E a vida continua, apesar de tudo

Noites de Circo (1953)

Quando nos abrimos para a vida sabemos que estamos assumindo riscos. Quem deseja amar, sabe que pode se decepcionar e muito. Se fosse nos dado o poder de decidir entre uma vida sem riscos, toda pré-determinada, sem ligações profundas para evitar as desilusões e decepções e entre uma vida em que as coisas podem dar muito certo, ou então muito errado, que a felicidade fosse uma chance, assim como a infelicidade. O que você escolheria?

O mesmo vale para a escolha da profissão. Entre uma vocação autêntica mas com alto risco de dar errado e uma profissão segura mas sem muitos atrativos, qual você escolheria? E nas amizades? E na escolha do lugar onde morar? No estilo de vida? Entre o risco e a segurança, onde você se colocaria?

Albert escolheu o risco. Seguindo o sonho de ter um circo, aventurou-se pela Suécia para tentar a sorte no sonho de sua vida. Apostou tudo, inclusive seu casamento e sua família. Depois de três anos retorna a sua cidade natal, com seu circo, praticamente falido.

Lá começa um ritual de humilhações sem fim, desde a tentativa de retorno à sua família, o diálogo com um diretor de teatro, a traição da amante e a provocação de um ator de teatro, a vida só oferece sua parte dura para Albert. Disposto a desistir de seus sonhos, busca na esposa que abandonara um tentativa de uma vida segura, mas ela o recusa. Talvez porque saiba que o desejo de Albert não é real, que aquela vida de segurança, mas insípida, não o segurará por muito tempo. Alberta é antes de tudo um homem aberto para a experiência real, uma experiência que simbolizada no próprio circo.

Noites de Circo é um filme de contrastes. O circo de Albert com o teatro, sua vida com a de sua esposa, dele com o ator que seduz Anne. Duas faces da mesma moeda, como o palhaço Frost que mostra no palco uma alegria que não tem na vida real. A segurança de que tem tudo, o desespero de quem nada tem. Como viver assim?

O filme é um dos primeiros de Ingmar Bergman e muito incompreendido quando foi lançado. O cineasta parecia não conseguir oferecer uma saída para os dilemas dos sofredores, uma esperança para uma vida de sofrimento e desilusão. No entanto, em diversos momentos Albert e Anne mostravam ser capazes de momentos de felicidade, muitas vezes pelas coisas mais banais. O circo é vida, como diz Albert a certa altura. E vida é realidade.

E por mais que as coisas pareçam sem solução, uma hora o circo tem que partir.

E a vida continua. Para Albert e para todos nós.

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