Messi X Cristiano Ronaldo

Dois lances evidenciaram bem a minha birra com o Barcelona, e por tabela com o Messi. E não estou aqui a dizer que o Barcelona não é um excelente time e que o argentino não é um craque de bola. A questão é de outra natureza.

O fenômeno que me chama a atenção é uma evidência da miopia atual. Tudo no mundo passa a se dividir em o bem absoluto e o mal absoluto, fruto de uma visão ideológica oriunda da política, mais precisamente na dicotomia radical. É tão entranhado no nosso comportamento que mesmo as pessoas que não dão a menor bola para política ou ideologia se comportam assim. Primeiro se classifica o sujeito, depois se julgam os atos. So o sujeito é bom, o ato é bom; e assim por diante. Não existem matizes, zonas sombrias, circunstâncias em que boas pessoas praticam atos vis e más pessoas praticam atos bons.

O Barcelona, e por extensão seu maior craque, já foram classificados como mocinhos da história, em algum modelo Hegeliano. Tudo que faz ou deixa de fazer é um ato superior. O Barcelona não tem interesses econômicos como os demais clubes e sim interesses sociais que apenas por acaso se transformam em lucro. Seus jogadores? São santos. Demônios são seus adversários de Madrid, todos vis, dentro e fora do campo. Comportamentos que são tolerados no bom sujeito, são inadmissíveis para os rivais. O contrário também acontece, um ato classificado por baixaria de uma adversário se torna virtude para o nosso time.

Vejam o que aconteceu no fim de semana com o Barcelona e o Real Madrid e imaginem a situação invertida.

Imaginem se o Messi tivesse feito um gol de calcanhar, tocando a bola no canto do goleiro com vários marcadores entre ele e a linha de fundo. Gênio.

Agora imaginem se Cristiano Ronaldo aproveita-se de uma barreira em formação e o goleiro abraçado na trave para bater a bola para o gol quase vazio. Canalha! Infame! Como o juiz não anula esse gol? Depois que começa a armar a barreira o cobrador deve esperar pela autorização. Quantos jogadores já não receberam cartão amarelo por fazer exatamente o que Messi fez?

O problema é que as duas jogadas foram protagonizadas por sujeitos errados. O que fazer? Simples, diga que as duas jogadas se equivalem e desloque a questão para outro ponto: qual dos dois gols foi mais bonito? Como assim? Como chamar de golaço um chute para um gol vazio sem barreira? Por que não dizer as coisas as claras, que o Barcelona foi beneficiado pela arbitragem em mais de um lance e que Messi teve uma atitude no mínimo anti-desportiva?

O Globo Esporte foi incapaz de sugerir que pelo menos o atacante tenha sido “malandro”. Afinal, não combina com sua imagem. Não, se o Messi, o Messi!, fez aquilo, é porque a jogada foi válida. E foi golaço. Ponto final.

Enquanto o Barcelona tiver esse tipo de suspensão de julgamento torcei contra ele com todas as minhas forças. Torço assim por um repúdio que tenho à infâmia e à hipocrisia. Por isso digo sempre que a forma como as pessoas em geral tratam o Barcelona é um sintoma de uma doença, uma doença do espírito.

 

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