Olimpíadas e Copa do Mundo

Se eu fosse o país que sediará a próxima Copa do Mundo, ficaria seriamente preocupado. O que aconteceu em Boston pode ser apenas uma amostra do que pode acontecer ano que vem no Brasil, com muito mais gravidade. Temos fatores que indicam uma vulnerabilidade muito maior do que os americanos. Espero que os nossos governantes não coloquem na natureza pacífica do Brasil a sua maior defesa. Se pensam assim, não entendem ou não querem entender, as motivações de um terrorista.

O Brasil é um país intensamente miscigenado, para tristeza dos racialistas, o que implica que nenhuma característica física chama atenção. Ao mesmo tempo, temos imenso orgulho da nossa hospitalidade, o que dificulta qualquer medida de segurança adicional. Implica que qualquer um pode andar pelo país no meio da multidão, ou seja, não tem como se concentrar esforços em determinados grupos que estatisticamente representam maiores riscos.

Para piorar, nossa característica de gestão é do tipo reativa. Primeiro acontece o fato para depois se tomar as providências. Isso deu ao brasileiro imensa flexibilidade, o que é admirado no mundo empresarial, mas nos torna muito fracos de planejamento e antecipação. Temos dificuldades de trabalhar em cenários prospectivos e já vi muita gente boa dizendo que é bobagem tentar ficar imaginar situações futuras.

Diante de uma potencial ameaça de terrorismo, e não nos iludamos, ela é real, não dá para esperar o acontecimento para preparar a reação. Os americanos foram pegos de surpresa em 2001, mesmo depois que alguns atos isolados em seu país e no mundo indicassem vulnerabilidades. Aprenderam a lição e com imenso esforço das autoridades e compreensão de parte de sua população conseguiram evitar o que parecia inevitável após o 11 de setembro. Por 12 anos não se viu um atentado no país.

A investigação pode indicar que se trata de ato de algum maluco, o que não muda o fato que a vulnerabilidade existe. E que se trata de um ato terrorista, motivado ou não por razões políticas.

É bom que o Brasil fique de olho e trate de correr para quem sabe em busca de conhecimento. A pior coisa que pode acontecer é nos convencermos que uma ato desses não pode acontecer em nosso país.

 

Anúncios

Dia triste no Brasil

É lamentável que tragédias como a que aconteceu ontem ainda ocorram no Brasil. De modo geral, somos totalmente despreparados para enfrentar emergências, o que acaba por tomar muitas vidas.

Como sempre tem a ver com nossa cultura, que espera que o poder público faça tudo pela gente. O resultado é que a sociedade em sua face ampla não se envolve na prevenção e solução de problemas.

Quantas vezes uma boate faz treinamento de evacuação em caso de incêndio? E uma escola? Hotel?

Uma das lembranças que tenho de quando morei nos EUA em 1981, portanto mais de 30 anos atrás!, era que eventualmente tínhamos treinamento de evacuação na escola. Sabíamos efetivamente o que devíamos fazer quando soasse o alarme. Uma vez, em um hotel na Flórida, o treinamento foi feito de madrugada! 

Infelizmente não temos nada disso no Brasil. O caso de Santa Maria não é isolado, tragédias acontecem eventualmente e algumas vidas poderiam ser salvas se tivéssemos o mínimo de treinamento para saber o que fazer.

Minhas orações estão com aqueles que estavam na boate ontem à noite. Que Deus o receba em paz.

Em tempo:

A parte mais nojenta vai começar agora quando autoridades fingem estar comovidas pela tragédia. Já começou pela própria presidente. Sylvia Colombo, da Folha, informa que ela teria chorado.

Ela chorou ao comentar a tragédia e disse que o povo brasileiro precisa dela.

Como é que é? É muita pretensão acreditar que o povo precisa dela como alguma supermãe protetora. Para começo de conversa uma supermãe não participa de organização terrorista e pior, tem orgulho de ter pertencido. Nem se comporta o tempo todo com o coração cheio de ódio por aqueles que não a compreendem.

Não acredito que esta mulher seja capaz de qualquer sentimento genuíno de solidariedade com outra pessoa. Acredito sinceramente que seja uma psicopata, incapaz de se colocar no lugar de quem quer que seja. Por isso não acredito em lágrima nenhuma dessa criatura, só de alegria por ter uma notícia para desviar atenção do antro de corrupção que participa, e da porcaria que é seu governo.

Outro do mesmo naipe é o governador do Rio Grande do Sul. 

Nenhum deles é culpado pela tragédia. Mas vão fazer de tudo para explorar politicamente o que aconteceu. Como sempre.

Eles não têm escrúpulos. Eles não têm decência. Eles não têm pudor.

Ela chorou ao comentar a tragédia e disse que o povo brasileiro precisa dela.

A hipocrisia dos ecochatos (ou burrice mesmo?)

Um dos problemas dos progressistas em geral, o que inclui os ecochatos, é que eles tem exatamente o raciocínio simplista que acusam seus maiores adversários, aqueles que chamam de direita. Vejamos um exemplo didático.

Depois da polêmica daquele vídeo ridículo protagonizado por atores globais (nossa imitação de Hollywood, inclusive com a mesma “profundidade” de pensamento), ficamos sabendo que a usina de Belo Monte funcionaria com o sistema de fio d’água e não o de reservatório, o que implica em uma área alagada menor. Parece que este é o novo modelo a ser utilizado, atendendo às pressões ambientalistas. Parece tudo razoável, não é? Uma vitória para os verdes que evitam um projeto mais agressivo.

Só que tem um custo. A usina fio d’água tem um menor fator de capacidade que a de reservatório, o que significa que produz menos energia por potência instalada.

Desde o apagão o Brasil investiu os tubos em termoelétricas para complementar nosso sistema. Significa que toda energia que deixa de ser produzida em uma hidrelétrica é compensada com… termoelétrica!

Ou seja, para evitar o dano ambiental pelo alagamento se faz a opção por queimar combustível! Não é uma maravilha?

Duas hipótese para os ecochatos. Ou são hipócritas, ou seja, sabem exatamente o que está acontecendo mais querem vender a vitória parcial sabendo que pouca gente consegue associar uma coisa com outra e perceber o custo final. É o clássico de gastar 100 reais para economizar 10. Uma das grandes leis da administração pública: não poupa dinheiro para economizar.

A segunda hipótese é a da burrice. Não sabem como está sendo produzida a energia que a usina deixou de produzir. Na cabeça deles simplesmente deixa de ser produzida e pronto. Só que o mundo real é bem diferente, a sociedade precisa de energia e ela será entregue. Nenhum governo quer conviver com um apagão não é Dilmá? Portanto, toma queima de combustível!

E todos ficam felizes!

E aí o que vocês acham? Hipocrisia ou burrice?

Mais lama no ungido

É preciso que se dê por uma espécie de vitória já adquirida da verdade, à qual basta mostrar-se para vencer, sem necessidade de atacar nem de se defender. (Louis Lavelle)

Um dos sintomas de doença de uma sociedade é a necessidade de se provar o óbvio. Mais que isso até, a necessidade de se provar a verdade. Como Lavelle bem colocou, a verdade tem a força de precisar apenas ser mostrada para se impor. Quando temos que defender a verdade, a coisa já está bem complicada e é um sinal que vivemos em tempos turvos.

O Estadão de hoje apresenta uma matéria devastadora sobre a conexão de Lula com o mensalão. O que me espanta não é o que está no jornal, na verdade no depoimento de Marcos Valério, mas que esta conexão tão clara e óbvia necessite ser provada. É o clássico caso exposto por Marx, o inteligente e não o do furúnculo, quando disse a cérebre frase: afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?

Qualquer pessoa que não tenha seus pensamentos aprisionados por ideologias vagabundas sabe que o cara é profundamente corrupto, em todos os sentidos. Assim como sua sucessora por sinal, mas isso é outra estória. Ou não. Afinal a sucessora foi claramente beneficiada de todo esquema que tinha o mensalão como UM dos seus instrumentos; apenas o mais amador e tosco deles.

Desde o depoimento de Duda Mendonça na CPI dos correios ficou patente o que era a figura do Luis Inácio, o que chamou o congresso de 300 picaretas. Mas muita gente se recusa até hoje a acreditar nisso e não estou falando daquele pobre miserável que vive do bolsa família. Estou falando de gente com “diproma” universitário, alguns até doutores, de gente no topo de alguma pirâmide, seja social, econômica ou cultural. Gente que teria a obrigação moral de se escandalizar e se afastar dessa nojeira. Ao contrário, quanto maior a lama mais a defendem, mais se tornam dispostas a guerrear. Paralaxe cognitiva pura.

Sobre as acusações de Valério, não tenho nada a dizer. Sigo o espírito de Luis Lavelle. Não há necessidade de atacar ou defender, apenas de mostrar. Um bom resumo está neste post do Reinaldo. Boa leitura.

Como sempre estávamos pagando a conta

Finalmente o jornalismo comoçou a falar às claras o que estava apenas nas entrelinhas e Lula entra para o rol de alguns grandes presidentes brasileiros. Vai ficando cada vez mais claro para nós, pobres mortais, qual era o papel da tal Rose no lulismo. E por que tinha tanto poder.

Em post anterior comentei como uma funcionária de quinto escalão conseguia achacar delegados da polícia federal. Pois é, não era na condição de funcionária que tanta gente se curvava à poderosa não é mesmo?

Não sou nenhum moralista, longe disso; tento compreender sempre as nossas falhas, próprias do ser humano. Mas tirar dinheiro do contribuinte para pagar a vida de Rose e sua quadrilha já é demais, não?

Ainda mais de quem é considerado o pai dos pobres da modernidade! Pois é, quem diria que o governo tirava dinheiro da pobre assalariada sempre que esta comprava seu pão e seu leito e o repassava para Rose e todos que estavam ligados à ela. Até pensão de ex-marido estávamos pagando sem saber! Isso é um escárnio e mais uma evidência da podridão moral dessa turma que está no poder.

Confusão do público com o privado? Sérgio Buarque estava errado. Para duas coisas serem confundidas é preciso que sejam distintas. Hoje estamos mais para o público é privado. E não se trata de privação.

Como a justiça eleitoral está colaborando com o fim do interesse pelas eleições no Brasil

Em recente declaração, a presidente do TSE, Carmen Lúcia, chamou atenção, com preocupação, pelo desinteresse cada vez maior do brasileiro pelas eleições. Esse desinteresse teve seu reflexo maior nas altas taxas de eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos no segundo turno; fenômeno que teve sua maior visibilidade na eleição da capital paulista, mas que de maneira nenhuma foi uma exceção. A digníssima ministra tem toda razão em se preocupar, a eleição é um dos instrumentos de uma democracia sadia (e não o único como parecem pensar alguns “intelectuais”). No entanto, Carmen Lúcia, e o poder judiciário, precisam refletir sobre o próprio papel que desempenharam nas últimas décadas.

No dia 6 de agosto de 1989 tirei meu título de eleitor. Era o último dia para fazê-lo e o único que me era permitido, pois completara 16 anos no dia anterior; o que significa que fui um dos eleitores mais novos a votar na primeira eleição direta para presidente depois de algumas décadas. Lembro que o clima no Brasil era de emoção; a política era assunto do dia. Entre os candidatos estavam antigas e novas lideranças: Collor, Lula, Brizola, Maluf, Covas, Ulisses, Aureliano Chaves, Afif, Roberto Freire. Os confrontos nos debates eram memoráveis e quase não existiam regras, com um candidato interrompendo o outro a vontade. Corta para 2012, eleições para prefeito. O contraste não poderia ser maior, uma campanha insossa que terminou em um número recorde de abstenções, votos nulos e brancos. O que aconteceu?

A nível filosófico, talvez o grande problema seja a concepção que a justiça eleitoral criou sobre o processo eleitoral. No pensamento dos togados, os candidatos passariam a campanha discutindo as suas propostas para o exercício do cargo pleiteado. Não haveria troca de acusações e o eleitor decidiria sobre qual programa de governo seria o mais adequado. Os candidatos apenas seriam porta vozes de propostas técnicas que deveriam ser analisadas pelo eleitor. O papel da justiça eleitoral, portanto, seria de impedir que os postulantes se desviassem desse roteiro pré-estabelecido. Além disso, todos os candidatos deveriam ter chances iguais, independente de sua própria irrelevância política. De uma certa forma, a justiça eleitoral parece fazer de tudo para ter uma eleição apolítica, quase como uma disputa para síndico do prédio. Cometo uma injustiça, bem o sei, pois uma disputa para síndico de prédio pode ser muito mais emocionante que um debate entre Andrade, nome por qual Haddad é mais conhecido por seus eleitores,  e Serra. 

Esta postura da justiça eleitoral ficou evidente nas eleições presidenciais de 2006. Toda vez que a campanha de Alckmin ousava tocar no assunto mensalão, levava uma patada do TSE. Confrontar o candidato Lula com os malfeitos de seus aliados era proibido pois para a justiça o mensalão era ainda um processo em julgamento, sem estar provado. Sob o ponto de vista judicial pode até estar certo, mas uma eleição é um processo político. Não há necessidade de provas para que o eleitor tenha acesso a todos os fatos. No caso de 2006, havia todo o sentido de ligar Lula e o PT com o que foi revelado em 2005. Tanto o candidato quanto seu partido estavam, como está sendo provado somente agora, intimamente ligado ao esquema de corrupção política que foi montado no governo popular do PT. Neste contexto, o papel da justiça eleitoral foi de regulador das informações que poderiam chegar aos eleitores, quase como um censor.

No entender da justiça eleitoral parece que ligar um candidato ao seu passado, mesmo que recente, constitui-se de uma heresia. O eleitor deve decidir entre propostas concretas, seja lá o que for isso, pois é sabido que numa eleição o candidato promete tudo e mais um pouco. No caso de um candidato a reeleição, o maior trunfo da oposição é comparar o que o candidato prometeu para ser eleito e o que efetivamente realizou. Sempre foi uma bandeira do PT, e de seu candidato, a luta pela ética na política. Portanto confrontar o que pregavam com o que efetivamente fizeram era mais do que uma opção válida, era uma obrigação. Isso é política! O TSE parece entender que as eleições devem ser conduzidas como um processo judicial, com regras bastante estritas para disciplinar os candidatos.

A justiça eleitoral passou a querer moralizar à força o processo eleitoral, na prática se comportando como uma espécie de bedel das eleições. Comícios com artistas, nem pensar! O eleitor tem que enfrentar horas de espera para simplesmente escutar as propostas de um determinado candidato. Debates? Só se for naquela fórmula absurda de insossa, com tempos rígidos para falar e o total impedimento a um verdadeiro debate entre os candidatos. E nem pensar em deixar os nanicos de fora! São Paulo tem todo o direito de saber o que a mente brilhante do PSTU, um partido de inspiração declaradamente stalinista, tem para a cidade, mesmo que ninguém pense em votar nele. O que mais se vê é direito de resposta e multas voando para tudo que é lado; eleições viraram  uma verdadeira disputa judicial. Os partidos passaram a investir em bons advogados para conseguir suas vitórias nos diversos julgamentos que ocorrem durante o período.

Existem outros absurdos que não se caracterizam exatamente culpa do TSE e dos TRE, como o horário político obrigatório. O que se vê, especialmente nas eleições municipais, é um verdadeiro show de horrores onde candidatos se revezam em spots de 5 segundos para tentar passar alguma mensagem (?!), muitas vezes apenas o número e um bordão. Sem contar que o tempo da televisão é o principal ativo eleitoral para a construção de alianças políticas, o que é uma gigantesca distorção no processo. Tudo fruto de um absurdo modelo em que mais de 40 partidos políticos disputam a preferência dos eleitores, como se houvessem 40 correntes políticas diferentes no país e no mundo. No entanto, embora grande parte da culpa seja do legislativo, o judiciário consegue via de regra tornar as regras ainda mais absurdas ao tentar legislar no lugar das pessoas que foram eleitas para isso. O que já é ruim na origem, fica ainda pior nas mãos os togados.

A ministra Carmen Lúcia está correta. O desinteresse pelo processo político é uma ameaça para a democracia, mas deve começar com um mea culpa e iniciar uma discussão sobre o papel da justiça eleitoral nesse processo. O judiciário existe para fazer cumprir as leis e não para julgar as próprias leis em si. Não cabe ao TSE decidir como deve ser o processo eleitoral e qual deve ser o quadro final; isso é competência do legislativo e dos próprios atores políticos. Seu papel, muito relevante, é fazer cumprir as regras compactuadas. Do jeito que está, o processo foi esvaziado politicamente e ao invés de ser dirigido para um eleitor real foi construído, com relevante papel da justiça eleitoral, para um eleitor abstrato que está só preocupado em escolher tecnicamente a melhor proposta para a adminstração do estado. Uma dica, esse eleitor não existe! O homem é um ser político, como ensinava Aristóteles, e escolhe seus representantes e governantes por um processo político e não por uma suposta escolha de propostas que nada mais são do que obras de ficção.