Adeus Luxemburgo

Quem não viveu a década de 90 e primeira metade da década passada, não consegue imaginar porque Vanderlei Luxemburgo ganha o que ganha, ou ganhava, até hoje. Tê-lo como treinador era praticamente uma garantia de vitória e títulos, principalmente quando o campeonato era de pontos corridos. Seu ponto fraco eram os torneios do tipo mata-mata, onde seu principal rival da época, Felipão, reinava absoluto.

Muita coisa mudou desde então. De alguma maneira seu fracasso do Real Madrid em 2005 mexeu com sua cabeça e nunca mais foi o mesmo. Seus times se tornaram burocráticos, excessivamente defensivos, sem qualquer encanto para o torcedor. Para piorar, os títulos também não vieram. Se a explicação para o futebol pouco vistoso eram os resultados, eles também não vieram.

O próprio Luxemburgo percebeu isso e na saída do Atlético, onde é odiado, afirmou que precisava dar uma parada e se reciclar. Não conseguiu; em crise o Flamengo enxergou nele a saída para o rebaixamento em 2010. Aos trancos e barrancos conseguiu, mas contou mais com o péssimo rendimento de outros times para ficar na primeirona do que com a reação da equipe.

Ano passado tinha time para disputar o título brasileiro. Conseguiu terminar o turno em segundo, mas já dando sinais de esgotamento do time, e não fossem alguns resultados improváveis como as vitórias sobre Fluminense e São Paulo, não teria chegado nem na Libertadores. Sua insistência em alguns jogadores, sua birra com outros, o colocaram em descrédito com a torcida.

Então veio 2012 e sua falta de habilidade para lidar com o próprio grupo e com os dirigentes transformaram o Flamengo em uma crise permanente na pré-temporada, o que quase custou a vaga na segunda fase da Libertadores. O clima na Gávea era nitidamente pesado e time jogava sem alegria. Simplesmente não dava mais.

Luxemburgo é hoje um treinador de segunda linha. Deveria seguir o conselho que se deu há dois anos atrás, parar, assistir jogos e estudar o que está acontecendo no futebol mundial. Ainda pode voltar a ser um treinador de primeira linha, mas deve colocar a profissão acima dos seus outros interesses e ter a humildade de aprender com seus erros.

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