Uma reflexão sobre a tecnologia

Gadget, você não é um aplicativo!

Jaron Lanier

 

Estamos tão acostumados com a cultura tecnológica que poucas vezes paramos para refletir sobre a influência que ela tem sobre nossas vidas. A internet, mp3, facebook, compartilhamento de arquivos, tudo isso é tão presente que não paramos para pensar de onde vieram estes padrões, estas formas de interagir com a tecnologia.

Jaron Lainer é um dos personagens do Vale do Silício, ou seja, é um insider. Foi um dos visionários que na década de 80 ajudaram a criar várias plataformas e paradigmas que usamos até hoje. Agora ele se questiona e coloca para nós a pertinência ou não de uma série de decisões que foram tomadas, boa parte sem o mínimo de reflexão, e que hoje nos limitam ou nos causam uma série de danos. 

Temos a falsa idéia de que se algo na tecnologia não está bom, então um conjunto de gênios mudaria para fazê-lo melhor, ou seja, que o que temos é o melhor possível. Não é bem assim, como Lanier explica, o custo para mudar uma plataforma ou uma solução pode ser impeditivo, ou trabalhoso o suficiente, para alterá-la. Melhor deixar como está.

Como o compartilhamento de arquivos está afetando a classe média artística? O que gerou efetivamente a cultura digital? O que a decisão, baseado nas paranóias da guerra fria, pelo anonimato na rede gera de problemas? O que um novo tipo de conhecimento, baseado na multidão, provoca em nossa cultura? Como a facilidade de cálculo e rapidez nos processos afeta o mercado financeiro?

Lanier é bastante crítico sobre estas questões, aponta algumas soluções e uma série de dúvidas. Tenho me interessado pelo assunto ultimamente e este livro é uma boa fonte de informações e colocação de perguntas para investigação. Realmente, estamos tão imersos na tecnologia e suas possibilidades que não pensamos nem nas suas limitações, nos seus efeitos indesejados, e muito menos na sua influência cultural.

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Não entrega o que promete, ainda bem

Guia politicamente incorreto da Filosofia  (Luis Felipe Pondé)

Não sei exatamente os motivos para a escolha desta título, é possível que a editora tenha tentado faturar no rastro no sucesso do guia politicamente incorreto da história do Brasil, mas o livro em si não entrega o que promete. Ainda bem, pois o que Pondé escreve é um muito mais interessante que o título prometia, é uma exposição dos absurdos do politicamente correto. Poderia simplesmente se chamar guia politicamente incorreto do politicamente correto, o que seria mais honesto. Mas não seria politicamente correto, como pode apontar o subtítulo, Um Ensaio de Ironia.

Pois o livro é um ensaio. Ou seja, mostra sem se aprofundar o suficiente para provar, o que não significa que tenha menos valor. Certas verdades, talvez a maioria delas, não precisa de demonstração como ensinava Mario Ferreira dos Santos, precisam apenas ser mostrada pois são evidentes por si mesmas. É o que Pondé procura fazer com a sua dissecação do politicamente correto. A filosofia surge de maneira transversal, mostrando os princípios filosóficos que estão subtendidos na postura e frases do politicamente correto, ou como diz, praga PC. E são essas idéias subtendidas ou ocultas que são o verdadeiro assunto do livro, e seu maior valor.

Quando afirmarmos que todas as religiões são iguais, que os homens e mulheres são iguais, que as minorias devem ser protegidas com leis para estabelecer a justiça social, que todos têm direito à felicidade, que todos somos iguais, o que está subtendido? Se a maioria das pessoas que repetem chavões e comportamentos soubessem o que estão comprando, se assustariam e correriam. A outra parte não se importaria; sua doença é de outra natureza.

Pondé demole sem piedade o feminismo, o multi-culturalismo, o relativismo, até mesmo a tal nova classe média. Mostra didaticamente os princípios de cada postura e mostra porque os princípios estão errados ou são, pelo menos, problemáticos. Vale dizer, não ataca o feminismo, mas o princípios que está por trás do feminismo; o feminismo simplesmente cai junto, pelo menos até que alguém tenha um suporte melhor para mantê-lo de pé.

Um livro facílimo de ler e divertidíssimo, pois Pondé é também um artista do humor, base de toda a ironia. Pena que os politicamente corretos não compreenderiam o que está dizendo nem que tentassem ler. Não farão nem uma coisa nem outra pois no fundo odeiam o conhecimento e o mundo real. Até que este mundo real resolva se revelar com toda a sua intensidade. O politicamente correto esconde das pessoas as verdades incômodas que elas não querem admitir para si mesmas e por isso a fazem se sentirem melhor. É um auto-ilusão para mentes fracas, que esconde que no fundo somos todos medíocres e a grande maioria mais medíocre do que uns poucos que carregam o mundo nas costas.

O sacrifício pode ser fácil, principalmente dos outros.

Quantas vezes é necessário um sacrifício para se livrar de um problema? Mas quem estará disposto a realizar este sacrifício, principalmente quando é em favor de outra pessoa? Ou, colocando em outras palavras, até que ponto é justo exigir um sacrifício de outra pessoa para nos salvarmos de um determinado destino? Este é o tema principal da peça Alceste, de Eurípedes.

Juntamente com Sófocles e Ésquilo, Eurípedes forma o triunvirato dos grandes trágicos de Atenas. Contemporâneo de Sócrates, o questionamento moral e político do filósofo aparece em suas peças, que tiveram profunda influência sobre a dramaturgia moderna, especialmente em Shakespeare. Alceste é sua peça mais antiga sobrevivente, quarta de uma tetralogia perdida, encenada pela primeira vez em 438 A. C.

Conta a história de Admeto, rei de Féres, que deveria estar morto mas foi salvo por um acordo de Apolo com as Parcas. Sua vida seria poupada, desde que alguém fosse voluntário para morrer em seu lugar. Nem seus pais idosos, nem seus amigos mais fiéis, aceitaram o sacrifício; coube à sua esposa, Alceste, se apresentar. Apolo ainda tenta intervir mais uma vez com Tânatos, enviado de Hades, que vem buscar sua vítima, mas em vão; Alceste deve partir. Ela morre e ao mesmo tempo chega ao castelo Hércules, que encontrava-se cumprindo seus 12 trabalhos em busca de hospedagem. Admeto o engana dizendo que uma pessoa distante acabara de morrer para que o heróis não recusasse a hospedagem. Ao saber da verdade, Hércules resolve tentar trazê-la de volta.

Inicialmente a peça se apresenta como uma reflexão sobre a morte e a constatação que existe uma ordem natural para que ocorra; os pais devem partir antes do filho. O próprio Apolo cobra de Tânatos que este deveria “preferir aqueles que tanto tardem em morrer”. Este responde: “quando morre quem está na flor da idade, bem maior é minha glória!”, mostrando que a morte dos mais novos é sempre um acontecimento de maior dramaticidade e de aparente injustiça.

A questão principal, entretanto, é a do sacrifício. A revolta maior de Admeto é com os próprios pais, que já idosos recusaram-se ao sacrifício. 

Tu devias chorar, quando eu estava prestes a morrer; mas ficaste de longe, deixando que se sacrificasse outra mais jovem, velho como és!

O pai, Féres, responde com a verdade avassaladora:

Se te apraz contemplar a luz, pensas que que o mesmo não se dê comigo? Bem sei que longo tempo, muito longo tempo mesmo, eu permanecerei sob a terra; o que me resta da vida terrena é pouco, mas é doce! Tu, que te debateste vergonhosamente contra a morte, tu vives, sim; transpuseste o passo fatal, mas à custa de tua esposa! E agora censuras a minha covardia, tu, infame, suplantado em coragem por uma mulher, que se deixou morrer por ti, belo rapaz!

Essa é a questão essencial da peça. Por que haveria de alguém realizar um sacrifício que o próprio Admeto poderia realizar? Como pode ele aceitar que sua esposa, amada e fiel, pudesse ir em seu lugar? Que direito tinha de exigir de alguém que fizesse o que ele próprio não tinha coragem? Apegou-se no racionalismo que seus pais teriam o dever de dar a vida para salvá-lo, mas nestas circunstâncias?

Trazendo para nossa realidade diária, não vemos isso o tempo todo? Troquem a morte por outro sacrifício qualquer, como o político que entrega a cabeça de um assessor para salvar a própria, ou o presidente que entrega a de um de seus ministros, o chefe que deixa um subordinado ficar com uma culpa, o marido que espera que a esposa ligue para o 0800 da net porque ele acha aquilo uma chatice. Tem exemplos para todos os outros, mas sempre o mesmo princípio, o outro tem menos a perder que ele. Do mesmo jeito que os pais de Admeto eram idosos e teoricamente não perderiam muito com a troca, o político pensa de seu assessor, o chefe do subordinado, o marido da esposa ou a esposa do marido. O pai que deixa o filho assumir uma culpa pois ficaria bem mais grave se soubessem que foi ele o autor de determinada ação. No fundo, a fuga da responsabilidade pelos próprios atos.

A peça termina com uma mudança em um destino que parecia definido, mostrando que nem tudo é irreversível. A melhor conclusão fica para as palavras do próprio coro, a consciência moral das peças gregas, que omito a última frase para não contar o final:

Os acontecimentos que o céu nos proporciona manifestaram-se sob as mais diversas formas; e muita coisa acontece, para além de nossos temores e suposições; muita vez o que se espera, nunca sucede; e o que nos assombra, realiza-se com a ajuda dos deuses.

 

PS: Para ficar com um exemplo concreto, o mensaleiro João Paulo Cunha, do PT,  mandava a própria esposa recolher sua parte do butim de Marcos Valério no Banco Rural para que se fosse necessário ela assumisse a presença no banco em seu lugar. Em um primeiro momento, quando apareceu apenas a lista de entrada no banco, ele não teve dúvidas em dizer que ela foi apenas pagar uma conta da tv a cabo. Quando surgiu as assinaturas e a lista de quem sacou dinheiro no banco nas contas de Valério, a estória caiu por terra. Hoje o prezado deputado, mesmo condenado pelo STF e aguardando sua cela, é membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mostrando o atual estágio de degeneração da democracia brasileira. 

The Tempest (W. Shakespeare)

O que você faria se tivesse o controle total sobre seu inimigo, aquele que tirou seu reino e o despojou de tudo que tinha? É a vingança perfeita, basta agora executá-la. É para chegar nesta situação que Shakespeare constrói cada detalhe da peça A Tempestade, possivelmente sua última.

Anos depois de ter sido traído por uma conspiração que uniu seu próprio irmão com outros dois nobres, Próspero encontra-se em uma ilha no Mediterrâneo. Vivem na ilha apenas sua filha e seus dois servos, o espírito Ariel e o filho de uma bruxa que vivia no lugar, Calibã. Usando da magia, conjura uma tempestade justamente quando seus algozes passavam de navio, retornando de um casamento. Ocorre o naufrágio e usando os préstimos de Ariel, Próspero os isola em pequenos grupos. 

A partir dessa situação, vários temas são abordados.

Calibã mostra que o mantra que a educação resolve todos os problemas é uma furada. Tratando-o com dignidade desde que chegou a ilha, Próspero dedicou-se em educá-lo e mostrá-lo o caminho da virtude. Seus esforços foram em vão e Calibã cresceu rancoroso e vingativo, desejando o dia de ter a ilha só para si, chegando ao ponto de tentar violentar Miranda, a filha de Próspero.

Antonio e Sebastian, que haviam conspirado para colocar Antonio no lugar de Próspero, aproveitam a situação, crendo que o herdeiro Ferdinand está morto, para tentar eliminar Antonio e ter o reino para eles. Os conspiradores de hoje são os inimigos de amanhã. Quem trai uma vez, trairá novamente quando tiver a oportunidade.

O romance entre Miranda e Ferdinand é parte da vingança de Próspero, que dessa forma se une definitivamente ao pai dele, Antonio. 

Por fim, tendo controle absoluto da situação, Próspero pode escolher o caminho a seguir. 

Yet with my nobler reason against my fury

Do I take part. The rarer action is

In virtue than in vengeance.

Eis a grande lição da peça de Shakespeare. O perdão é a mais nobre resposta para quem agrediu, o ensinamento cristão por natureza. Observem que Próspero age contra sua própria raiva, em nome da razão, e perdoa seus algozes. A vingança apenas prolonga o ódio, por vezes por gerações, e precisa ser quebrado em algum momento, como ensina uma outra peça bem mais antiga, Eumênides de Ésquilo, que já resenhei aqui.

Não por acaso, trata-se da peça mais grega de Shakespeare. Inclusive com a participação de algumas deusas, conjuradas por Próspero. Além do uso da magia pelo protagonista da peça. Ressaltar os dilemas morais da humanidade era um dos propósitos das tragédias gregas, justamente o que Shakespeare faz na peça. O que leva Miranda, ao observar o primeiro grupo humano em sua vida, dizer a célebre passagem:

Oh, wonder!

How many goodly creatures are there here!

How beauteous mankind is! O brave new world,

That has such people in ‘ t!

Se os gregos não tinham solução definitiva para o dilema da vingança, que termina na Orestéia com o voto de Minerva absolvendo Orestes da morte da mãe para interromper uma escalada que nada poderia produzir de bom, Shakespeare tinha a seu dispor toda a filosofia cristã e o instrumento do perdão. Sim, por vezes as pessoas nos machucam de alguma maneira, mas a vingança pode apenas trazer uma satisfação momentânea. Só o perdão sincero pode restabelecer laços rompidos e seguir adiante. Como Próspero fez com Antônio. 

Demian – Herman Hesse

Sinclair é um jovem que luta contra uma visão maniqueísta da vida. A dualidade entre o bem e o mal se coloca para ele desde as primeiras páginas, quando coloca a oposição entre uma vida luminosa, da virtude, representada por suas irmãs, e um outro mundo, escuro, dos pecados, que o tenta a todo instante.

Sua primeira queda se dá com o encontro com um valentão de sua aldeia. O que começa por uma simples mentira (uma mordida de maçã?), termina como um mergulho em uma série cada vez maior de delitos. O caminho que o levaria à perdição completa é interrompido pela a chegada de um novo habitante, o Demian do título.

Depois de afugentar o valentão, Demian passa a ser uma espécie de guia para Sinclair, introduzindo-o em questionamentos existenciais e religiosos. A simbologia da Bíblia é colocada em questão, assim como sua relação com a vida.

Afastado de Demian, em um colégio interno, Sinclair se entrega a uma vida sem limites, entregando-se ao vício do jogo e da bebida. Curiosamente mantém-se afastado das mulheres, colocando-se distante da tentação erótica. Até que conhece um novo guia e posteriomente volta a se relacionar com Demian.

A jornada de Sinclair é uma alegoria da própria narração bíblica. A curiosidade que leva à perdição e depois à redenção. Há elementos de mistério na narrativa, especialmente quando se refere a Demian (nome sugerstivo?) e sua mãe.

O tema do livro é principalmente a existência do homem e sua transcendência. Qual o papel do indivíduo no concerto do mundo? Sua insignificância fica ainda mais evidente com a chegada da I Guerra Mundial, assim como o pessimismo que carregou consigo, acabando com a era de ouro da juventude européia.

Sinclair é um jovem perdido, assim como tantos que se relacionam com ele. Em algum momento uma existência movida por ideais se perde entre uma geração e outra; e o que resta é uma face escura da humanidade, onde o vício leva o novo homem para a solidão, abandono e falta de sentido para a própria existência.

A mão de Deus se faz mostrar no livro, através da providência divina, que mostra para Sinclair que é apenas através de si mesmo que encontrará o caminho para a verdade, tal como ensinou Cristo. Não é à toa que no momento de maior desespero, a simples imagem de uma moça, o fará retornar ao eixo de sua vida mostrando o verdadeiro sentido de milagre.

E Demian? Que papel desempenha no livro para ter o papel principal? Por que o livro não se chamou Sinclair? Esta é uma pergunta difícil de responder, que apenas posso especular. E possivelmente errar em cheio.

Demian, como o próprio nome diz, pode se referir ao tentador. Ao livrá-lo do valentão, institui uma dívida espiritual e moral de Sinclair para ele. Com sua voz mansa e cheia de sentidos, leva Sinclair a questionar tudo que julgava de mais sólido em sua vida, especialmente sua fé. Não é esse o papel do demônio? Não é através de uma imagem feia que ele surge para nos tentar, mas justamente com a imagem que estamos precisando. Com palavras suaves, com a manipulacão da razão.

Demian me parece a alegoria bíblica da tentação no deserto e Sinclair, o homem falho, sucumbe, sem perceber o alcance de sua queda. Apenas a conversão no sentido clássico, o voltar-se para si mesmo em busca da verdade, seria capaz de salvá-lo. E a nós. Mas teremos a coragem necessária para enfrentar a verdade? É a pergunta que ficou para mim ao terminar este breve, mas instigante romance, de Herman Hesse.

Complexo, não?

The Catcher in the Rye (J. D. Salinger)

A adolescência pode ser certamente um tempo de grande confusão, de indecisão. A vida adulta se aproxima cada vez mais rapidamente e muitas vezes é difícil lidar com a responsabilidade que se aproxima. Afinal, visto de fora, os adultos parecem seguros, sabendo o que estão fazendo, ao contrário do jovem que está terminando o colegial e não sabe nem que carreira deve seguir.

Com 17 anos, Holden Caulfield é o anti-herói da novela de Salinger, um dos grandes da literatura americana. Poucas vezes vi um protagonista tão difícil de se identificar ou de gostar quando ele. Praticamente tudo a sua volta é capaz de deixá-lo depressivo, como diz o tempo todo. Amigos? Tirando seus irmãos, mortos e vivos, ninguém parece ser bom suficiente para ele. Irônico, mordaz, passa o tempo todo criticando a tudo e a todos. Se a idéia era mostrar a inadequação do jovem com o mundo em que vive, Salinger não podia ter sido mais perfeito. A impressão é que Holden realmente não pertence a este mundo.

Várias vezes as pessoas a sua volta tentam abrir pontes de comunicação com ele, mas ele as derruba com urgência, fechando-se na carapuça que criou para si mesmo. O mundo de Holden não tem lugar para ninguém, apenas para ele e talvez alguns escolhidos.

Há espaço para sensibilidade em sua vida, mostra talento para ser escritor. Só que sua narrativa é uma profusão de fluxos de consciência cada vez mais intricados e confusos. Expulso mais uma vez de uma escola, vaga por Nova Iorque tentando descobrir a forma de voltar para casa. Ou não.

É considerado um clássico da literatura americana mas confesso que achei um tanto massante. Depois de um tempo já não aguentava mais a ladainha de Holden e minha vontade era de gritar: para de choradeira e trata de arrumar sua vida! O que talvez tenha sido exatamente a intenção de Salinger, nos mostrar o que se passa na cabeça de um irritante adolescente que parece incapaz de escutar qualquer coisa racional e que não vai ser com gritos que conseguiremos alcança-lo. Pode ser.

Por outro lado me parece um jovem sem humildade, que se sente superior a todo mundo mas que não consegue admitir sua própria visão orgulhosa e preconceituosa. As pequenas brechas de afeto legítimo de Holden é a única coisa que o impede de ser um perfeito imbecil e nos faz ainda torcer um pouco por ele. Só que logo a seguir ele estragava tudo sendo ele mesmo.

Definitivamente não entrará na minha lista de clássicos da literatura. Sorry Salinger. Eu tentei!