Donos do mundo

Uma das coisas desagradáveis de Brasília são as filas duplas. Apesar de existirem em praticamente todas as cidades, em nenhum lugar vi essa arte ser colocada em um patamar de direito do motorista.

Outro dia minha esposa teve o carro bloqueado por um fila dupla. Por mais de 15 minutos esperou pacientemente que o indivíduo aparecesse. Ele estava tranquilamente dentro de uma loja, acompanhado da esposa e do filho pequeno.

Não se tratava de uma compra rapidinha não, como se pode observar pelo tempo que demorou e pelo fato da esposa e o filho terem descido do carro.

Ao sair, ajeitou tranquilamente a criança na cadeirinha, entraram no carro e partiram, sem nem olhar para minha esposa, como se ela não existisse. Nem um sinal, um pedido de desculpas ou qualquer outra coisa.

Tenho certeza que jugava-se no direito de fazer o que estava fazendo; embora desconfie que no fundo enganava a si mesmo. Provavelmente estava lidando com a chata de sua própria consciência, que insistia em avisá-lo que por mais que faltassem vagas na cidade, que seu problema pudesse ser urgente, a pessoa que estava com o carro travado não tinha nada a ver com isso.

Trata-se de um fato corriqueiro em Brasília, assim como ultrapassar pela direita. A questão da fila dupla é apenas uma das manifestações exteriores de pessoas que se julgam realmente donas do mundo.

Podem até ser, o que apenas significa que são donas de castelos de areia.

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