Rerum Novarum

Rerum Novarum foi a encíclica que apresentou a doutrina social da Igreja Católica para a modernidade, divulgada em 1891. Mais do que uma visão econômica, tratava-se de uma visão abrangente dos novos desafios que os principais atores da sociedade moderna teriam que superar para promover uma sociedade mais justa e harmônica.

Neste artigo eu apresento a encíclica e comento suas principais passagens.

A preocupação da Igreja era com a substituição das cooperativas de operários pelas fábricas modernas. Desta forma, havia uma concentração da propriedade nas mãos de poucos e a distribuição de riquezas era uma consequência da perda da autonomia dos trabalhadores. Ao invés de tratar das riquezas, a encíclica faz uma defesa enfática da distribuição da propriedade. O salário não podia ser um instrumento de opressão e escravidão para o homem.

A encíclica rejeita o dogma da luta de classes marxista e defende o oposto, a conciliação de classes. Tratando de trabalho e capital, ambos precisam um do outro, ou seja, o capital precisa do trabalho e o trabalho precisa do capital. O patrão precisa dos trabalhadores e os trabalhadores precisam dos patrões. Desta forma, há direitos e deveres em ambas as partes.

Estes direitos e deveres só encontram seu verdadeiro alcance com base na ética e moral religiosa, no espírito de fraternidade que pode ser resumida na virtude da caridade.

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Outro dia me cobraram um post sobre o que achava da renúncia do papa. Eu tinha a impressão que tinha escrito a respeito e fui conferir. Realmente, falei da minha admiração por Bento XVI, que considero o maior intelectual vivo, mas não disse o que achava de sua renúncia.

Fiquei pensando, pensando e cheguei a conclusão que não tenho absolutamente nada a dizer. Simplesmente porque não sei nada a respeito. Nada entendo de política do Vaticano, não sei as intenções do papa, das supostas pressões. Nesse ponto estou como Sócrates, só sei que nada sei. E desconfio que quase 100% do que estão vendo na imprensa vem de gente que sabe menos ainda do que eu. Quanta bobagem! Quanta barbaridade!

Pode ser que Ratzinger, que acompanhou bem de perto todo o pontificado de João Paulo II, não quisesse o mesmo destino, ou seja, sofrer a decrepitude em praça pública. Vejam, antes dava para esconder o papa e tocar no piloto automático. Hoje, na época do Big Brother, é impossível. A imprensa e os inimigos da Igreja Católica estão lá, prontos para explorar cada segundo.

Pode ser que Ratzinger estivesse cansado da política papal. Afinal, é um intelectual, um teólogo e não um homem político, um homem de ação.

Sobre uma conspiração que o forçou a renunciar, duvido muito. Fosse tão fácil um papa renunciar teríamos tido algumas nos últimos séculos não é verdade? Além do mais, a renúncia pegou toda a imprensa de surpresa. Uma conspiração sempre deixa pistas, o que me parece sinal de que foi realmente uma decisão íntima e pessoal deste grande homem.

O que vai ser daqui para frente? Eu sei lá! Só espero que os cardeais não escolham um desses moderninhos que acham que a Igreja pode violar alguns de seus fundamentos para se adaptar ao mundo. Espero, sinceramente, que Ratzinger possa influenciar na escolha para ter um homem de ação, um líder religioso, com a cabeça no lugar.

A imprensa mundial já começa sua pressão para que a Igreja escolha um nome moderno, para provar que está “atenada” com os novos tempos. É a mesma que empurrou os americanos a votarem no orelhudo para provar que não são preconceituosos. Querem que a Igreja deixe de ser Igreja, só assim ficarão felizes. Vão rezar para seus santos seculares! Deixem os católicos em paz!

Como ex-católico tenho minha diferenças com a Igreja. Acho que o concílio de Constantinopla II foi para o caminho errado quando enterrou a teoria da pré-existência da alma de Platão, o que significou a exclusão da crença na reencarnação, comum nos cristãos primitivos. Aliás, este concílio é uma das histórias mais mal contadas do catolicismo! Mas isso é uma questão menor, que não me impede de admirar a obra gigantesca da Igreja Católica em nos conduzir das trevas do fim do império romano, através das luzes da Idade Média, passando pelo apagão do iluminismo até chegar nesses tempos difíceis e confusos, como aliás estava previsto na Bíblia.

Devo muito à Igreja Católica, e nunca me cansarei de repetir isso. Ler as obras de Bento XVI sempre foram um prazer enorme para mim. Primeiro pela iluminação, depois por ver uma pessoa que tem os primeiros princípios corretos.

Só espero que o afastamento de Bento XVI do papado não seja seu afastamento da vida pública. Algo me diz que ele ainda tem muita a dizer para todos nós, independente de religião.