Casa Velha (Machado de Assis)

Em seus primeiros livros, Machado abordou o mesmo tema em quatro diferentes obras, o da acensão social. A Mão e a Luva, Helena, Iaiá Garcia e Casa Velha retratam mulheres que por obra do destino passam a conviver em um extrato social a que não pertencem. O escritor tentava exorcizar seus demônios como conta Lucia Miguel Pereira em sua indispensável biografia de Machado. 

Machado teria abandonado sua boa madrasta, Maria Inês, ao casar-se com Carolina e entrar definitivamente na burguesia carioca. A partir de sua própria experiência, teria explorado os problemas da súbita mudança de classe social em quatro personagens femininas, nos quatro livros citados.

Em Casa Velha, a estória é contada por um padre, que teria começado a frequentar a vida de uma família de classe alta para escrever um livro sobre o primeiro reinado. O patriarca, ex-deputado, deixara uma viúva e um filho, Félix. Junto à família, vivia Lalau, A moça era orfã de dois agregados da família e vivia com uma tia. A estória do romance é o amor entre Félix e Lalau, oposto pela matriarca, Dona Antônia, que apesar de ter grande estima pela menina não a queria casada com seu filho.

Para afastá-los, ela inventa que ambos seriam irmãos, fruto de um relacionamento do ex-deputado. Era mentira, mas que geraria consequências como todo plano supostamente perfeito. O narrador revela-se um grande intrometido, pensando saber mais do que realmente sabia, virando instrumento nas mãos de D Antônia. Na verdade, fica insinuado que ele próprio estaria interessado em casá-la com Félix para livrar-se da tentação que começava a consumi-lo. Veja o que o padre narra após uma conversa entre ele e Lalau:

Quis retê-la, mas a palavra não alcançou nada, e eu não podia pegar-lhe nas mãos. Deixei-a ir, e voltei às minhas notas. Elas é que não voltaram a mim, por mais que tentasse buscá-las e transcrevê-las.

Casa Velha mostra os problemas de uma moça de boa índole para entrar em uma família curiosamente também de boa índole. Não há vilões na estória, nem mesmo D Antônia, que recebe seu castigo pela mentira que plantou. No fim, é Lalau que revela o orgulho próprio e decide a questão, permitindo que todos toquem a frente suas vidas, inclusive o padre impertinente.

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