Algumas boas idéias, outras nem tanto.

Quem disse que não tem discussão?

Alberto Carlos Almeida, 2012

 

Baseado no aforisma que não se discute política, religião e futebol, Alberto Carlos Almeida se propõe a discutir exatamente isso, tendo como base os vários dados empíricos disponíveis sobre os mais variados assuntos.

Na parte política, toma como tese básica que o principal fator para eleição de um político é a avaliação do governo. A partir de uma série de dados existentes, mostra que o que aconteceu com Dilma estava longe de ser uma novidade na política brasileira. Um governo bem avaliado, e o de Lula inegavelmente era, consegue sim eleger qualquer poste.

Coloca o PT como um legítimo herdeiro da social democracia européia, cujos partidos começaram radicais e foram se alinhando na centro-esquerda quando começaram a ganhar votos e eleições. Segundo ele, o PT já ocupou esse espaço na política brasileira e de lá não mais sairá.

O maior partido de oposição, o PSDB, só tem uma saída. Assumir a posição de centro-direita, tornando-se o partido conservador que a esmagadora maioria dos seus eleitores imagina que seja. Para isso, deveria ter como maior bandeira a redução de impostos para aumento do poder aquisitivo de todos os brasileiros, justamente uma idéia que desagrada seu principal nome, o ex-candidato José Serra.

Se no campo político o livro é muito interessante de ler, no religioso é próximo de um desastre. Alberto Almeida se prende a suas próprias idéias estreitas do que seja religião e principalmente o catolicismo. O que se lê é uma coleção de clichês e desconhecimento, principalmente sobre a Idade Média. Chesterton estava certo, o pior cristão, aquele que tem a imagem mais errada da fé, é justamente aquele que se criou na margem do catolicismo. Almeida se define como católico não praticante, justamente o que Chesterton estava tentando dizer.

Por fim, o futebol não compromete, mas mostra que foi só um apêndice para justificar o título, e talvez a inclusão de sua crítica ao catolicismo.

O livro vale pela sua parte política e econômica, por evidenciar determinados aspectos das eleições e da política no Brasil. Poderia ter terminado por aí e seria um excelente livro. Como se estendeu mais do que devia, fica apenas como um bom livro.

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