O problema do desarmamento

Leio esta semana que o assassino da Noruega foi condenado a 21 anos de prisão e saiu rindo do tribunal. Pobre alma, ainda está longe de começar o processo de entender o que fez e se arrepender. A ignorância gera o mal, e poucos entendem o real alcance dessa frase. Mas isso é assunto para outro post.

Quando tragédias como essa acontecem, e por algum motivo são mais comuns ao norte do equador, ou pelo menos mais visíveis, começa sempre a gritaria sobre a questão do desarmamento. Se não fosse permitido ter armas, o maluquete da vez não poderia matar em massa como esse infeliz fez. A tragédia parece ser então um bom argumento para acabar com a venda legal de armas de fogo.

Há varios problemas aí. O primeiro é a falácia embutida na frase de que a ausência de venda de armas acabaria com o instrumento para que essas pessoas cometam esses crimes. A proibição de venda de armas apenas contribui para a proibição de venda de armas legais. O que é bem diferente. Parte de um princípio caro para muita gente, de que é possível o Estado regular a vida de todos nós; não é. Nem nos países de ditadura socialista isso foi possível. O Estado não é onipresente. Ele não pode estar em cada esquina impedindo uma venda de armas. Na verdade ele não consegue estar em cada esquina para simplesmente nos proteger. Vive-se numa ilusão que um sistema policial seria capaz de impedir os crimes, o que se traduz na ficção do Minority Report. Não é, nunca foi e nunca será. Sempre haverá a necessidade que nós sejamos capazes de nos proteger sozinhos ou que o cidadão do nosso lado nos ajude em nossa defesa. Com ou sem armas.

O máximo que se pode chegar na questão da proibição da venda de armas é que tornará sua obtenção mais difícil, o que é bem razoável. Mas tornará mais difícil para quem? Para o criminoso ou para o cidadão comum? Qual desses grupos teriam o número de armas reduzido?

Outra pergunta que me ocorre. Diminuindo a quantidade de armas nas mãos das pessoas comuns, a capacidade de auto defesa diminuiria. Se as forças de segurança pública são incapazes de defendê-las totalmente do jeito que está, como seriam capazes de defendê-las em uma situação de ainda mais vulnerabilidade?

Hoje temos uma situação em alguns países em que cidadãos possuem armas e bandidos também. Toda discussão e campanha de proibição de venda de armas tem como foco o primeiro grupo. Por que? Se a esmagadora maioria de criminosos compram armas ilegais, por que o foco está sempre nas armas legais?

Um argumento seria que acabando as armas legais, todas que sobrassem seriam ilegais, o que facilitaria a vida da polícia. É razoável essa tese? Há alguma evidência que dê suporte a esse argumento?

Acho que nessa discussão tem que ficar bem claro e explícito o que se está discutindo. O que não pode é vender uma coisa como se fosse outra. O que se propõe com o fim da venda de armas é exatamente isso, o fim da venda de armas e não o fim das armas. E fica a pergunta, se o que queremos é o fim das armas, principalmente nas mãos dos bandidos, como fazê-lo? Como evitar que criminosos tenham nas mãos uma arma de fogo? Talvez seja em cima dessa idéia que a sociedade tenha que debater e procurar soluções, o que sinceramente nunca vi.

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