Partiram: Hebe Camargo e Ted Boy Marino

Ted Boy Marino

Conheci-o pessoalmente no Rio de Janeiro. Era figura usual na feirinha de artesanato que existia no Forte do Leme, onde tinha uma barraca de churrasquinho. Vagamente lembrava dele nos Trapalhões, mas sua maior referência para a geração anterior à minha era das lutas de Telecatch, uma espécie de luta livre ensenada. Era um herói de sua época; hoje temos os lutadores do tal MMA. Trocou-se a fantasia pela realidade. Perdemos ou ganhamos com essa troca? Talvez existesse mais realidade das lutas de mentira de Ted Boy Marino do que nas lutas de verdade de hoje.

Hebe Camargo

Era um marco da televisão brasileira. Não lembro de alguma vez ter visto seu programa, mas seu nome transcendeu ao próprio programa. Era conhecida por quem a assistia e quem não a assistia. É tudo que posso dizer sobre ela.

Grande Chico!

Lamento profundamente não só a partida de Chico Anysio, como seu banimento da televisão nos últimos anos. Tem muita gente que está lamentando sua partida, ressaltando seu humor, mas que jamais o aceitariam se estivesse começando agora. É muita hipocrisia.

Ou alguém acha que os idiotas do politicamente correto aceitariam um humorista que fazia humor em cima de gays, líderes religiosos, ícones baianos, e etc? Em tempos de mediocridade intelectual, Chico seria execrado na primeira piada; provavelmente com direito a processo por discriminação!

Bando de hipócritas!

Adeus Chico, descanse em paz.

Uma palavra sobre o BBB

Não gosto nem um pouco do BBB, mas não é disso que vou tratar aqui. Muitos alegam que o programa é bom porque é real. Acho que na hora que uma pessoa sabe que está sendo filmado, deixa de ser real e isso vale para qualquer reality show. Duas coisas se juntam em um programa desses que acabam com essa pretensão de realidade: os interesses dos participantes e a edição das imagens. Monta-se o papel que quiser dessa forma. Qualquer novela de tv é mais real do que um programa desses. Pronto. Falei mais do que queria sobre o programa em si.

O que mais me interessa no BBB é o efeito nas pessoas que tratam do programa. Isso sim é realidade, é comportamento humano genuíno. O verdadeiro reality show está do lado de fora da televisão.

Uma das coisas que me fascinam são os julgamentos morais de si mesmos ao se referir ao programa. Isso não é próprio do BBB, se revela em outras áreas também como nas opiniões políticas, religião, filosofia. Na verdade, trata-se de um dos grandes males humanos, acreditar que sua opinião te coloca em um patamar superior de moral.

Muitos críticos do programa realmente consideram que são pessoas melhores porque não assistem o programa, revelando um certo desprezo pelos outros. Acho isso muito curioso. Eu não gosto do BBB, e não gosto com força, como diz um amigo, mas jamais me senti melhor do que meu vizinho por ele gostar de assistir. A questão é eminentemente pessoal. Não gosto e pronto.

Isso é mais comum do que se pensa. Quantos fãs de jazz ou de rock progressivo, por exemplo, andam com o nariz empinado como se o resto da humanidade fosse um bando de troglodita? Quantas pessoas não se consideram moralmente superiores por acreditarem nas promessas de Marx? Quantos religiosos não se consideram superiores por acreditar em determinada religião, mesmo que a pratiquem muito porcamente? É um fenômeno social interessante e que pode dar origem a muita coisa ruim.

Engraçado que a mesma pessoa que despreza o BBB por se achar superior “a essa coisa aí”, por vezes tem outros go

stos que é motivo de soberba por outro tipo de gente. Por exemplo, desprezo o BBB mas gosto de funk, para horror do fã de jazz e assim por diante. Ninguém tem telhado de vidro!

Por isso afastem de mim essas listas de assinaturas para tirar o BBB da TV ou coisas do gênero. O dia em que a audiê

ncia despencar, o programa sai do ar. Acontece isso todos os dias. Se dá audiência, tenho mais é que respeitar o direito de quem quer assistir, por mais que considere tudo aquilo uma porcaria sem tamanho.

Liberdade para mim tem muito de respeitar o direito das pessoas fazerem coisas que eu não gosto. Respeitar a

penas o que você concorda é fácil, o duro é aceitar opiniões e decisões que consideramos absurdas, mas esta é a essência de uma vida realmente tolerante e de uma sociedade mais harmônica.