Advertência de Paulo

Tomai cuidado para que ninguém vos escravize por vãs e enganosas especulações da “filosofia”, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo. (Colossenses 2,8)

Há algum tempo que me convenci que viver de acordo com doutrinas descoladas da realidade é uma forma de prisão mental que acaba por limitar completamente o indivíduo. A paste mais triste da revolta contra Deus é fechar nossa alma para a transcendência, nos limitar a algumas poucas teorias que procuram explicar o mundo por algumas proposições simples, e viver nessa limitação. Essa é uma doença puramente intelectual, mas que afeta todo o mundo porque se espalha como a peste, principalmente com a força da mídia moderna e da globalização. É a doença de gente como Eric Hobsbawn, Paul Krugman, Chico Buarque, Marilena Chauí, Richard Rorty, Luis Fernando Veríssimo. Essa gente é triste porque suas vidas são pequenas e limitadas.

Paulo usa a palavra escravizar pois é justamente esse o perigo que imaginava, até porque ele mesmo foi um escravo de idéias. Três foram os perigos apontados pelo apóstolo dos gentios.

O primeiro é as especulações enganosas da “filosofia”. As aspas são essenciais aqui; nada em suas cartas está sobrando. Sabia que existia uma coisa chamada filosofia e outra chamada “filosofia”. No primeiro caso, temos a reflexão sobre a condição humana e sua relação com o mundo e com Deus; na segundo, uma falsa filosofia mas que a ela se assemelha. A reflexão sobre o nada. Sobre o que não existe, sobre conceitos abstratos completamente desprovidos de fundamento e ligação com o real. Foi a armadilha que pegou a maior parte dos filósofos modernos e justamente por isso gerou sistemas vazios mas que até hoje geram discípulos seguidores, que tanto seduzem os intelectuais da modernidade.

O segundo perigo são os enganos da tradição dos homens. Esse perigo era muito conhecido de Paulo pois foi escravo justamente da tradição religiosa de seu tempo. Perseguiu Jesus e seus discípulos sem reflexão, baseado vagamente no que chamava de Lei. É o perigo de seguir qualquer coisa sem a verdadeira reflexão, de colocar a sabedoria de lado por algum código já estabelecido. O próprio Cristo foi enfático em dizer que não veio revogar a lei e sim para lhe dar entendimento e prosseguimento. Na parábola do Bom Samaritano, diante de um doutor da lei que o experimentava pergunta: o que está escrito na lei? Como lês? Esse “como lês” é fundamental! Cristo já mostrava que por mais clara que seja uma lei ela deve se interpretada. Esse é o perigo da tradição irrefletida, que perpetua as injustiça e enganos.

Por fim, o terceiro perigo, os elementos do mundo. Aqui temos o cientificismo, um dos produtos do materialismo que separa conhecimento de técnica e confunde o segundo pelo primeiro. Toda vez que alguém brada qua a ciência prova alguma coisa temos os elementos do mundo escravizando o pensamento. Aqui temos a real politics, o pensamento de Maquiavel, a recusa da possibilidade do homem superar a si mesmo e suas circunstâncias. O consumismo, esse outro produto nefasto do materialismo. As doutrinas panteístas que confundem o mundo com Deus; as religiões vazias de falso espiritualismo.

O pensamento intelectual de nossa época é em grande parte limitado pela revolta. Uma revolta que nos torna escravos pois impede a força libertadora de uma ligação com a transcendência, do entendimento que a realidade não é apenas o que podemos enxergar. Que nosso mundo é uma comunidade de almas, que já morreram, que vivem e que viverão. Que cada geração em uma responsabilidade com seu passado e com seu futuro. Tudo isso Paulo sabia; e por isso advertiu os colonossenses.

Nosso destino é ser livres, para isso temos que ter coragem de nos libertar das correntes da caverna. De seguir a luz e ver a realidade, mesmo que no início segue nossos olhos como aconteceu com o filósofo. Que a fé não pode ser sega, seja em Deus ou em sua negação. No fundo, o versículo de Paulo é um convite à reflexão, à verdadeira filosofia. Pobres intelectuais que movidos pela vaidade se deixam escravizar por falsas idéias e tanto mal fazem à humanidade. Já passou da hora de assumirem uma postura humilde e aprenderem com os verdadeiros mestres do passado, que sabiam há milhares de anos mais do que sabemos hoje; mas que foram capazes de nos deixar esse imenso legado para nos educarmos e prosseguirmos de onde pararam.

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