A internet e nosso cérebro

The Shallows

What the Internet is Doing to Our Brains

Nicholas Carr

 

Carr faz uma reflexão sobre as consequências que a utilização da internet pode ter para o funcionamento do nosso cérebro. Seguindo minha proposta de resumir alguns livros em 5 idéias, aqui vão:

  1. Os instrumentos que utilizamos para acessar e produzir informações não são apenas ferramentas, eles modelam a nossa própria forma de pensar
  2. Uma consequência evidente do uso contínuo da internet é a deficiência crescente em prestar atenção em uma única coisa por mais de alguns minutos.
  3. O cérebro humano não cessa de criar ligações entre seus neurônios desenvolvendo o que nós chamamos de inteligência.
  4. A internet fornece uma sobrecarga de informações, muitas delas inúteis, que sobrecarregam nossa capacidade processar essas informações e armazená-las corretamente em nossa memória. O resultado é que deixamos de memorizar como deveríamos as coisas importantes.
  5. O cérebro humano possui dois tipos de memória, uma de curta duração e uma de longa. Para que se passe uma informação da memória de curta duração para a de alta é preciso que o cérebro fixe a atenção nessa informação, justamente o que a internet evita. A memória é a base a inteligência.

Um bom livro que me despertou para muitas reflexões não só sobre a internet, mas sobre o efeito que ela tem sobre nós. Sempre disse que internet é apenas uma ferramenta que pode ser boa ou ruim dependendo do uso que fazemos dela. Agora percebo que o assunto é mais complexo do que parecia à primeira vista.

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Uma reflexão sobre diversidade

Ontem tratamos da questão da igualdade no curso que faço na Comunhão Espírita de Brasília. Um dos assuntos tratados foi a diversidade, uma consequência das diferenças que existem entre todos os seres humanos. Claro que se tratou da questão do preconceito e a mensagem, como não poderia deixar de ser, foi do absoluto respeito a essas diferenças.

No meu entender o grande problema da diversidade é de gramática. O substantivo é o ser humano real, a nossa própria pessoa. O resto, cor da pele, sexo, religião, etc, é adjetivo. Um adjetivo tem por função qualificar um nome, mas a definição desse nome está na própria pessoa. É diferente ver Jacob, que é judeu, do Judeu Jacob. A pessoa jamais pode ser o adjetivo, a qualificação de uma abstração.

Toda vez que falam o negro, a mulher, o homossexual, eu tenho vontade de perguntar, que negro? Que mulher? Que homossexual? Eu não conheço a mulher, eu conheço Maria, Fernanda, Clara, etc. Quando falam que o negro não pode ser vítima de violência, eu retruco que nenhum ser humano deveria ser vítima de violência, inclusive Marcelo, que é negro. Ou Flávio, que é homossexual.

Por isso sou contra leis especiais para qualquer qualificação dessas. Todas as pessoas, sem distinção, devem ser protegidas pela lei. A lei que trata de violência doméstica, por exemplo, não pode fazer distinção de gênero. Podem argumentar que a mulher é quem mais sofre esse tipo de violência. Então serão naturalmente mais protegidas por uma lei que endureça com a violência doméstica, seja de quem for o praticante. Afinal, por incrível que pareça, existem homens que sofrem violência doméstica. Eu conheci dois.

Outro argumento comum é que determinadas minorias, que muitas vezes não são tão minorias assim, apresentam resultados diferentes de média salarial, nível de escolaridade, desemprego, etc. O próprio nome já diz, são resultados! Se são resultados, deve-se procurar as causas e agir sobre elas, se for pertinente a ação!

Se a média salarial de um negro brasileiro é menor que a do branco, que se estudem as causas. Provavelmente vai aparecer com destaque o nível de escolaridade, consequência da própria média salarial mais baixa dos pais. O problema então é identificar porque uma pessoa pobre não consegue superar sua condição social de origem através do estudo. Fica óbvio que o nível lastimável da educação básica nas escolas públicas é um dos problemas. Esse deve ser o foco de atuação e não estabelecer cotas no final do processo, criando ressentimentos e premiando por distinção de cor, justamente o foco de luta dos negros há 100 anos atrás. Tudo que queriam era não ser distinguidos pela cor da pele.

A igualdade absoluta defendida pelos ideólogos de inspiração socialista é uma utopia, talvez das mais perigosas. Nesse aspecto acho que o cristianismo tem a melhor resposta, a caridade. Por caridade não se entendam distribuir esmolas. Como Paulo explicou bem em suas cartas, e Bento XVI resumiu muito em sua primeira epístola, amor é caridade. Acho curioso que no embate que se seguiu à revolução francesa os socialistas tenham se agarrado na idéia de igualdade, os liberais na de liberdade e os conservadores, na de liberdade! Isso acabou colocando liberais e conservadores no mesmo barco, normalmente chamada de direita.

Quem ficou com a bandeira da fraternidade? Por que nenhum partido ou corrente política seguiu essa linha? Talvez esteja aí o grande erro dos conservadores cristãos na história, não terem percebido que o eixo de sua atuação deveria ser a idéia de fraternidade, que nada mais é que a caridade. O próprio Cristo foi taxativo, fora da caridade não há salvação.

Toda essa problemática da diversidade se resolve com a prática cada vez maior da caridade, que só pode ser feito com o libre arbítrio. O homem precisa ser livre para praticar a caridade, que nada mais é do que ajudar o próximo. Quando vemos o que se transformou a cultura ocidental e as práticas políticas atuais, devemos nos perguntar em que medida esse quadro favorece a prática da caridade. Quando políticos tiram liberdade e recursos da sociedade para seguir suas ideologias e conquistar votos ele retira algo de fundamental para o funcionamento da própria sociedade, a possibilidade e a liberdade para nos ajudarmos. Ao contrário do que muita gente pensa, o estado jamais vai entender o que é caridade. O resultado é o mundo que vivemos.

Aos poucos a verdade vai aparecendo

A verdade é filha do tempo, já dizia São Tomás, talvez o último grande sábio da humanidade. Não que ela estivesse muito escondida no Brasil, mas era solenemente ignorada diante de ideologias e até mesmo vaidade. Afinal, reconhecer certas coisas seria assinar um gigantesco atestado de ignorância cultural.

Mas ela vem aparecendo. E até o final do ano vai ainda mais evidente.

Não é que o rei esteja sendo despido. Ele sempre esteve nu e todos percebiam. Só que agora estão sendo obrigados a mostrar.

De volta ao basquete

Depois de anos afastado dos jogos da NBA, esse ano me interessei de novo pelo jogo e estou me divertindo bastante. Como o time que eu torcia, o Seattle Supersonics, deixou de existir, acabei herdando seu sucessor, o Oklahoma City Thunders (nome feinho, confesso). O Thunders faz a final da conferência do Oeste contra o San Antonio, grande favorito ao título.

Acompanhei a NBA até 2004 e alguns dos jogadores que acompanhava naquela época ainda estão na ativa como Tim Duncam, Paul Pierce, Kobe, etc. Outros estão comentando os jogos. Não deixa de ser uma amostra que o tempo passa e somos todos sucedidos de uma forma ou outra.

Pelo pouco que vi, acho que o Thunders vai estar em ponto de bala daqui há um ou dois anos. Esse ano acho difícil passar pelo San Antonio, ainda mais tenho perdido uma excelente oportunidade no primeiro jogo quando abriu 9 pontos no último quarto e depois errou praticamente tudo que tentou. Basquete não tem tanta surpresa como no futebol, acaba sempre dando a lógica. Principalmente em 7 jogos.

Do outro lado da chave, jogam Miami e Boston. Minha simpatia está com o Celtics, mas deve dar Miami. O Celtics chegou além do que poderia e já está de bom tamanho.

Outra coisa que permanece é minha eterna antipatia com o Lakers. Felizmente eles tomaram uma lavada do Thunders.

Pena que os jogos são tão tardes, mas no fim de semana eu tiro o atraso.

Governo reduz, de novo, o IPI dos carros

Bento XVI já dizia, repetindo o que os escolásticos já diziam há alguns séculos, que toda escolha econômica traduz uma escolha moral.

Diante de um quadro de esgotamento de um modelo de crescimento econômico, ancorado no consumo da população brasileira, financiado pelo crédito fácil, o governo utiliza a mesma solução de sempre: reduz os impostos sobre os automóveis.

Talvez a grande questão aí seja por que os automóveis? O que faz desse setor um motor de crescimento econômico, tão diferente dos demais? Desde Juscelino, por quanto tempo ainda vamos nos ancorar na indústria automobilística? Quando vamos sair da era industrial para a era do conhecimento?

O problema do endividamento dos brasileiros é cada vez mais gritante. Qual a solução mágica do governo, endividá-los ainda mais! E para comprar automóveis!

Isso não faz sentido. Pior do que o endividamento dos brasileiros foi o perfil de seus gastos. Nos endividamos para comprar tv lcd, viagens para o exterior, comprar eletrônicos, e automóveis! Já vi estudo mostrando que existem mais residências com televisão do que com máquina de lavar roupas ou geladeira. Queria ver um estudo mostrando quanto do dinheiro de crédito os brasileiros utilizaram para a educação, para se capacitar melhor e serem mais produtivos, gerando um amento de renda que justifique os juros que estão pagando?

Não há ninguém que negue que o salário médio do brasileiro é baixo, mas a mantra é sempre no sentido de aumentar os salários. Salário é resultado de uma série de fatores e não causa. Dentre esses fatores, talvez o principal, seja a produtividade, que por sua vez é resultado de educação, capacitação e cultura. Em geral o brasileiro possui educação desastrosa, obrigado pedagogos da ignorância, baixa capacitação e uma cultura de aversão ao trabalho.

Por que não utilizar a educação como um motor do crescimento econômico? Por que não reduzir impostos sobre livros, cursos, atividades culturais e etc? Por que não estimular que o crédito seja utilizado como principal fonte de um aumento de renda futuro por uma melhor capacitação no presente?

Comprar carros? É essa a solução?

E colocá-los onde? Em nossas cabeças? E os custos anuais de se manter um carro? Já fiz esse cálculo várias vezes: chega a 40% do valor de um veículo. Mais do que comprar um carro, o brasileiro que está entrando na tal classe C está comprando uma dependência.

Os sindicatos ficam felizes, as montadoras também, e nós? Continuaremos nessa marcha da insensatez?

 

Rapidinha sobre o código florestal.

Parece que tudo se resume a veta dilma e não veta dilma. Sei que o veto é uma prerrogativa presidencial, mas me parece que nesse caso fica mais uma vez evidente o desequilíbrio entre os poderes. Pessoalmente, gostaria de ver pelo menos um dia o Congresso derrubar um veto presidencial. Faria bem para nossa democracia mostrar que o presidente não pode tudo já que, como mostrou o caso Battisti, o STF já se curvou ao presidente. Por mais que reclamemos, o Congresso ainda é a essência de qualquer democracia, não o executivo.

A ênfase que se coloca no voto presidencial é uma demonstração de como temos que avançar ainda. O presidente não pode ser um poder moderador do Estado. A possibilidade do veto ao presidente, previsto na constituição, na prática não existe e nem é levantado pela imprensa.

Por fim, como seria bom se as pessoas pelo menos lessem o código antes de comentá-lo! Pelo menos isso!

5 idéias sobre São Francisco

São Francisco de Assis

G. K. Chesterton

Terminei de ler esse bom livro de Chesterton sobre São Francisco e separei 5 idéias que retirei dessa leitura:

  1. São Francisco viveu em um mundo que após passar uma espécie de purgação para se livrar dos últimos vestígios do paganismo antigo, necessitava se compreender dentro de uma realidade cristã, que o culto à natureza não tinha mais sentido.
  2. São Francisco acreditava que a mensagem cristão deveria ser levada ao homem comum em suas realidades e não se uma simples fonte de culto dentro de Igrejas.
  3. Os monges deveriam correr o mundo e se livrar das necessidades materiais e da carne para que tivessem a mobilidade necessária. Para isso deveriam fazer votos de castidade e pobreza.
  4. O movimento iniciado por São Francisco foi fundamental para estabelecer um parâmetro de simplicidade como condição de ver uma verdadeira vida cristã.
  5. São Francisco não deve ser entendido como uma imitação do Cristo, embora o fosse. É através dele, mais próximos de nós, que devemos entender Jesus pois a vida do Santo serve como um espelho que reflete a imagem do Salvador.