Rough and Ready (1971) – Jeff Beck Group

Jeff_Beck-Rough_and_ReadyA primeira versão do Jeff Beck Group não resistiu à disputa de egos entre o guitarrista e Rod Stewart, que partiu levando Ron Wood para o Faces. Para piorar, Beck teve uma acidente de carro que o deixou um tempo de molho.

Quase dois anos depois, o genial guitarrista voltava com uma banda formada pelo vocalista Bobby Tench, o baixista Clive Chaman, Max Midleton no piano e um gênio que surgia, o baterista Cozy Powell.

O novo trabalho trazia mais influência da música negra americana, com influências de jazz, soul e R & B. O resultado foi uma verdadeira pérola.

O disco começa com Got the Feeling. Guitarra com swing, grande refrão, solo de piano e guitarra, bateria quebrada. Melódica, com o feeling que o título promete. Depois vem Situation, com um raro tema político questionando a contradição da guerra com o fim que supostamente almeja, a paz. Clima mais soturna e com um show a parte de Powell.

Short Business é Beck no velho estilo, rock de primeira, com muita distorção na guitarra. O Lado 1 termina com Max Tune, uma instrumental que combina o piano melódico de Max com a guitarra suave de Beck, mostrando o que os guitarristas modernos perderam ao trocar a melodia pela velocidade.

I’ve Been Used aborda o abandono, da efemeridade de um romance. Baixo distorcido, leve balanço soul. New Ways Train Train é uma excelente canção de rock, com todos os elementos do estilo. Destaque novamente para Powell e um riff de guitarra de Beck que tem sua assinatura.

O disco termina com Jody, um falso baladão conduzido pelo baixo e piano, caindo no jazz-rock. As notas caem todas no lugar certo, sem exageros e o vocal negro de Tench.

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O disco inteiro é excelente. A banda se mostrava bem coesa e inspirada para pouco tempo junta. Um dos grandes discos da carreira de Jeff Beck.

O que ando ouvindo

The Very Best of Otis Redding

Ele foi um dos grandes do soul. Essa coletânea é especialmente feliz e traz qrandes canções como Try a Little Tenderness, Mr Pitiful e The Happy Song, além uma versão interessante para Satisfaction.

Elvis Rock

Uma coletânea de canções de rock do Elvis. Já me ambientando para uma futura visita à Memphis e Graceland.

Paixão Segundo São Matheus (Bach)

No livro Demien, de Herman Hesse, o personagem principal faz uma referência à esta obra como o retrato da perfeição. Estou conferindo.

O que ando ouvindo

Depois de mais de um mês de ausência, retomo a seção que se tornou um dica aos amigos que gostam de um rock, blues, soul, ou seja, da boa música!

Rough And Ready (Jeff Beck). Primeiro disco solo de Jeff Beck. Uma mistura de rock, jazz e blues, tudo de primeira qualidade com uma banda afiadíssima. Detalhe para a bateria de Cozy Powell.
Live at the Roseland Ballroom (Bachman Turner). Os caras voltaram com tudo. O som está excelente e o repertório também. Um ao vivo daqueles inesquecíveis.
Greatest Hits (The Band). Como estava baratinho no Wallmart acabei comprando, pois já tenho tudo deles. Foi uma boa trilha sonora para a leitura do livro de Bill Graham.

Apresentando os clássicos: Music From Big Pink (1968) – The Band

20121213-180237.jpgA Banda é relativamente pouco conhecida por aqui e se não fosse o filme The Last Waltz, com seu horrível título em português (O último concerto de rock), eu teria demorado, como muitos, mais tempo para descobri-la. Felizmente tivemos Scorsese!

O relacionamento dos fãs com a banda é quase mítico, verdadeiramente especial na história do rock. Sabem aquela expressão normalmente equivocada de independência artística e não se curvar ao mercado? Se isso existiu, foi com Robbie Robertson (guitarra), Rick Danko (baixo), Richard Manuel (piano), Levon Helm (bateria) e Garth Hudson (teclados, sax e mil instrumentos).

Uma banda de rock com um guitarrista, um pianista e um tecladista? Só isso já seria original,mas eles ainda gravaram seu primeiro disco em Woodstock no final dos anos 70 e a temática da obra é religião, valores familiares e condição humana. O principal compositor, Robbie Robertson, fazia questão de colocar seu instrumento em segundo plano pois acreditava que nada deveria se sobressair à música. Nem mesmo eles como individualidades. Por isso pode-se dizer com toda certeza que foram mais do que a soma dos seus integrantes.

Dos discos lançados por The Band, o meu favorito é justamente esse primeiro gravado em Woodstock, no porão do Sammy Davis Jr, ao lado da piscina. Para ter uma idéia da repercussão no cenário musical Elton John lançou um disco inteiro (Tumbleweed Connection) inspirado neste trabalho e Eric Clapton acabou com seu Blind Faith pois descobriu o tipo de sonoridade que queria para o resto de sua vida.20121213-180251.jpg

Nunca me canso de escutar este extraordinário disco de rock que começa com uma balada triste, Tears of Rage, na voz melodiosa de Richard Manuel e fala do abandono, de uma filha que deixa sua família. To Kingdom Come é uma rara música cantada por Robertson; prestem atenção no curto e delicado solo de guitarra. Caledonia Mission é pontuado por um violino de fundo, tocado por Danko. The Weight é possivelmente minha música preferida de todos os tempos. We Can Talk tem uma introdução inspiradíssima de piano e teclado, mostrando o que se pode obter da combinação de ambos os intrumentos. Chest Fever tem a genialidade de Garth Hudson, um verdadeiro multi-instrumentista. Por fim, tem o presentaço de Bob Dylan para seus ex-companheiros, a bela I Shall Be Released. Ainda tem meia dúzia de músicas que não deixam o nível do trabalho cair, uma verdadeira obra de arte.

20121213-180259.jpgAlém do instrumental belíssimo, as letras são intrigantes e bem acima da média. Experimente interpretar a letra de The Weight por exemplo. Até hoje acho que escutei mal quando Helm canta que vinha Carmen ” and the devil, side by side” e ela diz que tem que ir, ” but my friend can stick around!”. Ou essa frase magnífica de verdadeira de Robertson em To Kingdom Come:

Just be careful what you do, it all comes back on you

Além de tudo que foi apresentado, a banda tinha simplesmente três vocais maravilhosos, o baterista Levon Helm com seu sotaque sulista, Danko com sua voz triste e Manuel, com sua voz aguda e delicada.

Um dos melhores discos de rock de todos os tempos, perfeito do início ao fim.

O que ando ouvindo

Tim Maia (album de 1973)

Quem gosta de soul music acaba alguma hora chegando em Tim Maia. Para complicar a vida de quem está começando a conhecer sua obra, seus primeiros 4 discos sairam com o nome do cantor. Esse é o quarto. Abre com uma interessantíssima Réu Confesso, tem o hit Gostava Tanto de Você e termina com uma instrumental fantástica. Grande Disco.

Bad Reputation – Thin Lizzy

Para mim o melhor disco da banda. A sequência que começa com Southbound e termina com That Women Gonna Break Your Heart é um primor de belas melodias, sempre pautadas pela voz triste de Lynnott.

O que ando ouvindo

Calling Card – Rory Gallagher

Esse disco de 1976 foi co-produzido por Roger Glover, o único que Gallagher dividiu a produção e é o último com os companheiros de sempre Rod de’Ath (bateria) e Lou Martin (teclados). Destaque para a “purpleniana” Moonchild, Calling Card e Do You Read Me. Talvez o mais rocker dos discos deste genial guitarrista irlandês.

itunes festival 2012 – P!nk

Excelente show da P!nk. É interessante como as músicas mais eletrônicas se tornam mais rock quando tocadas ao vivo. Foi a primeira vez que a cantora apresentou algumas canções do novo album ao vivo. Disponível no Youtube.

Apresentando os clássicos: Bad Reputation (1977)

A formação definitiva do Thin Lizzy chegaria com este album, já gravado sem a participação de Brian Robertson na maioria das faixas, devido a um braço quebrado. A capa já excluía o guitarrista, mostrando que novos tempos estavam chegando.

O Thin Lizzy, a banda do baixista e vocalista Phil Lynott, um irlandês negro com muita alma, um verdadeiro frontman, nunca chegou realmente a se consolidar como uma das grandes bandas do rock. Chegou perto disso com o sucesso do single the boys are back in town e sua versão de Whiskey in a Jar, mas faltou alguma coisa para chegar no topo. Bad Reputation foi seu produto melhor acabado e um excepcional disco de rock.

A bateria de Brian Downey nunca esteve tão agressiva e tão boa. Escute Opium Trail, uma aula de bateria de rock. Scott Gorham nos presenteia com riffs e solos lindíssimos como em Bad Reputation e Southbound. E Phil Lynott canta com alma e nos traz uma das melhores baladas da banda, a dançante Dancing in the Moonlight, uma boa influência do soul que ganhava os anos 70. Outro vocal inspirado, quase um lamento, é em That Woman Gonna Break Your Heart, outra composição belíssima.

Um disco primoroso do início ao fim, sem fillers. Todas as composições são de alto nível. O Thin Lizzy jamais esteve tão bem, com a possível exceção de Jailbreak(1975) e, principalmente, jamais chegariam neste nível novamente. Um disco que contraria totalmente minha tese que os melhores trabalhos de uma banda acontece até o quinto trabalho; Bad Reputation foi o oitavo.