A pior ignorância e as mudanças organizacionais

Sócrates já alertava para o pior tipo de ignorância, a de achar que sabe. Não sei, nesse caso, o que é pior, se o tolo tem boas intenções ou não. Um idiota cheio de boas intenções que acha que sabe das coisas pode fazer um estrago danado.

Coloque esse tolo na administração pública e inicie um movimento de mudanças profundas. Pior, imagine que esse tole se junte com outros tão tolos quanto ele; todos, lógico, com boas intenções. O resultado é uma bomba relógio sendo montado.

Estou vivendo um processo desses no trabalho. Um conjunto de tolos, incitados por uma idéia força de transformar a organização, estão ávidos por fazer mudanças baseados em suas idéais pré-concebidas de coisas que não sabem como funciona. Tudo bem moderno em um mundo em que a simples idéia de mudança é um valor. Quantas vezes não ouvimos que o importante é estar sempre mudando, não importa em que direção.

Meu espírito conservador se revolta com isso tudo. Muitas pessoas confundem o conservatismo como uma pré-disposição à imobilidade. Nada disso, como já ensinava Chesterton em Ortodoxia, o verdadeiro conservador está sempre mudando para permanecer o mesmo. Dava o exemplo da cerca branca. Deixada à própria sorte, sem mudanças, a cerca perderia a cor e envelheceria rapidamente. Para que durasse, permanecesse branca, era preciso tratá-la e pintá-la sempre. Se surgissem novas tecnologias ou processos para mantê-la, ótimo. O importante era o resultado.

Outra boa metáfora de Chesterton era do quadro. Um pintor insatisfeito com o resultado do seu trabalho pode sempre jogar o quadro fora e tentar de novo. Pode estudar, melhorar sua técnica, usar novos ângulos. Só não pode ficar mudando o modelo do que está pintando pois assim nunca conseguirá pintá-lo. Esse é o problema da modernidade, se o quadro não está bom, troca-se o modelo.

Traga tudo isso para o mundo corporativo e temos um problema de um bando de néscios mexendo em uma estrutura que funciona, mas que pode melhorar bastante, como se ela não funcionasse pois “acham que sabe” como ela deveria funcionar. Pior, querem absorvê-la em uma outra estrutura que não funciona, mas que acham que funciona, para resolver o problema desta última. Soubessem de fato alguma coisa de economia saberiam que a moeda podre expulsa a moeda boa. Misturar o que funciona com o que não funciona normalmente acaba no não funcionamento das duas.

Espero que esteja enganado.

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