Atualizando livros

Apesar da correria, dei conta de ler alguns livros. Vamos a eles:

1. 1ª carta de São Paulo aos Coríntios: um dos mais belos textos bíblicos, onde São Paulo discute a questão da salvação e da vida prática de um cristão. Coloca também a questão da verdade e da importância da vida voltada para o espírito. Em uma de suas mais belas passagens, afirma que viver para a carne conduz à morte enquanto que a vida para o espírito conduz à vida. Assim como esse, vários trechos podem conduzir, quando interpretados apressadamente e sem o devido cuidado, a grandes equívocos. Para ler com a alma aberta e tentando perceber a grandeza do que o apóstolos dos gentios falava.

2. Convite à psicologia prática (Mário Ferreira dos Santos): o grande filósofo brasileiro, que tratou de quase tudo, apresenta sua visão da psicologia, particularmente da psiciologia prática. Muita coisa interessante, outras nem tanto, mas uma boa introdução ao tema.

3. O Mundo em Desordem (Demétrio Magnoli e Elaine Sense Barbosa): Um panorama do mundo no período de 1914 a 1945, com a virtude de sair um pouco da narração histórica convencional e buscar as raízes dos acontecimentos nas idéias e personagens, além da expressão cultural da época. O seu eixo condutor são as duas correntes modernas, o liberalismo que se apoderou da bandeira da liberdade e o comunismo com a bandeira da igualdade, o que de certa forma traduz bem o conflito ideológico que temos hoje. Acho apenas que os autores se equivocam um pouco na análise da crise de 29 e subestimam o papel que o fortalecimento do estado por Roosevelt teve no prolongamento desnecessário da crise; idéia que fica cada vez mais clara para os historiadores econômicos de hoje. Hobsbawn demais e Paul Johson de menos. O que não estraga este bom livro da dupla. Vale a pena ler.

4. O Caso de Saint-Fiacre (Georges Simenon): mais uma vez o mestre conseguiu. Um retrato maravilhoso sobre a decadência moral e econômica de uma elite divorciada dos valores aristocráticos e atropelada pela modernidade. Maigret é testemunha dessa mudança ao visitar sua cidade natal para investigar um crime anunciado por telegrama.

5. Poética (Aristóteles): livraço! Não dá para encarar uma obra artística da mesma forma depois de ler Aristóteles analisar a questão. A poesia, e por extensão a literatura, teatro e cinema, trata do mundo das possibilidades humanas. Seu sucesso ou fracasso vai depender da veracidade dessa possibilidade e da criação artística em sim, do uso da poética para descrever o que homem pode fazer.

6. Édipo Rei (Sófocles): Depois de ler Poética, tive que ler uma das obras que Aristóteles trata em seu pequeno livro. A estória é conhecida, mas eu não sabia que a peça é praticamente contada de trás para frente, com Édipo percebendo aos poucos a enormidade do crime que tinha cometido, o que deixa a pergunta, qual é a sua verdadeira culpa se não tinha o menor indício do que estava fazendo? Uma verdadeira tragédia.

7. Werther (Goethe): um conselho para quem sofre de um amor não correspondido, fique longe desse livro! A primeira obra prima do mestre alemão, que traduz um pouco do que passava por seu espírito quando escreveu, na forma de diário, o sofrimento do jovem Werther ao ver a mulher que ama se casar com outro homem. Parece que depois ele se arrependeu do que escreveu mas aí já era tarde.

Por enquanto é só!

 

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