Cries and Whispers (1972)

Uma reflexão sobre a morte

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Esperando o inevitável

A morte é sempre um acontecimento marcante em nossas vidas, basta ver como uma morte distante é capaz de causar comoção em pessoas que não possuem a menor relação com aquela que está partindo. Quando ocorre na família, esta se transforma, nunca mais é a mesma. Ainda mais quando esta morte é consequência de uma longa doença, como o câncer.

Agnes está morrendo. Suas irmãs Karin e Maria, e a criada Anna, se revezam para cuidar dela em uma antiga mansão da família, no início do século XX. As imagens que Ingmar Bergman produz são intensas. Com pouquíssimos diálogos, pelo menos na primeira metade do filme, vamos conhecendo os personagens por suas expressões e atos. Aos poucos, por flashbacks, vamos conhecendo alguns segredos da família, que começam a surgir diante do inevitável.

Sim, a morte tem este poder. Trazer à tona segredos e principalmente ressentimentos que há muito estão escondidos. À medida que ela se aproxima, os sentimentos ficam mais intensos, prontos para explodir. Amores, traição, inveja, erotismo, loucura, tudo pronto para transbordar. Segredos que machucam, que não podem ficar retidos por muito tempo. E culpa. Muita culpa.

Bergman nos apresenta um espetáculo que parece ter sido tirado das páginas de Tcheckov. A morte é nossa única certeza e mesmo assim é capaz de causar tamanho impacto nas pessoas, particularmente nas mais próximas. Karin, Maria e Anna são testemunhas do sofrimento de Agnes, e convivem silenciosamente, entre sussurros, com os gritos de dor de quem está próximo de partir.

Um filme intenso e inquietante, com momentos perturbadores, que nos convida a refletir sobre como aproveitamos a dádiva da vida, pois ela pode nos ser tirada a qualquer momento. De forma rápida ou como Agnes, em lenta agonia. Um belo filme, sob todos os aspectos.

 

Quote:

Karin: [to Maria] You look so disconcerted. You thought our talk would be different, didn’t you? Do you realize I hate you and how foolish I find your insipid smile and your idiotic flirtatiousness?
[exhales]
Karin: How have I managed to tolerate you so long and not say anything? I know of what you’re made – with your empty caresses and your false laughter. Can you conceive how anyone can live with so much hate as has been my burden? There’s no relief, no charity, no help! There is nothing. Do you understand? Nothing can escape me for I see all!

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