Só há uma solução para o MEC

Um dos principais problemas da ideologia, como mostrou Eric Voegelin, é a corrupção da linguagem. George Orwell, em 1984, já tinha identificado o problema. Nenhum sistema ideológico pode funcionar se as palavras continuarem a se referir a entes da realidade, ou seja, ao mundo real. Um exemplo é o nome Ministério da Educação.

Educação por que? Por acaso o Ministério promove a educação de quem quer que seja? Ninguém que coloque Paulo Freire junto com a palavra educação não pode funcionar com este nome. Não faz muito tempo este Ministério soltou uma nota de um parágrafo com três erros de gramática! Não tem revisores no ministério? Ou pior, será que passou por uma revisão?

O que vemos agora? Redações com erros gritantes de ortografia tiraram nota máxima no tal ENEM! Os próprios alunos já estão esculachando e um deles escreveu uma receita de miojo no meio de uma redação sobre imigração ilegal; tirou acima de 5! Ele mesmo exibiu sua redação no facebook ironizando os critérios de correção dos palhaços que se submetem a participar deste circo. Palhaço, pois me recuso a chamar de professor quem usa critérios como esse para corrigir um trabalho escolar. Deveriam ser os primeiros a defender o sentido das palavras! Mas num país que produz um Marcos Bagno (pesquisem), e lhe confere um título de doutor!, não se pode imaginar outra coisa.

O nome correto seria Ministério dos Diplomas. É a única coisa que o MEC consegue produzir, e mal como pode-se perceber.

Cada vez sou mais convicto que o Brasil ficaria melhor se não houvesse nenhum ministério cuidando da educação. A total anarquia não produziria um resultado tão desastroso quando os burocratas do governo. Fecha aquela porcaria e prende todo mundo que estão promovendo um crime contra toda a população brasileira e não consigo acreditar que seja por incompetência. Tem que ter muita premeditação para promover o nível de educação que temos no país. Basta ver nosso resultado nos testes internacionais, ficando atrás, inclusive, de nações africanas!

É um desastre.

 

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Dia do Professor

Hoje é o dia em que se comemora no Brasil, sem aulas, o dia do professor. Acho uma certa falta de lógica comemorar o dia afastando professores dos alunos, mas vá lá. Nem tudo tem lógica nesse mundo.

Como sempre, é o dia que parecem lembrar desse profissional tão importante para qualquer sociedade e a conclusão é sempre a mesma: é preciso valorizar o professor. Tudo de boca para fora evidentemente, mas um dos temas no Brasil marcado apenas por discursos retóricos vazios é o da educação.

Valorizar o professor parece significar uma única coisa: aumentar salários. É uma visão muito limitada e coorporativista da coisa. Existem professores que ganham bons salários, assim como existem os que ganham salários ruins. Logo, existem professores ” valorizados “, mas onde estão?

Em primeiro lugar estão nas grandes universidades públicas do país. Ganham excelentes salários e possuem um importante benefício, trabalham quando e como querem. Se o professor tem o ensino como missão pessoal, quase religiosa, estará retribuindo os recursos que recebeu da sociedade. Muitos, entretanto, são mestres na tarefa de enrolar seus alunos e simplesmente fingem que trabalham. O problema é que não há como diferenciar um do outro, ambos são considerados juntos nas políticas salariais e nas reivindicações de valorizar o professor. Por que ninguém fala em valorizar os bons professores?

Mas não é apenas no setor público que temos bons salários para professores. Acontece também no setor privado, nos cursinhos preparatórios para concursos e cursos de especialização, particularmente na área de gestão. É por que ganham bons salários? Porque são os setores da educação que são valorizados pela sociedade. Ninguém se matricula em um cursinho para ganhar um diploma, mas para passar no concurso. Isso implica que os professores devem mostrar competência; caso contrário, rua. No caso dos cursos de especialização, empresas buscam melhorar a qualificação de seus recursos humanos e não diplomas para seus funcionários.

Essa constatação leva ao que considero o ponto chave da questão, não é que o brasileiro não valorize o professor, ela não valoriza a educação em geral. Nos poucos casos onde a qualidade é exigida, os professores são bem pagos.

Antes de falar em valorizar o professor temos que refletir e equacionar o problema da valorização da educação. Em geral, independente da classe social, não exigimos de verdade a qualidade na educação; queremos que nossos filhos tirem boas notas e consigam o diploma. De preferência pagando a menor mensalidade possível.

O Ministério da Educação está com o nome errado, deveria chamar-se Ministério dos Diplomas.  Por que o diploma é mais importante que o aprendizado? Ao invés de pedir mais verbas para a educação, deveríamos fazer um amplo debate em torno destas questões. Infelizmente a educação está tão atoladas de ideologias e metodologias fracassadas que pouco se avança neste sentido.

Por isso não participo do coro que pede a valorização do professor. Meu coro é outro. Por que existem bons professores com salários ruins? São esses professores que devem ser valorizados, através da valorização da educação como um todo. Bons salários para bons professores.

Temos que agir nas causas e não nos efeitos.

Parabéns aos bons professores que fazem a diferença, que realmente respeitam seus alunos e os conduzem com mãos seguras nas fronteiras do saber. Podem ter certeza que ficam na memória de seus alunos eternamente, como referência e com gratidão.

Infelizmente, do outro lado, temos os molestadores intelectuais, aqueles que não estão interessados em ensinar e conduzir seus alunos nos caminhos do conhecimento, mas doutriná-los em suas próprias ideologias. Esses não precisam ser valorizados; precisam ser denunciados.

Importância da didática

Didática do Ensino Superior

Antônio Carlos Gil

 

Esse ano comecei a dar aulas em uma universidade. Pelo que percebo, poucos professores se interessam por estudar a parte didática, principalmente na área tecnológica. Acredito que existe uma forte reação a tudo que venha da área de humanidades. Particularmente acho a pedagogia no Brasil um desastre e o resultado do nosso ensino é em parte gerado pela quantidade absurda de abobrinhas que saem das nossas faculdades, daquela salada de Piaget, Paulo Freire, Vigotti, etc. Ainda precisamos nos livrar do marxismo barato que tanto atraso gera na educação do mundo inteiro.

Revoltas a parte, sempre me interessei pelo processo do ensino como um todo. Acredito que ser professor não é simplesmente entrar em uma sala de aula e sair expondo o assunto. Acredito em planejamento, na concepção do curso, seus objetivos, as aulas, avaliação, etc. Sempre tive pela questão da didática uma relação de humildade e abertura, procurando realmente refletir e aprender coisas novas, a maioria delas bem velhas.

Esse livro de Antonio Carlos Gil atende bem essa parte. Não fica focado apenas no que acontece na sala de aula. Faz um apanhado sobre os papéis de cada um, o planejamento de ensino, como elaborar objetivos educacionais, plano de aulas, didáticas de sala de aula, avaliação, ética, etc. Seu grande mérito é chamar atenção para a complexidade que é a didática do ensino superior. Por isso mesmo cada vez fico mais convencido que uma pessoa só não consegue fazer tudo isso bem, pois cada etapa exige habilidades especiais. Um dos erros de nosso sistema (?!?) é querer que uma pessoa só, o professor, dê conta de tudo isso. Não há como. É trabalho para especialistas e por isso acredito na divisão do trabalho na educação. Alguém pensa o curso, outro elabora os planos de aula, outro pensa nas didáticas adequadas, outro faz a parte de sala de aula, um elabora provas; assim por diante. Pior que muitos professores, talvez a maioria, acredita que dividir qualquer tarefa é diminuir sua independência.

Como sempre existem pontos que discordo sempre que leio livros de pedagogia. Para começar um livro de educação que cita Paulo Freire e não sita Aristóteles tem um defeito de origem. Somos tributários do imenso trabalho que o Grego nos deixou sobre o tema, mas alguns séculos tentando destruir essa paternidade deixou suas marcas nos pedagogos, que nem imaginam o quanto devem ao mestre.

Algo que sempre me pareceu muito lógico e hoje começo a duvidar é o papel central do aluno no processo educacional. Quando penso em uma sala de aula com 50 alunos e um miserável tentando conduzir o processo da melhor forma possível, me pergunto se não tem uma coisa ilógica aí. Como se pode ter 50 centros em um grupo de 51 pessoas? Esse papel de “facilitador” de ensino cada vez me convence menos. Estou começando a refletir a partir desse ponto: será realmente o aluno o centro do processo educacional?

De qualquer forma, valeu a leitura do livro do Gil e acho que me enriqueci muito com os assuntos que abordou, embora muita coisa não tenha sido digerida como o autor talvez tenha imaginado. Paciência. Mas definitivamente é um bom guia do que está envolvido no processo de ensino superior.

Foi real, em uma universidade

Aconteceu em uma Universidade brasileira, contada por um amigo. Ele é professor do curso de ciência da computação.

_ Bem, o que eu quero de vocês é o seguinte: um algorítmo que o usuário entre com um número qualquer e se faça uma verificação deste número. Se o número for negativo, retorna o seu absoluto. Alguma dúvida?

_ Professor, o que é absoluto?

_ É o valor do módulo do número, o valor sem o sinal.

Outro aluno interrompe tentando esclarecer o colega:

_ É o número sem a vírgula. Só pegar tudo que tem antes da vírgula.

_ Não, isso é número inteiro. Valor absoluto é o número sem considerar o sinal.

Depois de um breve silêncio, uma aluna resolve participar.

_ E como eu sei se um número é negativo?

Felizmente as coisas vão melhorar com as cotas!