Mr Smith Goes to Washington (1939)

As instituições, por melhores que sejam, não funcionam sozinhas. São preciso homens para conduzi-las e mais que isso, é preciso uma base moral para que funcionem adequadamente. É o que Frank Capra mostra em Mr. Smith Goes to Washington.

Com a morte de um senador, o governador deve indicar seu substituto. O problema é que uma importante votação se aproxima a respeito da aprovação de uma represa, que interessa pessoalmente o homem que está por trás tanto do governador quanto do outro senador do estado. Trata-se do milionário Jim Taylor.

Capra já mostrava que mais do que votos, o dinheiro de empresários bancava a reeleição dos políticos. Um dos personagens diz no filme: confiar em quem na reeleição? No povo? Metade dele nem quer saber de votar! Assusta-me que a imagem mostrada no filme não diferencie muito do que vemos hoje, especialmente no Brasil, que tão bem conhecemos.

Mais do que a história de Jefferson Smith, o inocente idealista que é indicado pelo governador por ser aparentemente mais fácil de manobrar, o filme é a história do senador Joseph Paine, um homem honesto que vinte anos atrás aceitou a barganha de Taylor, a reeleição garantida por toda a vida em troca de alguns favores especiais.

Seria fácil mostrar Taylor como um mau caráter, mas o caminho que Capra escolhe é mostrar um homem atormentado por sua escolha, que realmente trabalha pelos interesses do seu estado e seu povo, pelo menos na maioria das vezes. No fundo Paine é um homem fraco, que coloca seus ideais em segundo plano. É o questionamento que muitos políticos enfrentam ao longo da vida, até onde pode-se transgredir um princípio para conseguir estar em posição de ajudar alguém?

Smith é o catalizador, é o homem que com toda sua fé em Paine coloca o velho político diante de seus demônios, e de suas escolhas. O filme cresce em dramaticidade na parte final, onde um incansável Smith tenta lembrar seus pares que é preciso homens com bom senso e moralidade para fazer as instituições funcionarem. Nenhum sistema, por melhor que seja concebido, consegue sobreviver sem este suporte moral. Inclusive a democracia em seu sentido mais amplo.

Que um filme da década de 30 continue tão atual revela que mais do que retratar uma época, Capra foi profético. O que antes era talvez uma exceção, hoje se transformou em uma regra, para a tristeza de todos nós.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s