Liberdade

A conquista de nossa liberdade não consiste em deixarmo-nos vencer pelos impulsos, e fazermos tudo quanto nos vem à mente. (Mário Ferreira dos Santos, Convite à Psicologia Prática)

A modernidade consolidou a idéia de que a liberdade significa fazer tudo que se deseja. A raiz desse pensamento talvez seja Nietszche com seu super-homem, mas tenho dúvida se ele estava defendendo uma idéia ou constatando algo que já se mostrava real. Sartre também contribuiu com seu o “inferno são os outros”, que indicava que o próximo estava sempre interferindo na nossa liberdade.

Mas seria a liberdade absoluta um conceito possível? Me parece que fazer tudo o que queremos nos deixa em uma condição de estar subordinados aos nossos próprios desejos, algo muito comum nos dias de hoje. O que é a liberdade sexual senão seguir os próprios desejos sexuais, sem nenhum limite? Mas isso não nos coloca na condição de escravo de nosso desejo sexual? Por que uma pessoa que escolhe a monogamia, ou mesmo a abstinência sexual, é considerada menos livre do que alguém que transa com tudo que se mexe?

A coisa fica ainda mais embrulhada quando chegamos no feminismo. Uma mulher que escolhe não trabalhar fora e dedicar sua vida a cuidar de sua família é considerada uma vítima do machismo, uma reprimida. Liberdade é jogar a própria família as favas, como Nora fez na célebre peça de Ibsen, mesmo que não se tenha a menor idéia do que se pretende da vida. Parece que o conceito de liberdade não inclue determinadas decisões. Você só é livre se fizer determinadas escolhas já previamente definidas pelos progressistas de plantão.

Não vou nem comentar a questão do aborto e a tal liberdade da mulher dispor do próprio corpo.

Alguém já disse que muitos crimes são praticados em nome da liberdade.

Talvez a verdadeira liberdade seja a livre escolha de submeter a algo. Deus, o casamento, a família, um código moral, uma disciplina. Não uma submissão cega, ou fruto do desconhecimento, mas uma escolha racional, que vê a necessidade e o bem maior a se alcançar ao confiar em algo que julga superior e próximo da verdade. A submissão a um ideal transcendente à própria pessoa, a uma vontade de se aprimorar, de ser alguém melhor.

O mundo de hoje está cheio de falsos senhores. E falsos escravos.

O primeiro passo para a liberdade, segundo Mário, nosso maior filósofo, dentro de uma tradição que remonta alguns milhares de anos, desde Platão, passando pelo cristianismo, é controlar nossos próprios impulsos.

E isso é só o começo.

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