Uma reflexão sobre partidos políticos

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Stephen Kanitz chama atenção para uma das razões para a existência do mensalão. Particularmente, não gosto de explicações que retiram o livre arbítrio das pessoas, tornando-as refêns de acontecimentos ou como gostam de chamar, do sistema. Não nego a influência do meio, mas rejeito a tese que seja determinante. No final, é o homem com suas decisões.

No entanto, Kanitz parece ter razão quando chama atenção para a ingovernabilidade de uma democracia com 48 partidos políticos. O grande problema é que as pessoas honestas, que rejeitam a corrupção como forma de atuação, tendem a desistir e abandonar a política, deixando o campo livre para os imorais. O resultado é o Brasil de hoje. Na economia é o fenômeno em que a moeda ruim tira de circulação a moeda boa.

Deixando a corrupção de lado e não, o partido do trambique não é como todos os outros. Nenhum outro é capaz de se vangloriar da corrupção e querer transformar suas práticas como virtude como eles, mas isso é outra estória.

Tenho dúvidas se um sistema bipartidário, como o americano, é o ideal de uma democracia. Talvez o ideal seja um com três partidos, um conservador, um socialista e um terceiro liberal.

O primeiro tem por filosofia que a sociedade deve evoluir progressivamente através de pequenas e constantes mudanças. O segundo que ela deve ser transformada com mudanças radicais e definitivas e o terceiro, herdeiro do liberalismo clássico, que os indivíduos devem ter a liberdade total pois o próprio mercado se arranjará da maneira mais eficiente.

O equilíbrio e a composição entre esses três partidos pode ser uma aposta mais segura de soluções menos radicais e possíveis para a evolução de uma sociedade.

Há controvérsias de qual seria o partido do centro, conservadores ou liberais. Talvez não haja centro e os três sejam equidistantes, formando um triângulo. Não importa.

Creio que o bipartidarismo do regime militar estava mais próximo de uma democracia verdadeira do que esse monstro que temos aqui, onde mais de 90% dos deputados não são eleitos pelos próprios votos. Um regime sem representatividade não pode ser considerado democrático.

Independente do resultado do julgamento do mensalão, e espero que os culpados sejam devidamente punidos, é preciso que a quantidade de partidos políticos diminuam. É possível? Mais do que possível, considero inevitável, pois não há como continuar muito tempo dessa forma. Acredito que seremos forçados a isso, cedo ou tarde, pela própria realidade, que sempre cobra seu preço.

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