Minhas dúvidas sobre a morte do publicitário

Eu não tenho como saber o que realmente aconteceu naquele cerco da PM de São Paulo. O problema é que só quem estava lá pode saber com certeza, e são os policiais. Como são parte interessada, tem que haver uma reserva sobre o que eles podem falar.

O problema é que grande parte da mídia parece que estava lá e já definiram as vítimas e os vilões.

Claro que não se justifica um grupo de 10 policiais atirarem em uma única pessoa dentro do carro, independente do gesto que este tenha feito. Acho que o correto é mandar que ele saia do carro e não abordar o veículo com ele dentro. Acho que tem coisa esquisita aí.

Interessante também que nos jornais que vi e nas reportagens que li, ninguém especula sobre o porquê do publicitário ter fugido da polícia. É uma pergunta dura de se fazer quando o fugitivo está morto, mas a obrigação do repórter é fazer justamente essas perguntas difíceis. Por que não fizeram? Por que foi preciso 4 veículos da PM e 2 motos para que ele finalmente parasse.

Tem a estória do papelote de maconha. Claro que pode ter sido plantado pela PM, mas também pode não ter sido. Sem uma confissão de quem colocou, caso tenha colocado, nunca saberemos. Se era realmente dele, também dificilmente saberemos. No jogo da lógica, apenas a ausência da maconha poderia indicar que ele estava sem droga. Como ele estava lá, não temos como saber se estava ou  não com ele.

Só que a persistência na fuga ainda me intriga. Em um momento de susto, pode-se evadir de uma blitz por achar que pode ser um golpe. Mas diante de uma perseguição, com vários carros, essa hipótese cai por terra. Seria o suficiente para que ele parasse o carro.

Só para apimentar, imaginem se fosse realmente um golpe de bandidos, disfarçados de policiais. O publicitário foge, é perseguido e morto.

Vocês acham que a imprensa estaria colocando a culpa nos bandidos?

Aposto 10 pilas que estariam falando que a culpa era dele, que diante de bandidos não se pode reagir. Apareceria um sociólogo falando de como os marginais são vítimas da pobreza, e toda aquela baboseira que estamos acostumados.

Como eram policiais, não tem sociólogo, não tem dúvidas razoáveis; apena o desejo de sangue e condenação. Não estou defendendo ninguém, apenas colocando minhas dúvidas e constatando o óbvio: PM não tem direito à dúvida.

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