Maracanã: o custo é ainda maior do que se imagina

Leio que o preço da reforma do Maracanã aumentou em mais 200 milhões e pulou para 1.12 bi. Eu disse reforma? Pois é, disse. E tudo dinheiro público, o que significa dinheiro que sairá do nosso bolso, mas não agora, o que é pior!

Para financiar a festa cara que estamos dando para a FIFA e para o mundo, o estado está imprimindo dinheiro através da criação de crédito, que se expressa pela queda da taxa de juros. Estou descobrindo que toda vez que o COMPOM avisa que a taxa de juros vai cair para tal valor ele não abaixa diretamente esta taxa, ele cria crédito para que ela caia. 

Toda esta criação de crédito do além tem um preço, e bem salgado. Se fosse assim tão fácil não precisaríamos nem de economistas e administradores, era só criar dinheiro que estava tudo resolvido. Várias vezes na história se fez isso, todas com resultados desastrosos.

A criação de crédito dá origem a um ciclo econômico que tem uma primeira fase de boom econômico, deixando todos satisfeitos, políticos, empresários e trabalhadores. Só que a estrutura de produção se desloca artificialmente para os setores mais afastados do consumo, como o setor de infra-estrutura, com emprego intensivo de mão de obra. No futuro, como não houve poupança, haverá uma contração inevitável no nível de consumo com aumento da taxa de juros e simplesmente abandono de uma série de projetos que nunca deveriam ter sido iniciados. 

Nesta eu acho que o Stephen Kanitz pisou na bola com força. Não adianta baixar os juros na marra para permitir o investimento e tirar os projetos do papel. O juros irão baixar em função da poupança, ou seja, do adiamento do consumo. Sem poupança, não tem como investir. 

No campo do Governo significa gastar menos do que arrecada, justamente o contrário do que estamos fazendo há anos.

Sem a construção dos estádios, a situação já estaria feia para o futuro próximo. Obras como o Maracanã só agravam o problema pois uma coisa é se endividar para construir um hospital ou uma hidro-elétrica, outra é para fazer um estádio de futebol!

O resultado não será um país mais rico como se está vendendo, mas um país mais pobre no futuro próximo.

Podem anotar, é inevitável, haverá inflação e desemprego. E quanto mais demorar, pior será.

A base de um crescimento real é a poupança

Imaginem uma pessoa sozinha numa ilha deserta. Para sobreviver, ela passa o dia pescando. O resultado desta pesca são 3 peixes diários.

Um belo dia, essa pessoa resolve economizar um peixe. Come dois e guarda o terceiro.

No dia seguinte, faz a mesma coisa. Come dois e guarda o terceiro. Agora possui dois guardados.

No terceiro dia não pesca. Usando os dois peixes que guardou para se alimentar, usa o tempo para construir uma rede.

No quarto dia, pesca 10 peixes.

Assim funciona uma economia, o resto é mágica. Para enriquecer de verdade, uma país precisa aumentar sua produtividade, o que exige investimentos. Em outras palavras, ele precisa retirar recursos da satisfação imediata (consumo) para acumular o famoso capital (investimento). O instrumento para isso se chama poupança.

Consumidores devem poupar para liberar recursos para investimentos através do sistema bancário. O governo deve poupar para tirar menos dinheiro da sociedade, o que implica em gastar menos do que arrecada. O tempo de privação de consumidores e governos será recompensado depois com um aumento da produtividade que gerará uma maior riqueza.

Ou seja, para crescer é preciso uma certa dose de sacrifício da geração presente. Nas últimas décadas abraçou-se a ilusão que se poderia fazer a mesma coisa simplesmente distribuindo dinheiro criado para todo mundo (usando o artifício dos juros baixos e criação de créditos eletrônicos). O resultado é que a economia perde a orientação e começa-se a fazer uma série de investimentos que em situações normais não seriam feitos, gerando desperdício dos tais escassos recursos disponíveis.

Uma hora a situação se torna insustentável porque passa a existir a disputa por estes recursos escassos, como trabalhadores e máquinas, gerando aumento generalizado dos preços. Para evitar a inflação, os governos elevam os juros, tentando tirar dinheiro da economia. As dívidas sobem, obrigando pessoas e empresas a se ajustar a nova situação, diminuindo o consumo. Se os salários não diminuirem, o resultado será sempre o desemprego. O próprio Keynes sabia disso e recomendava que deixasse a inflação corroer os salários para que a população não percebesse o que estava acontecendo.

Isso está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos há 5 anos. E vai durar por bastante tempo. Só que existe um detalhe, são países ricos, que possuem gorduras para queimar.

E quando a recessão acontece em um país pobre, também chamado em desenvolvimento? Veremos em breve, infelizmente de dentro.

O buraco é bem mais embaixo

Coloquei a questão neste post outro dia. A inflação está voltando no Brasil, tanto que o Banco Central aumentou a taxa SELIC. O problema que levantei foi se o processo inflacionário que estamos enfrentando hoje é o mesmo dos anteriores, ou seja, o aquecimento da economia acima da nossa capacidade de produção. O baixo crescimento do PIB indica que não. Daí a pergunta: o que estamos enfrentando?

Estou pesquisando a respeito, li muita coisa hoje, fiz muitas anotações e ainda estou tentando entender o que consegui captar. Se o que entendi for a verdade, o buraco é muito mais embaixo que eu imaginava. Significa que o sistema financeiro brasileiro, e de boa parte do ocidente, é uma coisa de maluco e realmente não tem como funcionar sem explodir de tempos em tempos. E o nosso explodirá mais cedo ou mais tarde.

O pior não é isso. O pior é que ele pode ser combatido e evitado, mas o custo é empurrá-lo para o futuro onde virá ainda mais agravado. Ou seja, o sistema é tão lunático que temos que torcer para ele explodir logo e sofrer antes que se torne pior. Como o sistema democrático que vivemos se caracteriza com a preocupação de curto prazo como principal fator, dificilmente os políticos irão tomar as decisões corretas conscientemente. Nos resta torcer para que eles, e os bancos, façam besteiras contra os próprios interesses, já que hoje não são os mesmos das pessoas. Não esqueçam disso, os interesses dos políticos e dos bancos não são os mesmos das pessoas comuns. E isso é trágico pois os primeiros estão dirigindo o show.

Não tem como explicar ainda, mas deixo umas perguntas para quem tiver estômago pensar um pouco:

1) O que é taxa SELIC?

2) O que efetivamente o Banco Central faz quando anuncia o valor da taxa SELIC?

3) Como se cria dinheiro na economia? Que tipo de dinheiro?

4) Que relação existe entre Governo – Tesouro Nacional – Banco Central?

5) Quem efetivamente controla a inflação?

6) O que o dollar tem a ver com isso?

7) Embora tenha muitos bancos, no Brasil apenas 4 ou 5 realmente interessam. Qual a consequência?

8) O que significa uma taxa de desemprego de 5,5%?

9) Os salários tem subido no Brasil acima da inflação. O que isso significa?

10) A produtividade brasileira está caindo ao mesmo tempo que os salários aumentam. E daí?

11) Nós não fazemos poupança interna. Da onde vem o crédito para investimento?

12) O governo gasta mais do que arrecada. Como financiar esta dívida?

Pois é, andei lendo sobre tudo isso. Mais uma vez reforço meu pensamento, economia não é causa, é consequência das ações da sociedade e seus governos. Se o dinheiro é apenas um instrumento de troca, o que está realmente acontecendo na realidade? Ou seja, se deixarmos de pensar em termos de valores, o que está acontecendo com os recursos (materiais e humanos) da sociedade?

Eric Voegelin argumentava que em uma sociedade o indivíduo não tem o direito de ser estúpido. A esmagadora maioria de nós é ignorante sobre o funcionamento básico de uma economia. Tem gente que diz que o desinteresse pela política é causa dos governos ruins. Besteira. É plenamente possível ter interesse na política e ser um estúpido. O que nos torna escravo dos políticos ruins é nosso desinteresse pelo conhecimento e numa sociedade a economia é um dos conhecimentos básicos  para entender o que está acontecendo. Nós julgamos o desempenho econômico de um governo sem ter a menor idéia do que está fazendo. E ainda reclamamos que não dá certo!

Pergunto, tem como dar certo?

O que realmente estamos enfrentando?

O paradigma dos últimos governos dizia que o aumento do consumo provocava pressão sobre a inflação, por isso os juros tinham que ser mantidos altos para segurar este mesmo consumo. Creio que a idéia era que os mais pobres gastassem e a classe média colocasse cada vez mais dinheiro na renda fixa para manter as contas do governo, diminuindo a pressão inflacionária.

O governo Dilma baixou na marra os juros. Um dos quadros que se especulava é que o governo estava deixando de cuidar da inflação. O consumo continuaria alto e sem a defesa ortodoxa do Banco Central os preços disparariam. Pois a inflação está dando sinais claros que está de volta, tanto que o governo já fala abertamente de alta de juros.

Só tem uma peça que não encaixa no quebra-cabeça. A economia está estagnada, indicando que não está havendo o consumo que se esperava.

Se a economia não está aquecida, o que está pressionando os preços? Não estaríamos diante de um fenômeno de outra natureza, baixo crescimento e inflação?

Neste caso, adiante elevar a taxa de juros?

São as perguntas que me faço e vejo pouca gente tratando do assunto. Estou na pesquisa. O que realmente estamos enfrentando?

A PEC das empregadas domésticas

Em posts anteriores, tratei da dinâmica do salário, principalmente dos fatores que o determinam. Tratei também do salário mínimo e seus efeitos, especialmente sobre o aumento do desemprego em parte dos trabalhadores de mais baixa qualificação. Para finalizar, vamos a um exemplo em que estes conceitos podem ser aplicados, a  PEC das empregadas domésticas.

Primeiro, vamos recordar. Os principais fatores que influenciam o preço de um salário são:

1. quanto o empregador pode pagar

2. por quanto o empregado aceita trabalhar

3. barganha entre empregador e empregado.

É razoável que a capacidade de um empregador pagar um salário se relaciona com a capacidade do empregado agregar valor ao seu negócio, ou seja, de sua produtividade. Trabalhadores de baixa qualificação receberão menos pois sua capacidade de produzir é limitada e essa é a principal razão do salário médio no Brasil ser menos que na Alemanha. Nossa mão de obra é pouco qualificada e de baixo nível educacional.

Também é razoável que parte dos empregadores estão no limite de suas capacidades. Qualquer aumento nos seus custos podem tirá-lo do negócio ou restringi-lo seriamente, obrigando-o a demitir. Cuidado com a falácia que ele pode simplesmente  passar o aumento de custos para o produto, nem sempre é assim. Em um regime de livre concorrência, o preço do produto é um equilíbrio do mercado. Ele é dado e não imposto pelos produtores. Que adianta ele aumentar o preço para 12 reais se os seus concorrentes vendem por 11? Sua receita vai baixar e vai acabar demitindo do mesmo jeito. Se todos reajustarem os preços, o que é raro de acontecer, a demanda cai e a produção terá que diminuir, gerando desemprego.

Portanto, não tem escapatória. Aumentar o preço do salário artificialmente, que é o que acontece por meio de uma lei, gera desemprego, especialmente dos menos qualificados, que no caso do salário mínimo são justamente os que mais precisam.

Antes de entrar no assunto das empregadas domésticas temos que desmontar a falácia que trata-se de um emprego como qualquer outro. Não é. Um empregador doméstico não é empresa, na esmagadora maioria das vezes é uma pessoa física. Isso quer dizer que não possui mecanismos para diluir seu aumento de custos, nem incentivo nenhum do estado para fazê-lo. Ele paga na medida de suas capacidades e pronto. A esmagadora maioria das empregadas domésticas no Brasil ganham um salário mínimo pois são pouco qualificadas e porque seus patrões também não ganham lá essas coisas. Esqueçam a imagem da madame com empregada uniformizada, isso é coisa de novela. A grande maioria dos empregadores domésticos estão fazendo uma ginástica danada para pagar plano de saúde, escola para os filhos, aluguel, dívidas e etc. Normalmente ambos os conjugues estão trabalhando para pagar isso tudo, mas estão no limite de suas possibilidades.

Não vou entrar no mérito se a empregada doméstica tem os mesmos direitos que os demais trabalhadores ou não, mas reforço que os empregadores são bem diferentes, o que implica que a relação entre empregada e patrões é de uma diferente natureza, queiram os legisladores ou não. Se o aumento dos benefícios para um trabalhador, independente de sua produtividade, gera desemprego, para a empregada doméstica a coisa é ainda mais aguda pois seus patrões tem muito menos flexibilidade para arcar com os novos custos do que uma empresa, por menor que seja. Isso não é uma tese ou argumento, isso é uma constatação. A PEC da doméstica vai gerar desemprego e os próprios entusiastas da medida sabem e querem justamente isso. Não falam da profunda mudança da nossa classe média que vai ter que se adaptar a não ter mais serviços domésticos em casa?

O grande problema é que estas ex-domésticas desempregadas vão ter que procurar outro emprego. Aí a porca torce literalmente o rabo. Por que elas trabalhavam como empregadas doméstica? Por vocação? Pela glória do serviço?  Porque era a melhor opção que elas tinham! Simples assim. Para uma mulher sem nenhuma formação ou qualificação, era uma das profissões que poderia exercer. As outras são para elas piores opções  pelas condições de trabalho, ou deslocamentos, ou falta de flexibilidade ou o que seja. E nem estou falando de outras ocupações como prostituição, tráfico e etc.

Querem uma imagem? Esse novo contingente, justamente as menos qualificadas e confiáveis, estarão na rua a procura de um novo emprego, um dos que elas já tinham rejeitado para serem empregadas domésticas. O que vocês acham que seria este emprego? Uma atendente na loja da boticário ou uma auxiliar de cozinha em uma rede de fast food? Uma consultora de moda ou uma trabalhadora de frigorífico? Uma secretária de escritório ou uma camelô vendendo filme pirata na rua?

Vejam bem o alcance da questão, os legisladores tiraram dessas mulheres a melhor opção que tinham e não deram nenhuma no lugar! Gostam de comparar com os países desenvolvidos mas esquecem de mencionar que as mulheres deixaram de trabalhar como domésticas porque tiveram acesso à educação e qualificação, capacitando-as a concorrer a melhores empregos. Ou seja, o trabalho doméstico diminuiu como consequência da melhoria da produtividade dos mais pobres e não foi a causa para esta melhoria, como parecem pensar nossos entusiastas da lei. No mundo de Alice dessa gente, essa mulher desempregada vai agora estudar e se qualificar para ter um emprego melhor. Se isso fosse tão fácil, ela já estaria fazendo! E acreditem, muitas estavam. Justamente usando o salário que recebiam dos patrões, como minha empregada que fazia faculdade!

Sobre as que continuarão empregadas, haverá uma melhoria no curto prazo mas não se iludam, os patrões e empregadas se ajustarão. Uma empregada que ganha um salário mínimo e meio, daqui a pouco terá um salário menor para compensar o aumento dos seus custos. Dificilmente não aceitará o novo contrato considerando que haverá gente desempregada de olho na vaga. No médio e longo prazo, como já se demonstrou antes, apenas o aumento da capacitação da mão de obra gera aumento real do preço do salário.

Em resumo, no intuito de acabar com o trabalho doméstico, julgado por muito como um trabalho indigno, um resquício da escravidão, escolheu-se o pior caminho possível. Ao invés de investir na melhoria da educação e qualificar melhor as empregadas domésticas para que possam ter melhores salários, resolveram dificultar sua contratação. Li em algum lugar que a própria presidente está preocupada com o desemprego no setor, mas não pode manifestar sua contrariedade em público, tanto que os legisladores já começaram a tentar arranjar artifícios para diminuir a carga sobre os patrões. Eles sabem exatamente o que estão empurrando para a sociedade. Sob aplausos, como de praxe.

Salário mínimo, seus efeitos

Para falar dos efeitos do salário mínimo, temos que primeiro entender como funciona a tal lei da oferta e da procura. Sabemos que quando o preço de um produto sobe, diminui a procura por este produto pois menos pessoas estão dispostas a pagar por ele. Quando o preço diminui, ocorre o contrário, como sabe quem já enfrentou aquelas mega liquidações de lojas de departamento. Assim o preço se ajusta para tentar maximizar o produto quantidade vendida x preço, que é a fonte de lucro de uma empresa.

O preço representa o equilíbrio no livre mercado. Quando consideramos a oferta de trabalho e a demanda por trabalho temos um tipo especial de preço, o salário. Quando o valor do salário sobe, mais pessoas estão dispostas a realizar aquele tipo de trabalho, só que menos empresas estão disposta a pagar por ele. A empresa pode decidir por mudar o processo de produção ou simplesmente desativar uma determinada linha de produto por sua elevação de custos. Quando o valor do salário diminui, menos pessoas se apresentam para trabalhar e mais empresas se tornam dispostas a fazê-lo. No fim, temos um salário que equilibra as duas curvas, maximizando o número de pessoas empregadas.

 

 

Curva de oferta e procura
Curva de oferta e procura

 

Saindo da teoria econômica, é fácil ver que existem empregadores que estão no limite da capacidade de pagar um determinado salário. Vamos supor que um determinado empregado acrescenta 100 reais no faturamento da empresa e o salário dele é de 90 reais. Ele é contratado. Suponhamos que uma lei estipule que ele não pode pagar menos que 110 reais por aquele trabalho. Não há saída para o empregador, ele vai demitir o empregado. Ao invés de trabalhar por 90, o preço do equilíbrio, ele não vai trabalhar. O que seria melhor para ele?

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Outra questão é que o valor do salário mínimo só afeta os que recebem até este valor. Quem recebe mais não é atingido. É justamente nos que recebem abaixo ou este valor que o desemprego vai incidir, especialmente nos menos capazes. Consultem qualquer livro americano ou europeu, todos vão dizer a mesma coisa, que o desemprego aumentará entre os adolescente pois são estes que trabalham em torno do mínimo.

Em um país em desenvolvimento a coisa é diferente. Um contigente maior da população trabalha por um salário mínimo, nas mais variadas idade, fruto da baixa qualificação da mão-de-obra e o baixo nível educacional. O aumento real do salário mínimo, acima do aumento de produtividade dos trabalhadores, gera desemprego de parte deles. A coisa fica melhor para quem mantém seu emprego, mas piora para os que ficam desempregados.

Não existe mágica em salários. Tentar mudar seu valor por lei é magia, só funciona durante certo tempo e para alguns. No longo prazo, apenas o aumento da produtividade vai gerar aumento real dos salários. Se um governo quer realmente melhorar a situação do seu trabalhador, o caminho é educação, treinamento e tecnologia. Justamente um dos fatores mais estagnados no país.