dantas, temos um caso claro de injúria e difamação. Que o jornalista prove o que disse. É preciso ter responsabilidade ao fazer em público uma afirmação categórica dessa.

Portanto, o grave das idiotices do jornalista marrom não é o teor racista de suas declarações, o que só demonstra o tamanho do seu caráter; mais grave é acusar alguém, sem evidências nenhuma, de ser pago para fazer uma matéria. Aliás, o referido parece saber sobre esse tipo de coisa.

É típico do Racionalista, influenciado pelas idéias nefastas do marxismo cultural, acreditar que tudo que se faz é por motivos econômicos. Embora nunca se perguntem sobre suas próprias motivações, que parecem ser sempre elevadas. O inferno são os outros, como já ensinava, equivocadamente, o pseudo filósofo francês.

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Brasil x Quem?

Só agora descobri o adversário do Brasil. A Bósnia.

Quando ganhamos o direito de sediar a Copa do Mundo, ou compramos, seja á como for, algum sábio disse que todo aquele papo de mobilidade, infra-estrutura, era tudo cascata. A única coisa que poderíamos garantir é que nosso ponto forte seriam os estádios e a seleção.

Pano rápido.

Messi X Cristiano Ronaldo

Dois lances evidenciaram bem a minha birra com o Barcelona, e por tabela com o Messi. E não estou aqui a dizer que o Barcelona não é um excelente time e que o argentino não é um craque de bola. A questão é de outra natureza.

O fenômeno que me chama a atenção é uma evidência da miopia atual. Tudo no mundo passa a se dividir em o bem absoluto e o mal absoluto, fruto de uma visão ideológica oriunda da política, mais precisamente na dicotomia radical. É tão entranhado no nosso comportamento que mesmo as pessoas que não dão a menor bola para política ou ideologia se comportam assim. Primeiro se classifica o sujeito, depois se julgam os atos. So o sujeito é bom, o ato é bom; e assim por diante. Não existem matizes, zonas sombrias, circunstâncias em que boas pessoas praticam atos vis e más pessoas praticam atos bons.

O Barcelona, e por extensão seu maior craque, já foram classificados como mocinhos da história, em algum modelo Hegeliano. Tudo que faz ou deixa de fazer é um ato superior. O Barcelona não tem interesses econômicos como os demais clubes e sim interesses sociais que apenas por acaso se transformam em lucro. Seus jogadores? São santos. Demônios são seus adversários de Madrid, todos vis, dentro e fora do campo. Comportamentos que são tolerados no bom sujeito, são inadmissíveis para os rivais. O contrário também acontece, um ato classificado por baixaria de uma adversário se torna virtude para o nosso time.

Vejam o que aconteceu no fim de semana com o Barcelona e o Real Madrid e imaginem a situação invertida.

Imaginem se o Messi tivesse feito um gol de calcanhar, tocando a bola no canto do goleiro com vários marcadores entre ele e a linha de fundo. Gênio.

Agora imaginem se Cristiano Ronaldo aproveita-se de uma barreira em formação e o goleiro abraçado na trave para bater a bola para o gol quase vazio. Canalha! Infame! Como o juiz não anula esse gol? Depois que começa a armar a barreira o cobrador deve esperar pela autorização. Quantos jogadores já não receberam cartão amarelo por fazer exatamente o que Messi fez?

O problema é que as duas jogadas foram protagonizadas por sujeitos errados. O que fazer? Simples, diga que as duas jogadas se equivalem e desloque a questão para outro ponto: qual dos dois gols foi mais bonito? Como assim? Como chamar de golaço um chute para um gol vazio sem barreira? Por que não dizer as coisas as claras, que o Barcelona foi beneficiado pela arbitragem em mais de um lance e que Messi teve uma atitude no mínimo anti-desportiva?

O Globo Esporte foi incapaz de sugerir que pelo menos o atacante tenha sido “malandro”. Afinal, não combina com sua imagem. Não, se o Messi, o Messi!, fez aquilo, é porque a jogada foi válida. E foi golaço. Ponto final.

Enquanto o Barcelona tiver esse tipo de suspensão de julgamento torcei contra ele com todas as minhas forças. Torço assim por um repúdio que tenho à infâmia e à hipocrisia. Por isso digo sempre que a forma como as pessoas em geral tratam o Barcelona é um sintoma de uma doença, uma doença do espírito.

 

Técnica Filosófica

Segundo Olavo de Carvalho, a técnica filosófica é composta pelos seguintes itens:

  1. Anamnese: o filósofo rastreia a origem de suas idéias e crenças. Como o problema se colocou para ele? De onde surgiram suas concepções? Qual a situação da realidade que o despertaram para a investigação? Assume a responsabilidade por suas idéias, estabelecendo o que ele efetivamente acredita antes do começar a filosofar.
  2. Meditação: busca transcender o círculo das próprias idéias e buscar como a realidade se comunica com ele em uma experiência originária. Sua idéia deve corresponder a dados da realidade.
  3. exame dialético: integra a experiência cognitiva dentro da tradição filosófica. Compara as próprias observações com os grandes mestres da história.
  4. perspectiva histórico filológica: estudo da tradição de acordo com uma técnica apropriada.Toma posse da tradição para o exame dialético.
  5. arte hermenêutica: tornar transparente para o exame dialético o pensamento dos filósofos, É a interpretação em profundidade do pensamento dos mestres.
  6. exame de consciência: integra em sua própria personalidade e consciência o resultado de suas investigações.
  7. Técnica expressiva: tornar sua experiência cognitiva reproduzível por outras pessoas.

Os itens 4 e 5 referem-se especialmente à cultura filosófica, basicamente o foco de estudo das universidades no Brasil. Formamos no máximo historiadores da filosofia, mas o resto é grego para nossos mestres tupiniquins.

Filosofia é um trabalho muito mais sério do que parece.

Liberdade

A conquista de nossa liberdade não consiste em deixarmo-nos vencer pelos impulsos, e fazermos tudo quanto nos vem à mente. (Mário Ferreira dos Santos, Convite à Psicologia Prática)

A modernidade consolidou a idéia de que a liberdade significa fazer tudo que se deseja. A raiz desse pensamento talvez seja Nietszche com seu super-homem, mas tenho dúvida se ele estava defendendo uma idéia ou constatando algo que já se mostrava real. Sartre também contribuiu com seu o “inferno são os outros”, que indicava que o próximo estava sempre interferindo na nossa liberdade.

Mas seria a liberdade absoluta um conceito possível? Me parece que fazer tudo o que queremos nos deixa em uma condição de estar subordinados aos nossos próprios desejos, algo muito comum nos dias de hoje. O que é a liberdade sexual senão seguir os próprios desejos sexuais, sem nenhum limite? Mas isso não nos coloca na condição de escravo de nosso desejo sexual? Por que uma pessoa que escolhe a monogamia, ou mesmo a abstinência sexual, é considerada menos livre do que alguém que transa com tudo que se mexe?

A coisa fica ainda mais embrulhada quando chegamos no feminismo. Uma mulher que escolhe não trabalhar fora e dedicar sua vida a cuidar de sua família é considerada uma vítima do machismo, uma reprimida. Liberdade é jogar a própria família as favas, como Nora fez na célebre peça de Ibsen, mesmo que não se tenha a menor idéia do que se pretende da vida. Parece que o conceito de liberdade não inclue determinadas decisões. Você só é livre se fizer determinadas escolhas já previamente definidas pelos progressistas de plantão.

Não vou nem comentar a questão do aborto e a tal liberdade da mulher dispor do próprio corpo.

Alguém já disse que muitos crimes são praticados em nome da liberdade.

Talvez a verdadeira liberdade seja a livre escolha de submeter a algo. Deus, o casamento, a família, um código moral, uma disciplina. Não uma submissão cega, ou fruto do desconhecimento, mas uma escolha racional, que vê a necessidade e o bem maior a se alcançar ao confiar em algo que julga superior e próximo da verdade. A submissão a um ideal transcendente à própria pessoa, a uma vontade de se aprimorar, de ser alguém melhor.

O mundo de hoje está cheio de falsos senhores. E falsos escravos.

O primeiro passo para a liberdade, segundo Mário, nosso maior filósofo, dentro de uma tradição que remonta alguns milhares de anos, desde Platão, passando pelo cristianismo, é controlar nossos próprios impulsos.

E isso é só o começo.

Finais da Taça Guanabara

Os quatro grandes chegaram nas finais da Taça Guanabara, o que não estava sendo muito comum. Normalmente com times sem entrosamento, começando seus trabalhos, acabavam surpreendidos por equipes mais limitadas, mas que vinham de preparações mais longas. Apesar de alguns tropeços, os times grandes se impuseram com maior ou menor facilidade, e chegaram as semi.

Flamengo X Vasco

O vasco é o time mais pronto dos cariocas. Terminou o ano como o melhor deles, não mudou, e tem só uma questão salarial para atrapalhar este início de 2013. O Flamengo continua como no final de 2012; um time cheio de volantes que vence seus jogos sem convencer. Costuma crescer em jogos decisivos e ganhou força ofensiva com o Love, apesar de ainda fora das melhores condições. Se tivesse que apostar, apostaria no time da colina; mas clássico não tem favorito.

Botafogo X Fluminense

O Botafogo está mais arrumado e vem jogando bem contra os sparrings do estadual. O Fluminense é aquela coisa, vai assustando sua torcida mas na hora de decidir cresce com o maior comprometimento de suas estrelas. Tem um elenco melhor, o que não significa o melhor time. Nos últimos anos tem dado Botafogo, principalmente em semis do carioca. A escrita vai se manter?

Enfim, dois bons jogos para passar a semana.

Qual o seu palpite? Quem leva a TGB?

causa e efeito

Uma dos erros mais comuns de cientistas sociais no mundo inteiro é concluir que o fato de dois fatos acontecerem em sucessão implicam que um decorre do outro, em outras palavras, que se trata de causa e efeito. Não é a regra. Esse pensamento é bem seletivo, acontece quando aparentemente comprova que estamos certos em alguma idéia. Daí a importância de um verdadeiro intelectual, que honra sua condição, buscar a prova que está errado ao invés de evidências de sua certeza. É uma posição muito mais crítica em relação às próprias idéias do que o contrário. Ao falhar em encontrar essas provas de que se está errado é que se começa a ter alguma certeza sobre nossas opiniões.

Um exemplo é a questão da liberação das drogas. Muitos acreditam que a liberação diminuiria a violência e a questão seria tratada como se fosse um vício, como o cigarro. Outros acreditam que iria além, que diminuiria o consumo.

Volta e meia aparece a notícia que algum país europeu, normalmente Portugal ou Holanda, teve o consumo diminuído com a liberação. Considerando que seja verdade essa diminuição, restaria ainda mostrar que uma coisa foi decorrente da outra. Que a liberação das drogas seria a causa da diminuicão do consumo.

O problema é que teríamos que partir da premissa que a facilidade em conseguir a droga inibiria de alguma forma o consumo. Não me parece razoável essa tese. Será que o maior motivo para se consumir drogas seria sua proibição? Acabaria a graça se fosse permitida? Por que uma pessoa arrisca-se ao cometer um crime deixaria de fazê-lo quando considerado legal? Posso até acreditar que existam algumas pessoas assim, mas seria a maioria, seria em número significativo?

A coisa fica ainda mais complicada quando penso no cigarro, seguramente a droga mais odiada pelo beautiful people. O crescente repúdio ao fumo, as campanhas na mídia, as leis cerceando os espaços para fumantes, etc, contribuiram para aumentar ou diminuir o consumo? Se caminhar em direção à proibição levou menos pessoas a fumar, por que caminhar em direção à liberação levaria menos pessoas a consumir cocaína? Para mim pelo menos não faz sentido algum!

Outra explicação possível é que a liberação de alguma forma permitira que a sociedade ajudasse em melhores condições os viciados. Mas em que a proibição prejudica a ajuda? Qual pessoa que reconhecer publicamente ser viciada em drogas e estar disposta a se livrar do vício teve ajuda impedida ou foi presa por causa disso? Qual família foi impedida pela lei de ajudar um ente que sofre pelo seu vício?

Não estou aqui dizendo que a liberação das drogas, ou aquele eufemismo de discriminalização, levaria certamente à explosão do consumo. Estou apenas afirmando que não me parece razoável que a facilidade no uso de drogas leve necessariamente à redução do consumo. E não vi nenhuma evidência nesse sentido.

E os números de Portugal? Deveriam ser vistos com todo cuidado e investigado, ainda mais se a pessoa estiver disposta a descobrir a verdade e não se sentir bem com suas próprias idéias. Principalmente se a pessoa tiver uma responsabilidade diante da sociedade, se for uma formadora de opinião. O melhor conselho ao se tratar do assunto me parece ser a prudência, justamente o que falto aos mais descolados, sempre rápidos em tirar suas conclusões e torná-la o mais pública possível.