Reflexão sobre o estado atual do jornalismo brasileiro

As últimas semanas de Hugo Chávez evidenciaram a miséria do nosso jornalismo. Quase sem exceção, nossa mídia se limitou a reproduzir a palavra oficial do governo venezuelando, que tem aquele grau de confiabilidade que a gente conhece.

Vejam a situação. Um importante líder político do continente é tratado de câncer em absoluto segredo de estado em Cuba. Há indícios que esteja bem pior do que se anuncial, ou mesmo morto. O presidente em exercício assumiu em condições flagrantemente ilegais, fraudando a constituição que eles próprio fizeram.

Uma pauta e tanto para o jornalismo investigativo, certo? Não para a nossa imprensa amestrada. Durante todo este período não tivemos um furo de reportagem, uma jornalista que se dingasse a tentar furar o bloqueio venezuelano e descobrir a real situação do bufão de Caracas. Eles sabiam muito bem que o circo armado pelo chavismo era falso como uma nota de 3 reais, mas agiram como se o assunto fosse sem importância.

Coube a um blogueiro independente de Santa Catarina, o excelente Aluizio Amorim, furar esta espiral do silêncio ao dar voz a um médico venezuelano exilado em Miami, que por sua vez tinha uma fonte equipe médica que tratava o ditador. Pois se provou que o médico estava certo, acertando inclusive quando se daria a morte.

A regressão da imprensa brasileira é um dos maiores danos que o petismo causou à democracia brasileira. As poucas vozes dissonantes já estão sendo francamente hostilizadas, sob silêncio cúmplice e aplausos de pura inveja de companheiros de profissão que não aprenderam nada com a história e parecem ignorar o destino que aguarda a todos eles, inclusive os mais entusiastas desse estado de coisas.

A liberdade de opinião é uma condição necessária para um regime democrático. Ela está em perigo e parte da ameaça vem dos próprios jornalistas, que preferem estar certos do que buscar a verdade, configurando uma das consequências da traição dos intelectuais, conforme descrito por Julian Benda.

Estou chamando-os de intelectuais? De mogo algum. Em uma situação de normalidade a classe jornalística seria inspirada pelos intelectuais autênticos, tendo-os como referência. No mundo de hoje os falsos intelectuais, nas cátedras mantidas pelos governos, são influenciados pelos jornalistas e buscam seus aplausos em evidente inversão de valores.

O resultado é o que estamos vendo. A democracia não tem como sobreviver muito tempo em um ambiente desses, como veremos mais cedo do que imaginamos.

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