O mal no coração humano

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Gustave Dore (1890)

Em Crime e Castigo, a narração do crime cometido por Raskolnikov (sim, precisei googlar para acertar o nome) é impressionante, e angustiante. Aliás, é interessante como em toda primeira parte do livro, Dostoievsky vai colocando aqui e ali, quase que por acaso, os sinais do que ia no coração de seu trágico herói. Só quando ele toma a resolução final é que compreendemos que o germe do mal já estava em sua alma desde as primeiras páginas.

Em um ensaio maravilhoso sobre MacBeth, Chesterton aponta a grande tentação do homem. Abrir mão da moralidade por um único instante, cometer um ato vil, e depois retomar sua vida como se nada tivesse acontecido. Desde o começo dos tempos essa tentação está presente em nossas vidas, e sempre se revela um engodo, como na peça de Shakespeare. A cena da Lady MacBeth tentando lavar as mãos incansavelmente é simbólica: não há como lavar totalmente o sangue das mãos. Uma vez cometido o crime não há retorno, o caminho é sempre para baixo. Não raramente, quando menos se espera, já está matando novamente.

Não pude deixar de lembrar um caso que acompanhei, de um amigo que matou outro amigo. Sim, isso mesmo. Já tive um amigo que assassinou outro. Fiquei pensando se não passou por ele sentimentos parecidos com os que Raskolnikov sentiu naquele episódio terrível. O mal sempre está à espreita, tentando o homem de todas as formas. Apenas um coração vigilante pode evitar sua ação. Não é possível cometer um assassinato e depois retomar a vida normal. O mal deixa marcas e uma hora o infeliz terá que lidar com seus demônios.

No filme Crime e Pecados, Woody Allen sugere que não, que é possível esquecer o crime e deixar o arrependimento se esvair se tiver força suficiente para suportar os primeiros meses. Aliás, recomendo a trilogia que o cineasta fez sobre esse tema, com três soluções diferentes (Match Point, Crimes e Pecados e O Sonho de Cassandra).

E tudo retorna novamente a grande questão colocada por Dostoievsky, é possível uma vida moral sem um fundamento na transcendência? Ou, em outras palavras, morto Deus, é possível falar em moralidade? Uma questão sempre atual.

 

A absurda manifestação de ontem em São Paulo

Não se deixem enganar pela bagunça de ontem em São Paulo. A natureza do protesto não é o aumento da tarifa de ônibus, que não chega nem perto de repor a inflação do período. Quem está por trás do protesto é o tal movimento passe livre, que pretende acabar com a tarifa do transporte público, como se isso fosse possível!

Não existe almoço grátis. O fato dos líderes do movimento de ontem não pagaram seu próprio almoço por serem subsidiados por suas próprias famílias não deveria se suficiente para cegá-los tanto, mas a ideologia consegue cegar completamente o idiota para a realidade. Transporte urbano tem custos e alguém terá que pagar por eles.

Quando se fala em passe livre, existe uma grande falácia envolvida, a de que o estado pagaria pelo transporte de seus cidadãos. O problema é que o estado não gera riquezas, apenas rouba da sociedade. No caso do Brasil, principalmente dos mais pobres são roubados em cada despesa que fazem. Não tenho paciência com essa gente! No fundo o que os anima é um anti-capitalismo bocó que nem Marx assinaria. 

No mundo criado na mente deles, ninguém paga pela passagem. Na realidade, ao invés de pagar sua passagem diretamente à empresa de transporte, o cidadão-escravo usaria o estado como intermediário, com toda a eficiência como é conhecido! O lucro continuaria existindo, mas agora o estado faria ainda mais parte do acerto. Genial, não?

Não estou do lado das empresas de transporte, pelo menos não das que estão aí. Uma coisa aprendi no Brasil, nada que vem de licitação presta. Até porque em algum momento o nosso glorioso judiciário entendeu que quando a lei fala em preço mais vantajoso para a administração deve-se entender menor preço. Qualquer imbecil sabe que tipo de serviço terá pelo menor preço. 

Milhões de paulistanos precisando trabalhar, chegar em casa e cuidar de seus problemas reais e um bando de almofadinhas descolados da realidade atrapalhando suas vidas. De outro lado, Policiais Militares, que deveriam estar combatendo a violência na cidade são deslocados para cuidar da turba. E tem gente que acha que a PM usa de brutalidade! Vejam a foto abaixo de um PM que quase foi linchado por parte dos “manifestantes”. 

Policial ferido 4

Esse é o Brasil que o PT ajuda a construir desde que era oposição. Enquanto existir no país partidos comunistas esse tipo de situação vai continuar existindo. A média de renda dos policiais certamente é bem menor do que destes vagabundos.

Se fazem isso por 20 centavos no preço do ônibus, imaginem quando reajustarem em 20 centavos o preço da maconha!

Um breve conto sobre uma funcionária pública de coragem

Era uma vez uma funcionária pública de Brasília. Juntamente com algumas amigas passou a desenvolver um pequeno negócio, de natureza artística. Não ganhavam muito, mas o prazer que tinham em trabalhar com o que realmente gosta mais que compensava.

Imagem Site Concurso

Um dia ela resolveu largar o emprego e se dedicar inteiramente ao que antes era apenas um hobby. Confessa que um dos motivos para sua decisão foi constatar que vários colegas na repartição falavam o tempo todo de seus planos para quando se aposentassem. Segundo eles, finalmente poderiam fazer o que realmente gostavam. Foi quando caiu a ficha:
 
_ Percebi que não queria aquilo para mim. Minha vida está acontecendo agora, não posso ficar pensando que só vou começa-la daqui a alguns anos. Ela está acontecendo neste instante!
 
Tomou coragem e largou o emprego público com sua segurança e salário. O mais interessante é que muitos clientes, depois que estabeleciam uma relação de amizade pois sua atividade também envolve cursos, passaram a perguntar: por que ela não fazia um concurso?
 
Pobre país onde o maior sonho para quem tem capacidade é fazer um concurso público! Vejam que para muitos o concurso público não é a porta de entrada para uma carreira, é o objetivo final! Passar no concurso, qualquer que seja, é a meta de vida. Depois? Bem, depois a gente vê!
 
Dois exércitos se formam.
 
O primeiro lota o mastodonte estado brasileiro. Passam algumas horas diárias tentanto fazer o tempo passar mais depressa pois no fundo tem pouco ou nenhum interesse pelo que fazem. Não conseguem imaginar como seria seus dias sem acesso à internet ou um smartphone para usar o facebook ou twitter. É fácil constatar, basta ficar atento ao local do cafezinho. Estão sempre falando dos planos para as férias ou projetos para a aposentadoria, muitas vezes contando os anos. Não se trata de contar dias, mas de contar anos! Já escutei gente fazendo planos para o que vai fazer quando se aposentar daqui a vinte anos! Muitas vezes estão pensando no próximo concurso, que paga um salário bem melhor. Não raro usam seu tempo no serviço para estudar para outro concurso.
 
O outro exército está lotando os cursinhos espalhados pelo Brasil, muitos à distância. Já é quase uma profissão, os concurseiros. Li em algum lugar que em média um concursado passa no 13º concurso. Imagino que signifique uns 3 ou 4 anos estudando. Esta estatística, como todas, engana. Refere-se apenas aos que passam, e quantos não conseguem? Quantos perdem anos preciosos para depois desistir, sem esperanças? Quanto custa  para nossa sociedade toda esta gente estudando para provas que pouco ou nenhuma relação têm com o cargo que exercerão?
 
Vi uma ementa de concurso para banda de música, destas que desfilam e tocam em solenidades, que exigia trigonometria e logarítmos. O que diabos um tocador de tuba vai fazer com senos e cossenos? Não precisa ser muito inteligente para perceber que a prova serve apenas para entrar no paraíso, que como as nossas utopias terrestres parece mais bonito visto de fora do que de dentro. 
 
Alguém já me replicou que pelo menos estas pessoas estão estudando. Será mesmo? Pode se chamar de educação um conjunto de memorizações inúteis, leituras dinâmicas e macetes de cursinho? Pior, com o ENEM e provas afim a dinâmica do concurso público foi enfiado ainda mais dentro da escola, que já não ensina grande coisa, diga-se de passagem! É o fim da picada que o esquema de  cursinho já comece no primeiro grau.
 
O economista José Munir Nasser, falecido recentemente, gostava de falar sobre o padre Ivan Illich, que argumentava que existia um gigantesco hiato entre ensino e educação. Entendia o primeiro como a escola formal que conhecemos, onde professores e alunos se encontram em uma instituição, aulas são dadas, provas realizadas e ao final o aluno recebe diploma, seu objetivo principal. Na verdade este papel era um senha para entrar em um grupo que poderia almejar cargos específicos. Alguém consegue imaginar porque um lixeiro precisa do segundo grau completo além de diminuir o número de candidatos para permitir a seleção? Já pegaram uma prova de soldado da PM do Rio para fazer? Mais difícil que muito vestibular que tem por aí. Alguém já definiu que a escola é um lugar em que o conhecimento passa dos livros didáticos para o caderno do aluno sem passar pelo cérebro nem do professor e muito menos do aluno.
 
Claro que pode haver alguma educação neste processo. A sorte pode colocar um bom professor diante de um aluno que quer aprender. Mas quantas vezes isso acontece? Qual é a regra e qual é a exceção? 
 
Educação, como entendia o padre Illich, só acontece quando o aluno efetivamente quer conhecer e usa todos os instrumentos a seu alcance para tal, por vezes até um professor. 
 
Voltando ao tema depois desta digressão, é altamente questionável que o estudo para um concurso público possa ser chamado de educação sem denegrir a substância do que seja educação. Na maioria das vezes, o tempo dedicado ao concurso é tempo perdido mesmo, independente se o candidato será aprovado ou não. 
 
Quanto custa para uma sociedade que as pessoas deixem de seguir suas vocações pessoais para se submeter a um cargo em troca de estabilidade e melhores salários? Quanto custa para esta mesma pessoa as 40 horas semanais fazendo algo que não gosta e, em muitos casos, detesta? Qual o sentido de alguém se formar em biblioteconomia, por que é um vestibular fácil e curso mais rápido, apenas para ter um diploma de terceiro grau para poder concorrer a determinados cargos? Já pararam para pensar no absurdo que é fazer um concurso público para… espião? Alguém consegue imaginar um país que monte sua agência de espionagem por concurso público?
 
Sou funcionário público e felizmente posso dizer que gosto do que faço, que segui o que considerava uma vocação. Até porque estou em uma área do funcionalismo conhecida pelos baixos salários (na verdade derrubamos o salário médio do segmento ajudando a enganar a população). Muitos que entraram comigo fizeram outros concursos e se mandaram em busca de melhores salários. Outros tentam até hoje. Os dois únicos concursos que fiz foram internos e me fecharam mais portas do que abriram, mas esta é outra estória. O importante é que dinheiro pode trazer felicidade, mas quando resultado de um projeto pessoal, de realização de nossas próprias potencialdiades. Tratar salário como prêmio pelo sacrifício de trabalhar me parece uma escolha rasa, muitas vezes um caminho para a infelicidade. Tenho amigos que estão com sérios problemas de depressão e não entendem o porquê.
 
O caso que contei no início foi verdadeiro. Aconteceu mesmo. Uma mulher trocou o sonhado emprego público por um modesto negócio mas que lhe dá prazer. Fiquei muito feliz em saber esta estória e espero que de tudo certo para ela, até agora está dando! Ela colocou sua realização pessoal acima de seu medo e até mesmo conforto. Exige coragem e ela tem meus aplausos.
 
É bom ter esperanças que algum dia esta situação possa mudar e tenhamos uma sociedade mais harmônica e solidária. Para benefício de todos.

O bicho pegou!

A coisa está feia aqui na terra do tio Sam.

A revelação que o leão estava fazendo um pente fino nos grupos de oposição ao governo, especialmente o pessoal do Tea Party, colocou o governo Obama muito mal na foto. Até a imprensa liberal se revoltou.

Para piorar descobriu-se que o governo também andava grampeando jornalistas. Está tão feia que o porta voz do presidente teve que vir a público para dizer que Obama é a favor da liberdade de expressão e contra abusos por parte do estado. Imaginem o que significa um presidente ter que dizer o óbvio para se defender?

A impressão é que trata-se apenas da casquinha do que pode ser um amplo esquema governamental de espionagem e utilização da máquina pública para perseguição de adversários.

Parece que a crise está apenas começando e desta vez a claque obamista realmente se assustou.

Sem esperanças na oposição

Do jeito que está, o PSDB hoje é um mal para a política brasileira. Seu único papel parece ser conferir alguma legitimidade e chamar de democracia o regime em que estamos vivendo, fingindo que existe uma oposição no país. Não existe. No fundo, eles endossam a esmagadora maioria dos princípios do PT. Sua principal divergência é sobre quem deveria estar no poder, só isso.

Na prática, a maior oposição que o governo sofre é de dentro da base governista, que engloba partidos e pessoas que possuem mais divergências com os pensamentos do petismo do que o PSDB. Podem procurar, as maiores derrotas do governo vieram de dentro da base, como o código florestal e a divisão do petróleo que não existe.

Não acredito que o PSDB ou o DEM possam um dia substituir o PT no governo. Chance zero. A única possibilidade que vejo é um dia algum partido da base romper com a aliança, hoje improvável, e disputar com o petismo, rachando o imenso condomínio político construído pela esquerda brasileira. Eduardo Campos? Não, não acho que seja este. Pelo menos não em 2014, a eleição mais definida da república recente.

O único problema é que quanto mais demorar para um partido como o PMDB tomar coragem para enfrentar o petismo, mais estará disputando os restos da destruição que está em curso.

Estatudo do desarmamento: mais um engodo da esquerda

Em dezembro de 2003, o monarca Lula I assinava o Estatuto do Desarmamento. Contrariando o plebiscito sobre venda de armas, tão devastador que a esquerda brasileira nunca mais tentou consulta semelhante, a idéia principal era desarmar a população. Sua majestade disse no ato da assinatura que era um presente de  natal para a população brasileira.

Só se for um presente de grego.

Quase 10 anos depois, a promessa que o estatuto retiraria armas das mãos dos bandidos não se confirmou. Como sempre, só a população ordeira e que cumpre as leis entregou sua arma que sabe-se lá para onde foi parar. Dizem que foram todas destruídas, mas quem acredita seriamente em um governo petista além dos ideólogos de sempre?

50 mil assassinatos por ano e uma desenvoltura cada vez maior dos bandidos. Esse é o resultado da ação do governo qu,e nunca é bom esquecer, tem ligações bem íntimas com as FARC, sócia no Foro de São Paulo, a entidade que não existe mas que governa quase toda a América Latina. Imaginem se existisse!

A imagem da semana passada, em que um “menor” de 16 anos assaltou um ônibus na Avenida Brasil, às 18 horas!, e estuprou um mulher na frente de apavorados passageiros mostra bem a conquista da esquerda brasileira. O bandido fez o que fez porque sabia que era o único a portar uma arma naquele veículo. Sabia mais ainda, que mesmo se houvesse alguém armado nada poderia fazer pois o cidadão que usar uma arma para sua defesa ou de outra pessoa estará enrascado com o estado por muito tempo.

Eu também sou a favor do desarmamento, como sempre digo. Mas tenho uma ordem para isso: primeiro os bandidos, depois o resto. A esquerda inventou um método realmente fabuloso, justamente o inverso! O estado desarma os seus cidadãos, contando para eles a mentira que os bandidos também o farão.

A verdade é filha do tempo, já dizia São Tomás. Mas como demora a se impor!