Uma reflexão sobre diversidade

Ontem tratamos da questão da igualdade no curso que faço na Comunhão Espírita de Brasília. Um dos assuntos tratados foi a diversidade, uma consequência das diferenças que existem entre todos os seres humanos. Claro que se tratou da questão do preconceito e a mensagem, como não poderia deixar de ser, foi do absoluto respeito a essas diferenças.

No meu entender o grande problema da diversidade é de gramática. O substantivo é o ser humano real, a nossa própria pessoa. O resto, cor da pele, sexo, religião, etc, é adjetivo. Um adjetivo tem por função qualificar um nome, mas a definição desse nome está na própria pessoa. É diferente ver Jacob, que é judeu, do Judeu Jacob. A pessoa jamais pode ser o adjetivo, a qualificação de uma abstração.

Toda vez que falam o negro, a mulher, o homossexual, eu tenho vontade de perguntar, que negro? Que mulher? Que homossexual? Eu não conheço a mulher, eu conheço Maria, Fernanda, Clara, etc. Quando falam que o negro não pode ser vítima de violência, eu retruco que nenhum ser humano deveria ser vítima de violência, inclusive Marcelo, que é negro. Ou Flávio, que é homossexual.

Por isso sou contra leis especiais para qualquer qualificação dessas. Todas as pessoas, sem distinção, devem ser protegidas pela lei. A lei que trata de violência doméstica, por exemplo, não pode fazer distinção de gênero. Podem argumentar que a mulher é quem mais sofre esse tipo de violência. Então serão naturalmente mais protegidas por uma lei que endureça com a violência doméstica, seja de quem for o praticante. Afinal, por incrível que pareça, existem homens que sofrem violência doméstica. Eu conheci dois.

Outro argumento comum é que determinadas minorias, que muitas vezes não são tão minorias assim, apresentam resultados diferentes de média salarial, nível de escolaridade, desemprego, etc. O próprio nome já diz, são resultados! Se são resultados, deve-se procurar as causas e agir sobre elas, se for pertinente a ação!

Se a média salarial de um negro brasileiro é menor que a do branco, que se estudem as causas. Provavelmente vai aparecer com destaque o nível de escolaridade, consequência da própria média salarial mais baixa dos pais. O problema então é identificar porque uma pessoa pobre não consegue superar sua condição social de origem através do estudo. Fica óbvio que o nível lastimável da educação básica nas escolas públicas é um dos problemas. Esse deve ser o foco de atuação e não estabelecer cotas no final do processo, criando ressentimentos e premiando por distinção de cor, justamente o foco de luta dos negros há 100 anos atrás. Tudo que queriam era não ser distinguidos pela cor da pele.

A igualdade absoluta defendida pelos ideólogos de inspiração socialista é uma utopia, talvez das mais perigosas. Nesse aspecto acho que o cristianismo tem a melhor resposta, a caridade. Por caridade não se entendam distribuir esmolas. Como Paulo explicou bem em suas cartas, e Bento XVI resumiu muito em sua primeira epístola, amor é caridade. Acho curioso que no embate que se seguiu à revolução francesa os socialistas tenham se agarrado na idéia de igualdade, os liberais na de liberdade e os conservadores, na de liberdade! Isso acabou colocando liberais e conservadores no mesmo barco, normalmente chamada de direita.

Quem ficou com a bandeira da fraternidade? Por que nenhum partido ou corrente política seguiu essa linha? Talvez esteja aí o grande erro dos conservadores cristãos na história, não terem percebido que o eixo de sua atuação deveria ser a idéia de fraternidade, que nada mais é que a caridade. O próprio Cristo foi taxativo, fora da caridade não há salvação.

Toda essa problemática da diversidade se resolve com a prática cada vez maior da caridade, que só pode ser feito com o libre arbítrio. O homem precisa ser livre para praticar a caridade, que nada mais é do que ajudar o próximo. Quando vemos o que se transformou a cultura ocidental e as práticas políticas atuais, devemos nos perguntar em que medida esse quadro favorece a prática da caridade. Quando políticos tiram liberdade e recursos da sociedade para seguir suas ideologias e conquistar votos ele retira algo de fundamental para o funcionamento da própria sociedade, a possibilidade e a liberdade para nos ajudarmos. Ao contrário do que muita gente pensa, o estado jamais vai entender o que é caridade. O resultado é o mundo que vivemos.

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