O desejo de acreditar

É impressionante como acreditamos nas coisas que desejamos escutar! Basta um discurso que coincida com a nossas esperanças para que nos desarmemos e passemos a louvar que a pessoa tenha caído em si, esquecendo de um fato básico: pensamentos se refletem em ações. Muitas vezes entre o discurso e a ação, a diferença é abissal!

Por isso aprendi a duras penas não me empolgar com o que falam. Manda a prudência que aguarde um pouco para ver se os atos correspondem ao que a pessoa está dizendo.  Não raro temos surpresas desagradáveis e a ilusão se esvai com uma facilidade absurda. Isso quando queremos confrontar atos e pensamentos!

Só que o desejo de escutar aquelas palavras mágicas, de acreditar que aquele que fala é realmente quem esperamos que seja, nos faz nos afastar de qualquer confronto com a realidade. É uma recusa do real e isso traz consequências!

Por isso alguns sábios disseram que é preciso coragem para adquirir sabedoria. Muitas vezes temos que reconhecer coisas que nos doem profundamente, que não queremos ver no nosso próximo. Mas é preciso. A ilusão pode ser doce, mas ela apenas adia o momento que o véu terá que necessariamente ser retirado e a verdade ser revelada. Uma verdade que esteve evidente durante todo o tempo, mas que nós mesmos fazemos questão de não ver.

Dizem que o importante é ser feliz. Pois eu digo que ser feliz é importante, mas não é tudo. Praticamente tudo que é importante tem seus limites, inclusive morais; por isso alguém já disse que a felicidade é superestimada nos dias de hoje. E é mesmo. Em algum momento se incutiu na cabeça das pessoas que elas têm direito à felicidade. Só que felicidade não é um direito, é um estado que alcançamos e muitas vezes um que conquistamos. Divago, retome-mos o fio da meada.

A ilusão. As palavras. Muito é dito em tempos de mídia social, twitter e facebook. Cada vez mais as pessoas se acham verdadeiras filósofas, fonte de sabedoria, de amor infinito. No fundo são parentes de Rosseau. Aquele que afirmava amar a humanidade apenas para abandonar seus filhos ilegítimos na roda. Um porco narcisista. Hoje ama-se o mundo inteiro, mas não se ama quem está próximo. Esse é verdadeiro mundo doente que vivemos, o mundo da ilusão e das fantasias fulgazes. O legítimo herdeiro do iluminismo e da revolução, aquela que exaltou o homem para desumanizá-lo. Aliás, a internet permitiu levar à última consequência o que Ortega Y Gasset expôs em A Revolução das Massas.

Uma das grandes verdades não ditas é que só se ilude quem deseja ser iludido. Por isso mesmo vivemos em um mundo da ilusão e da fantasia.

Esquecemos que o véu sempre se levanta. Mesmo que no final.

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