Um breve conto sobre uma funcionária pública de coragem

Era uma vez uma funcionária pública de Brasília. Juntamente com algumas amigas passou a desenvolver um pequeno negócio, de natureza artística. Não ganhavam muito, mas o prazer que tinham em trabalhar com o que realmente gosta mais que compensava.

Imagem Site Concurso

Um dia ela resolveu largar o emprego e se dedicar inteiramente ao que antes era apenas um hobby. Confessa que um dos motivos para sua decisão foi constatar que vários colegas na repartição falavam o tempo todo de seus planos para quando se aposentassem. Segundo eles, finalmente poderiam fazer o que realmente gostavam. Foi quando caiu a ficha:
 
_ Percebi que não queria aquilo para mim. Minha vida está acontecendo agora, não posso ficar pensando que só vou começa-la daqui a alguns anos. Ela está acontecendo neste instante!
 
Tomou coragem e largou o emprego público com sua segurança e salário. O mais interessante é que muitos clientes, depois que estabeleciam uma relação de amizade pois sua atividade também envolve cursos, passaram a perguntar: por que ela não fazia um concurso?
 
Pobre país onde o maior sonho para quem tem capacidade é fazer um concurso público! Vejam que para muitos o concurso público não é a porta de entrada para uma carreira, é o objetivo final! Passar no concurso, qualquer que seja, é a meta de vida. Depois? Bem, depois a gente vê!
 
Dois exércitos se formam.
 
O primeiro lota o mastodonte estado brasileiro. Passam algumas horas diárias tentanto fazer o tempo passar mais depressa pois no fundo tem pouco ou nenhum interesse pelo que fazem. Não conseguem imaginar como seria seus dias sem acesso à internet ou um smartphone para usar o facebook ou twitter. É fácil constatar, basta ficar atento ao local do cafezinho. Estão sempre falando dos planos para as férias ou projetos para a aposentadoria, muitas vezes contando os anos. Não se trata de contar dias, mas de contar anos! Já escutei gente fazendo planos para o que vai fazer quando se aposentar daqui a vinte anos! Muitas vezes estão pensando no próximo concurso, que paga um salário bem melhor. Não raro usam seu tempo no serviço para estudar para outro concurso.
 
O outro exército está lotando os cursinhos espalhados pelo Brasil, muitos à distância. Já é quase uma profissão, os concurseiros. Li em algum lugar que em média um concursado passa no 13º concurso. Imagino que signifique uns 3 ou 4 anos estudando. Esta estatística, como todas, engana. Refere-se apenas aos que passam, e quantos não conseguem? Quantos perdem anos preciosos para depois desistir, sem esperanças? Quanto custa  para nossa sociedade toda esta gente estudando para provas que pouco ou nenhuma relação têm com o cargo que exercerão?
 
Vi uma ementa de concurso para banda de música, destas que desfilam e tocam em solenidades, que exigia trigonometria e logarítmos. O que diabos um tocador de tuba vai fazer com senos e cossenos? Não precisa ser muito inteligente para perceber que a prova serve apenas para entrar no paraíso, que como as nossas utopias terrestres parece mais bonito visto de fora do que de dentro. 
 
Alguém já me replicou que pelo menos estas pessoas estão estudando. Será mesmo? Pode se chamar de educação um conjunto de memorizações inúteis, leituras dinâmicas e macetes de cursinho? Pior, com o ENEM e provas afim a dinâmica do concurso público foi enfiado ainda mais dentro da escola, que já não ensina grande coisa, diga-se de passagem! É o fim da picada que o esquema de  cursinho já comece no primeiro grau.
 
O economista José Munir Nasser, falecido recentemente, gostava de falar sobre o padre Ivan Illich, que argumentava que existia um gigantesco hiato entre ensino e educação. Entendia o primeiro como a escola formal que conhecemos, onde professores e alunos se encontram em uma instituição, aulas são dadas, provas realizadas e ao final o aluno recebe diploma, seu objetivo principal. Na verdade este papel era um senha para entrar em um grupo que poderia almejar cargos específicos. Alguém consegue imaginar porque um lixeiro precisa do segundo grau completo além de diminuir o número de candidatos para permitir a seleção? Já pegaram uma prova de soldado da PM do Rio para fazer? Mais difícil que muito vestibular que tem por aí. Alguém já definiu que a escola é um lugar em que o conhecimento passa dos livros didáticos para o caderno do aluno sem passar pelo cérebro nem do professor e muito menos do aluno.
 
Claro que pode haver alguma educação neste processo. A sorte pode colocar um bom professor diante de um aluno que quer aprender. Mas quantas vezes isso acontece? Qual é a regra e qual é a exceção? 
 
Educação, como entendia o padre Illich, só acontece quando o aluno efetivamente quer conhecer e usa todos os instrumentos a seu alcance para tal, por vezes até um professor. 
 
Voltando ao tema depois desta digressão, é altamente questionável que o estudo para um concurso público possa ser chamado de educação sem denegrir a substância do que seja educação. Na maioria das vezes, o tempo dedicado ao concurso é tempo perdido mesmo, independente se o candidato será aprovado ou não. 
 
Quanto custa para uma sociedade que as pessoas deixem de seguir suas vocações pessoais para se submeter a um cargo em troca de estabilidade e melhores salários? Quanto custa para esta mesma pessoa as 40 horas semanais fazendo algo que não gosta e, em muitos casos, detesta? Qual o sentido de alguém se formar em biblioteconomia, por que é um vestibular fácil e curso mais rápido, apenas para ter um diploma de terceiro grau para poder concorrer a determinados cargos? Já pararam para pensar no absurdo que é fazer um concurso público para… espião? Alguém consegue imaginar um país que monte sua agência de espionagem por concurso público?
 
Sou funcionário público e felizmente posso dizer que gosto do que faço, que segui o que considerava uma vocação. Até porque estou em uma área do funcionalismo conhecida pelos baixos salários (na verdade derrubamos o salário médio do segmento ajudando a enganar a população). Muitos que entraram comigo fizeram outros concursos e se mandaram em busca de melhores salários. Outros tentam até hoje. Os dois únicos concursos que fiz foram internos e me fecharam mais portas do que abriram, mas esta é outra estória. O importante é que dinheiro pode trazer felicidade, mas quando resultado de um projeto pessoal, de realização de nossas próprias potencialdiades. Tratar salário como prêmio pelo sacrifício de trabalhar me parece uma escolha rasa, muitas vezes um caminho para a infelicidade. Tenho amigos que estão com sérios problemas de depressão e não entendem o porquê.
 
O caso que contei no início foi verdadeiro. Aconteceu mesmo. Uma mulher trocou o sonhado emprego público por um modesto negócio mas que lhe dá prazer. Fiquei muito feliz em saber esta estória e espero que de tudo certo para ela, até agora está dando! Ela colocou sua realização pessoal acima de seu medo e até mesmo conforto. Exige coragem e ela tem meus aplausos.
 
É bom ter esperanças que algum dia esta situação possa mudar e tenhamos uma sociedade mais harmônica e solidária. Para benefício de todos.
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Alterações no blog

Sei que o blog parece meio devagar nos últimos dias, mas é que estou trabalhando em algumas alterações há umas três semanas. Como tempo para todo mundo é um dos recursos mais escassos da vida moderna, alguma coisa tem que ser sacrificada.

Pretendo até o fim de semana apresentar as novidades.

até!

O bicho pegou!

A coisa está feia aqui na terra do tio Sam.

A revelação que o leão estava fazendo um pente fino nos grupos de oposição ao governo, especialmente o pessoal do Tea Party, colocou o governo Obama muito mal na foto. Até a imprensa liberal se revoltou.

Para piorar descobriu-se que o governo também andava grampeando jornalistas. Está tão feia que o porta voz do presidente teve que vir a público para dizer que Obama é a favor da liberdade de expressão e contra abusos por parte do estado. Imaginem o que significa um presidente ter que dizer o óbvio para se defender?

A impressão é que trata-se apenas da casquinha do que pode ser um amplo esquema governamental de espionagem e utilização da máquina pública para perseguição de adversários.

Parece que a crise está apenas começando e desta vez a claque obamista realmente se assustou.

Sobre livros e bibliotecas

Hoje fui na biblioteca pública de Vicksburg. Lembra um pouco a Biblioteca Demonstrativa de Brasília, antiga biblioteca da cidade. A nova, inaugurado a pouco tempo, não serve para muita coisa, como apontou minha amiga Gê em seu excelente post.

Apesar de estar mais arrumada e mais confortável, visualmente os acervos me pareceram semelhantes em tamanho. As duas possuem espaços separados para crianças, programação infantil. Uma das diferenças é que os freqüentadores da biblioteca de Vicksburg estavam realmente lendo e pesquisando livros, enquanto os de Brasília costuma usar a biblioteca para estudar para concursos públicos, essa praga que contribui para arrasar com a possibilidade de verdadeira educação no país, um tema que ainda desenvolverei melhor em outra oportunidade.

Resumindo a Ópera, as duas bibliotecas se equivalem. Ponto para nós?

Redondo engano. Faltou dar a vocês um detalhe importante: Vicksburg tem 30 mil habitantes!!!

Quer outro fato impressionante? O Mississippi é possivelmente o estado mais pobre e de pior índice educacional nos Estados Unidos. Brasília é uma aberração brasileira, a maior renda per capita do país e concentra a nata do funcionalismo público, a grande maioria aprovados em concursos dificílimos. 

Ambas as cidades, apesar da gigantesca diferença entre elas, possuem uma biblioteca pública de mesmo porte! Não é sensacional?

E tem gente que acha que eu sou radical por defender o fechamento imediato do Ministério dos Diplomas (também conhecido por MEC)!

Existe futuro sem educação de um povo?

Fica para reflexão.

Sem esperanças na oposição

Do jeito que está, o PSDB hoje é um mal para a política brasileira. Seu único papel parece ser conferir alguma legitimidade e chamar de democracia o regime em que estamos vivendo, fingindo que existe uma oposição no país. Não existe. No fundo, eles endossam a esmagadora maioria dos princípios do PT. Sua principal divergência é sobre quem deveria estar no poder, só isso.

Na prática, a maior oposição que o governo sofre é de dentro da base governista, que engloba partidos e pessoas que possuem mais divergências com os pensamentos do petismo do que o PSDB. Podem procurar, as maiores derrotas do governo vieram de dentro da base, como o código florestal e a divisão do petróleo que não existe.

Não acredito que o PSDB ou o DEM possam um dia substituir o PT no governo. Chance zero. A única possibilidade que vejo é um dia algum partido da base romper com a aliança, hoje improvável, e disputar com o petismo, rachando o imenso condomínio político construído pela esquerda brasileira. Eduardo Campos? Não, não acho que seja este. Pelo menos não em 2014, a eleição mais definida da república recente.

O único problema é que quanto mais demorar para um partido como o PMDB tomar coragem para enfrentar o petismo, mais estará disputando os restos da destruição que está em curso.

O melhor agradecimento à uma mãe

O romeno Constantin Noica no livro Diário Filosófico, publicado recentemente pela excelente É Realizações, escreve que recebeu com espanto a afirmação de uma mãe que o melhor agradecimento que poderia receber dos filhos era que eles fizessem o mesmo que ela. Completa o filósofo que esta era a ética do devir, ou seja, que mantinha o mundo em transformação.

Noica queria dizer que o melhor agradecimento que se pode dar a uma mãe é ser mãe. Não há melhor forma de agradecer os sacrifícios, cuidados e preocupações de quem fez o melhor que pode por nossa pessoa do que sacrificar, cuidar e preocupar com outra pessoa. No momento que seguimos os passos de nossos pais, repetindo e procurando ampliar a abertura para a vida que tiveram é que nos fazemos dignos de tudo que nos deram.

Mas o irmão do filho pródigo não pensa assim. Ele quer o reconhecimento dos filhos, que estes sejam gratos por tudo que fez.

Para quem não lembra, a parábola do filho pródigo conta a estória de dois irmãos. O mais novo exigiu sua parte da herança e caiu no mundo, literalmente torrando todo seu dinheiro. Sem nada e arrependido retorna para casa e implora ao pai que o receba como o mais humilde de seus empregados, pois não era mais digno de ser chamado de filho. O pai se alegra e o recebe com festa. O irmão do filho pródigo, que estava no campo, fica sabendo do acontecido e se revolta. Durante todo o tempo ele esteve ao lado do pai, cumprindo seus deveres, por que justo o irmão que tinha abandonado tudo era recebido com festa?

Então, lhe respondeu o pai : Meu filho, tu sempre estás comigo ; tudo o que é meu é teu.

Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado .

Noica usa constantemente a figura do filho pródigo e seu irmão para ressaltar dois tipos de comportamentos humanos. O primeiro é o homem comum, que erra e acerta, mas que se arrepende de seus erros e busca melhorar. É o homem que não teme o mundo, embora seja um tanto imprudente, que ama, briga, chora, ri, ou seja, como a maioria de nós. O outro, um tanto soturno, é o irmão do filho pródigo. Um homem que evita o mundo por se achar superior a ele, que se coloca em uma situação de iluminado, pretendendo conhecer todas as situações humanas e sempre pronto para julgar as pessoas por seus erros.

É justamente a ética deste homem que mantém o mundo em seu lugar, ou seja, na iniquidade. Seu dogmatismo é estéreo em realizações pois se move pela vaidade, o maior dos pecados como ensinava Paulo. Para ele, os filhos devem ser gratos pelos seus sacrifícios, quando os possui, ressalta despretensiosamente e de forma certeira Noica. Na maioria das vezes ele se fecha à vida pois acredita em alguma causa ou simplesmente um estilo de viver que simplesmente não tem lugar para o instinto natural de reprodução que todos nós temos.

No dias das mães, que se comemorou neste domingo, independente da natureza comercial que se transformaram estas festas, vale o agradecimento a elas que tanto nos deram. Mais vale a reflexão também, estamos dispostos a realmente agradecer? A repetir o exemplo que recebemos?

Minha mãe teve três filhos. Agradeço pela oportunidade que me deu neste mundo e aos dois irmãos que me deu. Seguramente minha vida seria muito menos rica sem eles. Quando contemplo meus três filhos brincando penso que todo este tal de sacrifício que tanto se fala é um dos mitos modernos. A alegria que recebo deles a cada dia é infinitamente superior a qualquer restrição que tenham me dado.

Espero, sinceramente, que um dia eles agradeçam sua mãe com o maior agradecimento que podem nos dar. O dom da vida.

Estatudo do desarmamento: mais um engodo da esquerda

Em dezembro de 2003, o monarca Lula I assinava o Estatuto do Desarmamento. Contrariando o plebiscito sobre venda de armas, tão devastador que a esquerda brasileira nunca mais tentou consulta semelhante, a idéia principal era desarmar a população. Sua majestade disse no ato da assinatura que era um presente de  natal para a população brasileira.

Só se for um presente de grego.

Quase 10 anos depois, a promessa que o estatuto retiraria armas das mãos dos bandidos não se confirmou. Como sempre, só a população ordeira e que cumpre as leis entregou sua arma que sabe-se lá para onde foi parar. Dizem que foram todas destruídas, mas quem acredita seriamente em um governo petista além dos ideólogos de sempre?

50 mil assassinatos por ano e uma desenvoltura cada vez maior dos bandidos. Esse é o resultado da ação do governo qu,e nunca é bom esquecer, tem ligações bem íntimas com as FARC, sócia no Foro de São Paulo, a entidade que não existe mas que governa quase toda a América Latina. Imaginem se existisse!

A imagem da semana passada, em que um “menor” de 16 anos assaltou um ônibus na Avenida Brasil, às 18 horas!, e estuprou um mulher na frente de apavorados passageiros mostra bem a conquista da esquerda brasileira. O bandido fez o que fez porque sabia que era o único a portar uma arma naquele veículo. Sabia mais ainda, que mesmo se houvesse alguém armado nada poderia fazer pois o cidadão que usar uma arma para sua defesa ou de outra pessoa estará enrascado com o estado por muito tempo.

Eu também sou a favor do desarmamento, como sempre digo. Mas tenho uma ordem para isso: primeiro os bandidos, depois o resto. A esquerda inventou um método realmente fabuloso, justamente o inverso! O estado desarma os seus cidadãos, contando para eles a mentira que os bandidos também o farão.

A verdade é filha do tempo, já dizia São Tomás. Mas como demora a se impor!