Tour pelo Brasil!

Finalmente minha mudança deu sinal de vida! Já chegou em Vicksburg e estará sendo entregue amanhã ou sábado. Só vai dar tempo para receber mesmo pois na madrugada do domingo estaremos seguindo para o casamento do meu cunhado no Brasil. Uma pequena tour de uma semana onde passaremos dois dias em Brasília e o restante em Curitiba. Vai ser uma canseira!

Só para ter uma idéia faremos o percurso Jackson – Dallas – Miami – Manaus – Brasília, chegando na capital da corrupção, quer dizer, federal na segunda as nove da manhã! Só o bagaço!

Aproveitaremos dois dias em Brasília para rever os amigos e dar entrada em um processo na Embaixada Italiana. Na quarta, proa apontada para Curitiba para os preparativos e casamento no sábado. As meninas serão daminhas, o que significa que estamos levando na bagagem os vestidos e sapatos, além da nossa roupa para o casamento. Isso se eu lembrei de colocar meu terno na mudança que está chegando, o que não garanto!

Enfim, depois de dois meses e meio de States, vamos dar uma passadinha na terrinha. Tudo muito corrido, mas é assim mesmo. A gente descansa quando voltar.

 

54 pontos em uma partida!

Não e todo dia que um jogador de basquete faz 54 pontos em uma partida, e sem prorrogação!

O feito não foi de Lebron ou Durant, ou mesmo Bryant. Foi de Stephen Curry, do Golden State Warriors. Só de 3 pontos foram 11 arremessos certeiros em 13 tentativas! No fim do jogo o New York estava dobrando a marcação em cima dele a 3 passos do garrafão, nunca vi isso!

Infelizmente o Warriors acabou perdendo para o bom time do Knicks, mas foi algo mágico de se ver. Um dos grandes momentos da temporada.

Two Lovers (2008)

E agora?
E agora?

O amor pode ser um negócio bastante complicado, mas pode não ser também; na maioria das vezes somos nós que complicamos tudo, como mostra o belo filme de James Gray. Nas cinzas da desilusão pode surgir a oportunidade de nos abrirmos para o amor verdadeiro, aquele que nos conecta ao invés de nos afastar. Muitas vezes, neste processo, temos que matar a ilusão do amor chamado romântico, tão supervalorizado na obra poética em seu sentido amplo. Normalmente este amor é associado como arrebatamento, com a perda da razão e concentração exclusiva no ser amado. Que este amor tenha recebido o título de romântico é um dos mistérios da humanidade e já rendeu excelente literatura, como de uma certa virgem inglesa.

Joaquin Phoenix vive o papel de Leonard, um rapaz que tenta recompor a vida após uma série de problemas não retratados no filme, excetuando a referência ao abandono pela ex-noiva. Já tentou o suicídio algumas vezes, mas parece que se arrepende no momento final. Vive com os pais no Brooklin e trabalha na loja da família.

Ao mesmo tempo, como muitas vezes acontece, ele se vê envolvido com duas mulheres. Sandra é a filha de um casal judeu, amigo de seus pais. É uma moça centrada, uma aposta segura para uma vida a dois. Michelle, a vizinha, é uma linda mulher tão confusa quanto ele. Vive em um apartamento pago pelo namorado, um homem casado, e o relacionamento entre eles está chegando a um ponto de ruptura. Leonard gosta de Sandra, mas é Michelle que o arrebata.

Desde o princípio se desafia o lugar comum. Os pais de Leonard procuram dar todo o apoio para que se recupere da depressão e seja feliz. Os pais de Sandra, assim como ela, sabem de sua condição, mas o aceitam assim mesmo. Sua atitude nunca é de revolta com seus pais, mas de carinho e consideração. Até o namorado casado de Michelle não é o que retrata normalmente nos filmes. Em resumo, são pessoas normais tentando superar seus problemas e serem felizes.

James Gray ensina que o verdadeiro amor pode, e muitas vezes surge, das cinzas da desilusão de um amor do tipo romântico, daqueles que se diz que não se pode viver se não der certo. Sim, o sofrimento pode ser intenso, e se prolongar para uma depressão, mas pode liquidar de uma vez por todas um certo desejo que pode terminar por fechar a pessoa para um relacionamento sincero e de pretensões bem mais humildes, pelo menos em seu início. A idéia é de crescer no amor e não começar pelo pico, de aprender a amar e se deixar ser amado.

Um belo filme que se afasta dos estereótipos e se aproxima mais da vida real. Um filme que me tocou por ter vivido situação parecida, assim como já vi de muitos amigos também. São os mortos que matam os vivos, já ensinava Ésquilo em uma de suas peças. É preciso muitas vezes deixar o passado em seu lugar, em nossas lembranças, e não interferindo em nosso futuro. Somente assim pode surgir, no meio das ruínas, a promessa de um verdadeiro recomeço.

Notícias da segunda

Sequestration

Vai pegar fogo esta semana o debate no Congresso sobre o tal do Sequestration. Ano passado, para resolver o impasse sobre autorização para aumento na dívida, a Casa Branca veio com uma solução mágica. O aumento seria autorizado mas haveria um prazo para que se chegasse a um acordo sobre os cortes, caso contrário o corte seria feito em todo o orçamento, horizontalmente. Pois o prazo termina sexta e não se chegou a nenhum acordo. Agora a própria casa branca joga pedras sobre a solução que ela mesma apresentou e quer jogar no colo dos republicanos os custos políticos da tal redução.
O primeiro problema é que a tal redução não é na verdade uma redução, como explica este editorial do Times. Não aquela porcaria de NY, mas o de Washington. O corte seria feito sobre o aumento dos gastos e não sobre o valor atual deles. Isso significa que na próxima década, ao invés de gastar 7 trilhões a mais do que arrecada, o governo só poderia gastar 5,8 trilhões a mais. Alguém consegue me explicar como resolver um problema de dívida apenas diminuindo o ritmo de gastos acima do orçamento? Imagina se uma pessoa endividada seguisse este caminho… mas ela não pode imprimir dinheiro não é?
Oscars
Também estava na mídia um monte de discussões inúteis sobre a noite de ontem. Sobre os vencedores e perdedores? Nada disso. Só vi discussões sobre a apresentação de Seth McFarlane, a apresentação musical sobre os “boobs”, os melhores e piores vestidos, o colar da Helen Hunt avaliado em 700 mil dóllares (é muita alienação!) e sobre o modelo da festa. Particularmente gostei do Seth, não vi a tal dança, não reparei nos vestidos e acho que o oscar ficou em boas mãos com Affleck, que merecia também o de diretor. E que Daniel Day Lewis ainda tem que comer muita grama para chegar em Trintgnant.
Nascar
Mais uma acidente na Nascar, desta vez ferindo 28 pessoas na platéia. Um deles, tremendo com o celular mostrando imagens do acidente, disse que estava assustado mas que voltaria no mesmo lugar no ano que vem. Resume tudo.

Poesia na Lorelei Books

Uma das coisas interessantes aqui em Vicksburg é conhecer o comércio familiar, aqueles pequenos negócios que o próprio dono toca diretamente, inclusive fazendo o atendimento. Um desses lugares é a Lorelei Books, uma pequena e simpática livraria que fica na rua principal, a Washington Street.

Laura e seu marido mudaram para Vicksburg há cerca de 8 anos, vindo da Virgínia. Compraram o espaço da livraria e montaram sua casa no segundo andar. Normalmente vamos lá uma vez por semana e sempre conversamos um pouco.

Esta semana ela nos convidou para um evento exclusivo em sua casa, após o fechamento da livraria. Duas poetisas da região iriam ler alguns poemas e autografar o livro que estavam lançando.

Foi uma noite muito interessante onde não só conhecemos um pouco mais os donos da livraria como também tivemos oportunidade de escutar boa poesia e conversar um pouco com as poetizas.

Lenore Weiss é filha de imigrantes húngaros judeus. Viveu a maior parte de sua vida adulta em Ockland e recentemente se mudou para Monroe, 80 milhas daqui. Pelo que percebi está se reconectando à sua herança judaica, inclusive estudando hebreu. Uma das poesias que leu, falando da experiência de morar ao lado de um hospital e se acostumar com o movimento e barulhos de ambulâncias indo e vindo, faz uma ligação justamente com esta herança.

So do you believe that the villagers living outside
Dachau and Auschwitz gradually ceased
to hear each train groaning into the station?
or did they listen, like me,
then go about their business?

A outra poetisa, Melinda Palacio, também é descendente de imigrantes, mas no seu caso trata-se de imigrantes latinos. Nascida na Califórnia, também se mudou recentemente, para New orleans. Seus temas abordam justamente a mistura cultural do seu estado natal, onde imigrantes mexicanos e americanos convivem lado a lado, muitas vezes sem se misturar ou entender uns aos outros.

Keep your red cowboy boots, your tattoo of the Virgen de Guadalupe,
your mother’s huipil.
When did you become so afraid of being alone?

Comprei os dois livros e coloquei na fila. Sempre estou lendo um livro de poesia, no momento estou com uma coletânea do T. S. Elliot. Elas entraram na fila.

Argo (2012)

Sentimento do Dever

Nos dias de hoje, onde o relativismo domina a cultura, é difícil pensar que um grupo de homens possa se basear apenas pelo sentimento do dever. Homens tão díspares como um agente da Cia, um embaixador canadense, diretores de Hollywood e até mesmo uma criada iraniana. Estamos tão acostumados a pensar em benefícios pessoais que a idéia de que alguém possa colocar este sentimento acima da própria segurança pessoal parece absurdo, quase que um conto de fadas.

Argo retrata exatamente isso. Seguindo a eclosão da revolução iraniana, e a crise dos reféns americanos, um grupo de 6 funcionários da embaixada conseguem fugir sem serem notados e se refugiam na casa do embaixador canadense. O problema do governo americano é como tirá-los do Irã antes que sejam descobertos.

Uma improvável reunião
Uma improvável reunião

Um agente da Cia, especialista em exfiltrações, tem que bolar um plano em tempo recorde para tirá-los de lá. Mas como justificar um grupo de 6 americanos saindo de um país como o Irã no meio daquela crise? Assistindo um filme do Planeta dos Macacos surge a solução: produtores de filmes de ficção científica estão sempre a procura de lugares desérticos para fazerem suas cenas. Uma equipe de filmagens canadense iria ao Irã para buscar locações para a nova produção.

Dessa forma, em tempo recorde, recorrendo a duas figuras de Hollywood  Tony Mendez, o agente, tem que montar a estória de cobertura, o roteiro do filme, conseguir convencer a imprensa americana que o filme é real, lança-lo, montar o escritório do filme e se mandar para o Irã, no papel do produtor do filme. Chegando lá tem dois dias no máximo para que os 6 americanos decorem seus papéis e consigam passar pelas barreiras do aeroporto para sair do país.

Se na primeira metade do filme o diretor Ben Affleck faz um excelente trabalho com a preparação do plano, com um humor refinado e uma crítica mordaz à indústria do cinema, especialmente produtores e diretores, no segundo se supera entregando um suspense de primeira qualidade, deixando o espectador roendo as unhas. Partindo de uma estória real, colocando a romantização nos pontos certos, para acentuar o suspense, Affleck dá aula para os  diretores que acham que um filme deve ter tiroteios e perseguições para ter emoção. A única perseguição do filme leva alguns segundos e é de improvável sucesso. O restante é apenas nos diálogos e nas situações apresentadas.

Outro grande mérito de Affleck é não ter acentuado o heroísmo de seu personagem, o agente. Na hora da verdade ele pouco faz, quem assume a situação são justamente os apavorados diplomatas, buscando aquela inspiração que não se sabe de onde surge nos momentos mais tensos.

O filme tem o tom certo e praticamente não tem exageros, apenas uma estória muito bem contada e que faz um dos papéis do cinema, prender atenção do público. Além de criar boas imagens para o nosso imaginário sobre a revolução iraniana, sem tomar qualquer partido crítico a respeito. A crítica de Affleck à indústria de Hollywood lhe custou o Oscar. Seu filme é favorito hoje mas ele não foi sequer indicado, algo muito raro de acontecer. Revela mais sobre Hollywood do que o próprio Affleck.

Argo é um excelente filme baseado no sentimento do dever que toneladas de pessoas possuem em todos os países e que é tão desprezado pelos filmes sérios de Hollywood, que sempre procura uma motivação pessoal para seus heróis. Apenas os filmes de ação conseguem entregar filmes que ressaltam este sentimento. Parabéns Affleck, um notório liberal, por colocar um pouco sua ideologia de lado e nos presentear com este excelente filme baseado em valores tão caros a um espírito conservador.

Rerum Novarum

Rerum Novarum foi a encíclica que apresentou a doutrina social da Igreja Católica para a modernidade, divulgada em 1891. Mais do que uma visão econômica, tratava-se de uma visão abrangente dos novos desafios que os principais atores da sociedade moderna teriam que superar para promover uma sociedade mais justa e harmônica.

Neste artigo eu apresento a encíclica e comento suas principais passagens.

A preocupação da Igreja era com a substituição das cooperativas de operários pelas fábricas modernas. Desta forma, havia uma concentração da propriedade nas mãos de poucos e a distribuição de riquezas era uma consequência da perda da autonomia dos trabalhadores. Ao invés de tratar das riquezas, a encíclica faz uma defesa enfática da distribuição da propriedade. O salário não podia ser um instrumento de opressão e escravidão para o homem.

A encíclica rejeita o dogma da luta de classes marxista e defende o oposto, a conciliação de classes. Tratando de trabalho e capital, ambos precisam um do outro, ou seja, o capital precisa do trabalho e o trabalho precisa do capital. O patrão precisa dos trabalhadores e os trabalhadores precisam dos patrões. Desta forma, há direitos e deveres em ambas as partes.

Estes direitos e deveres só encontram seu verdadeiro alcance com base na ética e moral religiosa, no espírito de fraternidade que pode ser resumida na virtude da caridade.

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