Governo reduz, de novo, o IPI dos carros

Bento XVI já dizia, repetindo o que os escolásticos já diziam há alguns séculos, que toda escolha econômica traduz uma escolha moral.

Diante de um quadro de esgotamento de um modelo de crescimento econômico, ancorado no consumo da população brasileira, financiado pelo crédito fácil, o governo utiliza a mesma solução de sempre: reduz os impostos sobre os automóveis.

Talvez a grande questão aí seja por que os automóveis? O que faz desse setor um motor de crescimento econômico, tão diferente dos demais? Desde Juscelino, por quanto tempo ainda vamos nos ancorar na indústria automobilística? Quando vamos sair da era industrial para a era do conhecimento?

O problema do endividamento dos brasileiros é cada vez mais gritante. Qual a solução mágica do governo, endividá-los ainda mais! E para comprar automóveis!

Isso não faz sentido. Pior do que o endividamento dos brasileiros foi o perfil de seus gastos. Nos endividamos para comprar tv lcd, viagens para o exterior, comprar eletrônicos, e automóveis! Já vi estudo mostrando que existem mais residências com televisão do que com máquina de lavar roupas ou geladeira. Queria ver um estudo mostrando quanto do dinheiro de crédito os brasileiros utilizaram para a educação, para se capacitar melhor e serem mais produtivos, gerando um amento de renda que justifique os juros que estão pagando?

Não há ninguém que negue que o salário médio do brasileiro é baixo, mas a mantra é sempre no sentido de aumentar os salários. Salário é resultado de uma série de fatores e não causa. Dentre esses fatores, talvez o principal, seja a produtividade, que por sua vez é resultado de educação, capacitação e cultura. Em geral o brasileiro possui educação desastrosa, obrigado pedagogos da ignorância, baixa capacitação e uma cultura de aversão ao trabalho.

Por que não utilizar a educação como um motor do crescimento econômico? Por que não reduzir impostos sobre livros, cursos, atividades culturais e etc? Por que não estimular que o crédito seja utilizado como principal fonte de um aumento de renda futuro por uma melhor capacitação no presente?

Comprar carros? É essa a solução?

E colocá-los onde? Em nossas cabeças? E os custos anuais de se manter um carro? Já fiz esse cálculo várias vezes: chega a 40% do valor de um veículo. Mais do que comprar um carro, o brasileiro que está entrando na tal classe C está comprando uma dependência.

Os sindicatos ficam felizes, as montadoras também, e nós? Continuaremos nessa marcha da insensatez?

 

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