Carmen (Prosper Mérimée)

Carmen é mais conhecida pela ópera de Bizet, que acabou ofuscando o pequeno romance de Mérimée.

Percebe-se que a adaptação é bem livre, preservando apenas o núcleo central da estória, o romance entre Carmen e Don José, e seus personagens centrais. Só que também há diferencas mais profundas como o caráter de Don José, aqui bem menos romântico e mais passional, o que justifica mais o final da estória.

Interessante também que, a meneira das tragédias gregas, especialmente Édipo, primeiro ficamos conhecendo Don José e somente depois, em flashback, ficamos sabendo da estória da cigana Carmen, que trabalhava para preparar o terreno para contrabantistas e saqueadores.

O romance mostra que Bizet cometeu algumas inconsistências em sua adaptação, como colocar a cigana como empregada de uma fábrica de cigarros ou o próprio personagem excessivamente ingênuo de Don José, conforme comentado. O romance, bem mais conciso, se concentra nas partes principais como no relacionamento de de um homem fraco em sua vontade de fazer a coisa certa e uma mulher inconstante e intensa, capaz de tirar um homem desta natureza de seu caminho.

Mérimée consegue um bom resultado e uma obra que vale a pena conhecer, mais uma destas que nos desvenda as nuances da existência humana, qualidade essencial de um bom romance.

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