Vaidade suprema

O nosso Supremo está reunido para julgar o mensalão, talvez o caso de corrupção mais documentado da história da humanidade. Sabe-se que corruptos não costumam assinar recibos, mas se alguma vez chegaram bem perto disso foi no esquema denunciado por Bobby Jeff. Tanto que ficou impossível negar que o dinheiro passou nas mãos dos acusados e toda a defesa ficou concentrada em enfatizar o destino do recurso. Como não dava para alegar que ia para instituições de caridade, a melhor saída foi jogar tudo no tal “caixa dois de campanha”. Saída bolada pelo famoso advogado de bandidos que fez história como ministro… da justiça! Coisas do Brasil.

Acho interessante observar o comportamento dos ministros do STF. O verdadeiro BBB é esse aí, e não aquela coisa toda montada e editada que aparece de tempos e tempos na globo. Se querem ver a amostra da humanidade confinada, nada melhor do que as intermináveis seções de julgamento do supremo. Ali o personagem principal não é nenhum dos votantes, mas o maior pecado do homem, a vaidade.

Não vou nem entrar no caso particular do Lewandowski, empenhado em melar o julgamento de todas as formas. Esse já era esperado por todos.

O que tem surpreendido algumas pessoas é o comportamento de Marco Aurélio de Melo. Eu não. Escrevi na outra casa sobre uma entrevista que ele deu na Veja em 2008. Em certo momento, falando sobre a questão do aborto e eutanásia, disse o que se segue:

Mas o STF está preparado para discutir esses assuntos?
Meu tempo na corte dura mais oito anos, quando completarei 70 anos. E tenho certeza de que ainda estarei aqui quando essas discussões acontecerem. A tendência é de uma abertura cada vez maior do Supremo em relação a esses temas. Mesmo porque outros ministros, alguns com visões mais conservadoras, se aposentarão antes de mim

Observem que não se trata do comportamento de um juiz, mas de alguém com uma causa. O papel de um ministro do STF deveria ser simplesmente de dar seu voto e deixar que a maioria decida e não querer que seu voto seja vencedor. Isso é a vaidade funcionando; ela de tão maus conselhos aos homens. Pior, se para a tese vencer, tiver que contar com a aposentadoria de ministros, que assim seja!

Parece que os ministros sabem que o voto de Peluzo será decisivo no processo. E alguns explicitamente trabalham para que não vote. No caso de Lewandowski se entende. Tófoli é outro que não me engana. Está quieto, sempre ponderado, tentando não chamar os holofotes para si para não queimar sua posição antes da hora, até porque é o de posição mais delicada devido a suas ligações com a cúpula petista. Mas Marco Aurélio, o que o move?

Uma tese que começo a formular é que o ministro sofre de um tipo perigoso de vaidade. Aquela que pretende ter razão onde todos estão errados. O desejo, consciente ou não, de ser o único que vê a luz, que consegue entender as coisas. Para esse tipo de vaidoso, ir contra a maioria é absolutamente necessário, é o que o move.

Alguns pensam que tudo é interesse, que toda ação de um homem público tem uma maquinação por trás. Na maioria das vezes eu vejo a boa e velha alma humana com todas as suas falhas. E pecados. Sim eles ainda existem apesar de toda a luta dos modernos em abolir toda a moral da face da Terra para desfrutarem da liberdade absoluta que sempre sonharam, o que é naturalmente uma ilusão pois a maior liberdade é a de submeter a uma moral!

E o pecado ronda mais fortemente homens que abrem suas almas para a vaidade, como é o caso dos 11 homens e mulheres que sentam-se naquele tribunal.

Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastesvaidade das vaidades! Tudo é vaidade.

 

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