Bill Graham Presents

My Life Inside Rock and Out

Bill Graham foi um destes personagens únicos na história do rock. Praticamente definiu os parâmetros do que deveria ser um show, criando as lendárias casas do Fillmore, West e East, e de Winterland, onde o Band fez seu último show completo. Esteve a frente do Live Aid, turnê dos Stones, Mick Jagger, CSNY e Santana e participou dos grandes eventos da era de ouro do rock. Morreu em um desastre de helicóptero, em 1991, quando começou a perder o controle sobre o negócio que fez tanto para estabelecer.

O livro é um apanhado de depoimentos que mostram os bastidores da relação entre um produtor, agentes, público e principalmente os artistas. É interessante como a coisa evoluiu e, principalmente, se profissionalizou. Aos poucos os artistas foram se cercando de gigantescas estruras que os tornavam praticamente inacescíveis para qualquer um fora do seu círculo íntimo.

Egos gigantescos se chocam o tempo todo. Algumas vezes as bandas estão sabendo exatamente o que seus agentes estão fazendo; outras, não. A grande maioria tem a consciência que está em um negócio, extremamente lucrativo quando se acerta, outros não. E tem de tudo. Desde boas pessoas ganhando sua vida como verdadeiros idiotas. É impossível não sentir o sofrimento de Graham e sua turma com os abusos da turma do Led Zeppelin, especialmente Peter Grant, que está mais para gangster do que para um agente. Sem tirar a responsabilidade da própria banda, especialmente Page e Bonham.

Há capítulos especiais para o Last Waltz, Live Aid, o show na União Soviética, o verão do amor, a tour dos Stones em 1981. Conversas impagáveis de Graham com Robbie Robertson, Keith Richards, Mick Jagger, Bod Dylan. E muita negociação nos detalhes de cada espetáculo até chegar à apresentação do artista, que Bill soube vender como ninguém.

Certamente Bill não era nenhum santo, mas de certa forma boa parte do romantismo do rock morreu com seu acidente em 1991. De pequenos clubes, passando por casas maiores como o próprio Fillmore, até chegar nos grandes estádios, o rock saiu do underground para liderar a indústria do entretenimento, como pode se perceber pelas turnês recentes de Rolling Stones, U2 e AC/DC. Estádios abarrotados e grande parte do público longe do palco, assistindo praticamente por telões, algo que Bill sempre lamentou.

Um livro para os amantes do rock entender um pouco mais o que acontece nos bastidores, e que seus ídolos nem sempre são os santos e descompromissados que parecem à primeira vista. E que os egos são realmente gigantescos.

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