Lendo Ratzinger

Estou lendo Fé, Verdade e Tolerância de Joseph Ratzinger, mais conhecido como Bento XVI. Eu ignorava a quantidade de pessoas que não conhecia o nome do papa emérito.  Normalmente eu uso Ratzinger quando me refiro a ele antes de se tornar papa. De qualquer forma, antes do pontificado, ele se consolidou como um intelectual católico de primeira grandeza.

O livro trata da relação entre o cristianismo e as grandes religiões do mundo. Estou na segunda parte do livro onde ele trata da questão da razão e levanta uma questão que talvez explique minha implicância com a filosofia moderna. Para ele, a maior razão da decadência atual foi a auto-limitação da razão.

Vejo esta limitação em dois sentidos principais. De um lado, a razão recusou-se a ir onde a fé estava. De outro, limitou-se pela experimentação, pelo que chamamos de ciência. Em outras palavras, a filosofia foi colocada em uma prisão mental em que assuntos de fé e tudo que não poderia ser experimentado pela ciência não poderia ser objeto do conhecimento racional.

Mas quem disse que a fé não pode ser alcançada pela razão? Quem disse que o que não pode ser experimentado pela ciência não pode ser conhecido?

Quando Kant concebeu que apenas as aparências poderia ser conhecidas pela razão, ele diminuiu o mundo e o homem. Nos limitou ainda mais do que pede nossa pobre natureza. Criou uma caixa preta impenetrável, exceto pela fé.

Ratzinger é muito claro, e surpreendente para muitos, quando diz que a religião sem a razão se torna uma patologia. Assim como a ciência. Fé e a razão precisam caminhar juntos e a ciência é uma parte importante da razão e não sua concorrente! Ele nada mais faz do que apelar para um dos maiores filósofos que já viveram no nosso pobre planeta, São Tomás de Aquino. Fé e razão devem necessariamente caminhar juntas para que alcancemos a verdade. Se existem limites para nossa razão, e nossa imperfeição aponta que sim, não significa que devemos renunciar a usá-la. Todo o sentido da filosofia está nesta questão, devemos procurar a verdade! Usando toda a nossa capacidade racional e sem nos limitarmos previamente.

Deixemos que a realidade nos limite, apresentando todas as dificuldades para que possamos superá-las, uma a uma. Temos a eternidade para fazer este trabalho.

E Kant que vá plantar batatas!

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2 comentários sobre “Lendo Ratzinger

  1. Fé sem razão é demência. Razão sem fé é deprimente. Resolvi anunciar essas verdades ao mundo, talvez funde um igreja… Vai que fico rycah?
    É preciso haver equilíbrio. Vou ali fritar umas batatas na água (é possível) e já volto. Ah, escrevi sobre o tema casamento (gay ou não)… quando puder leia, ficou grande demais para deixar como mera resposta aqui, por isso transformei em post.
    Cadê meu texto pro gaiola?

  2. Razão sem fé é mais que deprimente, é perigoso! Basta ver com o que alguns geneticistas estão brincando.

    Texto para a gaiola será trabalhado no fim de semana. Prometo!

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