Importância da didática

Didática do Ensino Superior

Antônio Carlos Gil

 

Esse ano comecei a dar aulas em uma universidade. Pelo que percebo, poucos professores se interessam por estudar a parte didática, principalmente na área tecnológica. Acredito que existe uma forte reação a tudo que venha da área de humanidades. Particularmente acho a pedagogia no Brasil um desastre e o resultado do nosso ensino é em parte gerado pela quantidade absurda de abobrinhas que saem das nossas faculdades, daquela salada de Piaget, Paulo Freire, Vigotti, etc. Ainda precisamos nos livrar do marxismo barato que tanto atraso gera na educação do mundo inteiro.

Revoltas a parte, sempre me interessei pelo processo do ensino como um todo. Acredito que ser professor não é simplesmente entrar em uma sala de aula e sair expondo o assunto. Acredito em planejamento, na concepção do curso, seus objetivos, as aulas, avaliação, etc. Sempre tive pela questão da didática uma relação de humildade e abertura, procurando realmente refletir e aprender coisas novas, a maioria delas bem velhas.

Esse livro de Antonio Carlos Gil atende bem essa parte. Não fica focado apenas no que acontece na sala de aula. Faz um apanhado sobre os papéis de cada um, o planejamento de ensino, como elaborar objetivos educacionais, plano de aulas, didáticas de sala de aula, avaliação, ética, etc. Seu grande mérito é chamar atenção para a complexidade que é a didática do ensino superior. Por isso mesmo cada vez fico mais convencido que uma pessoa só não consegue fazer tudo isso bem, pois cada etapa exige habilidades especiais. Um dos erros de nosso sistema (?!?) é querer que uma pessoa só, o professor, dê conta de tudo isso. Não há como. É trabalho para especialistas e por isso acredito na divisão do trabalho na educação. Alguém pensa o curso, outro elabora os planos de aula, outro pensa nas didáticas adequadas, outro faz a parte de sala de aula, um elabora provas; assim por diante. Pior que muitos professores, talvez a maioria, acredita que dividir qualquer tarefa é diminuir sua independência.

Como sempre existem pontos que discordo sempre que leio livros de pedagogia. Para começar um livro de educação que cita Paulo Freire e não sita Aristóteles tem um defeito de origem. Somos tributários do imenso trabalho que o Grego nos deixou sobre o tema, mas alguns séculos tentando destruir essa paternidade deixou suas marcas nos pedagogos, que nem imaginam o quanto devem ao mestre.

Algo que sempre me pareceu muito lógico e hoje começo a duvidar é o papel central do aluno no processo educacional. Quando penso em uma sala de aula com 50 alunos e um miserável tentando conduzir o processo da melhor forma possível, me pergunto se não tem uma coisa ilógica aí. Como se pode ter 50 centros em um grupo de 51 pessoas? Esse papel de “facilitador” de ensino cada vez me convence menos. Estou começando a refletir a partir desse ponto: será realmente o aluno o centro do processo educacional?

De qualquer forma, valeu a leitura do livro do Gil e acho que me enriqueci muito com os assuntos que abordou, embora muita coisa não tenha sido digerida como o autor talvez tenha imaginado. Paciência. Mas definitivamente é um bom guia do que está envolvido no processo de ensino superior.

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