Eric Hobsbawn e Julien Benda

Faleceu o grande historiador inglês Eric Hobsbawn. E digo grande por sua imensa influência e talento para escrever história, o que não significa que estivesse certo na maioria de suas idéias; não estava. Talvez um dia seja objeto de um estudo sério, talvez como um dos exemplos do que Julien Benda descreveu na década de 20 como um intelectual traidor. Benda descrevia um fenômeno muito presente nos intelectuais de sua época, que traíam os grandes ideais que um intelectual deveria ter, amor á verdade, compreender o mundo, o senso moral e ético, pela prática de colocar seu talento intelectual à serviço de uma única causa: provar que está certo. Foi justamente o que Hobsbawn fez em toda sua carreira.

Convertido ao marxismo desde cedo, o historiador passou sua vida inteira tentando mostrar que detinha a verdade, que a história da humanidade é regida pela luta de classes. Lamentavelmente sua ideologia foi um limitador, as correntes do filósofo, que o impediram de sair da caverna e olhar a luz. Uma grande pena que um talento tão grande tenha sido colocado à serviço de uma causa e não utilizado para analisá-la.

O que não implica que sua obra deva ser desprezada, ao contrário. É impossível estar totalmente afastado da verdade, até porque jamais teria bagunçado a cabeça de muita gente se assim o fosse. Para conseguir a influência que teve é preciso que tenha dito muita coisa certa pois é necesária uma boa dose de verdade para que uma mentira prospere. O trabalho para um leitor sério é identificar as verdades que existem em sua obra e como pôde se equivocar tanto em suas conclusões.

O século XX inteiro foi a demonstração que o marxismo não só é um gigantesco engodo como suas consequências são a tirania e o fim da dingidade humana, gerando os maiores flagelos da humanidade, incluindo os desastres naturais!

Infelizmente, como tantos outros, Hobsbawn jamais foi capaz de fazer uma mea culpa e criticar seu próprio pensamento. Tinha todas as evidências necessárias para perceber que estava errado e exorcizar seus demônios, como fez Euclides da Cunha ao escrever Os Sertões, onde se retratava de todos os erros que escreveu durante a Campanha, como ressaltou Mario Vargas Llosa, outro que teve a humildade de reconhecer seus erros.

Hobsbawn, não. Preferiu ficar preso nas correntes da caverna. Foi um dos que mataram o filósofo.

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