Campeonato Carioca? Fala sério!

A mídia tenta tirar leite de pedra quando trata o Campeonato Carioca como uma competição. Análises sobre o tropeço do Flamengo, as declarações de Dorival Jr, o tropeço do Botafogo, a média baixa de público. Tudo balela.

O Campeonato Carioca não existe mais! O que existe na prática é um conjunto de jogos que atrapalha a pré-temporada dos times, que se pudessem começariam jogando com reservas e só colocariam os titulares no final da competição, só para preparar para o que importa. 

Mas não podem. Infelizmente técnicos perdem emprego por mal desempenho no estadual, o que é um absurdo! Estão começando a montar um time, deveriam ter espaço para experimentação e aquisição de ritmo.

Sim, o Flamengo empatou com o Madureira no meio de semana. O que significa isso? Rigorosamente nada! Assim como qualquer outro grande que perca pontos para os pequenos, que estão treinando desde o ano passado para a competição.

Quem viu o que era o campeonato carioca, nos tempos que ainda tínhamos Bangu e América brigando pelo título, sabe a porcaria que está vendo. Em uma profissionalização do futebol não tem sentido nenhum os grandes disputarem uma competição nestas condições.

Não é que o carioca tenha que acabar, ele já acabou! Os times estão apenas jogando os destroços.

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Ano difícil para o Flamengo

A gestão Patrícia Amorim, especialmente o ano passado, são para esquecer. Dos três anos que esteve à frente do clube, só tivemos alguma alegria na primeira metade de 2011, na euforia da chegada de Ronaldinho e Tiago Neves, mas a eliminação na Copa do Brasil diante do Ceará, independente da roubalheira que foi o jogo, já antecipava que não havia consistência para durar muito tempo.

O brasileirão do ano passado então foi um fiasco completo, do início ao fim. O torcedor rubro-negro ficou aliviado quando a ano terminou sem maiores traumas, como o rebaixamento. A única alegria foi a defenestração da incompetente que dirigia o clube, com toda sua diretoria.

Só que a alegria não vai durar muito pois 2013 deve ser um ano de ajustes, de recuperação da imagem dilapidada. A prioridade da diretoria é colocar os salários em dia, condição indispensável para começar a pensar grande. É ilusão encher o time de craques e não pagá-los, como aconteceu com Ronaldinho e tantos outros; eles simplesmente param de jogar. 

Aos poucos a diretoria está se livrando de jogadores caros que rendem pouco, como Botinelli. O próximo parece ser o Liedson. Tudo para reduzir a folha e abrir espaço para alguma contratação, mas não esperem muito neste ano. A não ser que a nova diretoria tenha uma improvável carta na mão.

Tudo posto, as metas para este ano devem ser modestas. O máximo que pode-se almejar é ganhar a copa do Brasil, que comprovadamente não precisa ter um bom time para vencê-la, como mostrou ano passado o Palmeiras. Dá até para ganhar o estadual pelo mesmo motivo. No Brasileirão o buraco é bem mais embaixo e não ser rebaixado, lutar pelo meio da tabela, já é o máximo que podemos almejar. Pouco não? Mas é a realidade, não adianta lutar contra ele.

E pelo amor de Deus! Esqueçam campeonato carioca! Essa porcaria não serve para nada, apenas para montar o time para o campeonato brasileiro. O grande problema é que a torcida não consegue entender isso, mas é preciso segurar a pressão. Quando penso que o Andrade foi demitido pela campanha no estadual de 2010! Por duas derrotas contra o Botafogo! Tenham paciência!

Tudo indica que 2013 será um ano difícil para o Flamengo, mas necessário. Os frutos virão nos dois anos seguintes da atual diretoria. Mas podem já montando um gabinete de crise, vão precisar!

O Mico das Américas

Isso é que dá populistas no poder. Aliás, o jogo foi a metáfora do que está acontecendo em boa parte da América do Sul.

Dois governos populistas se unem para fazer um evento. Um deles, organizador do jogo, resolve fazer política para “beneficiar” os mais “humildes” e leva o “clássico” para um estádio de quarta divisão para beneficiar o líder político local, pró-governo.

Resultado: o jogo acontece e quem deveria se beneficiar, os “humildes” da região acabam não vendo jogo nenhum. Como os pobres que acabam não vendo os benefícios que supostamente receberiam pela política governamental teoricamente voltada para eles. Essa é a estória da esquerda no poder, particularmente a nossa, que vive ainda na guerra fria.

Muita promessa e nenhum resultado. Acabam todos sem nada.

Menos os criadores, claro.

Mais diferenças esportivas

Como escrevi em post anterior, é interessante observar as diferenças culturais na relação com o esporte entre grande parte do mundo, incluindo o Brasil, e os Estados Unidos. Esta semana tivemos outro exemplo.

Os árbitros da NFL (Liga de Futebol Americano, o da bola oval) estão em greve. As três primeiras rodadas foram disputadas com os chamados substitutos, árbitros de ligas secundárias. Tirando algumas pequenas polêmicas, a coisa até que ia razoavelmente, apesar da chatice de escutar os comentaristas brasileiros repetindo a todo momento ” paguem as zebras!” a cada erro ou decisão discutível de arbitragem.

Até que veio o jogo de segunda, entre Seattle e New England. No último segundo a arbitragem deu a vitória para o Seattle em um Touchdown para lá de polêmico. O mundo americano literalmente veio abaixo. Políticos, atores, jogadores de basquete, enfim, todo mundo veio a público crucificar a decisão e exigir justiça. A NFL subtamente se reuniu com os árbitros em greve e hoje eles já estão de volta. Os americanos simplesmente não aceitam que um erro de arbitragem possa decidir uma partida.

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Fiquei pensando no velho esporte bretão onde erros de arbitragem definindo jogos são muito comuns. Lembro que João Havelange, ainda como presidente da FIFA, chegou a declarar que fazem parte da emoção do futebol. Geram polêmica, rivalidades, e contribuem para a exposição do esporte na mídia. Ontém fiquei sabendo que o clássico interestadual de maior público no Brasil é Flamengo e Atlético. Com certeza a imensa rivalidade gerada pelas decisões da arbitragem na final do brasileiro de 80 e na disputa da libertadores 81 foi fundamental para esses números. O brasileiro, e talvez grande parte do mundo, sabe que não é justo uma decisão de um árbrito definir uma partida, ainda mais um campeonato. Mas sabe também que a vida é assim.

Talvez alqui tenhamos uma diferença cultural importante entre dois tipos de espírito. Um que não se conforma com o que considera injustiça e quer corrigi-la; outro que aceita a injustiça como parte da vida. O futebol americano possui a organização de como um sistema deve funcionar, com todos exercendo seu papel e premiando-se o mérito. O futebol é muitas vezes o caos, com injustiças acontecendo a todo momento, seja o jogo limpo ou não.

Poderia estar aqui uma das razões pela paixão americana pela bola oval. A despeito do resto do mundo.

Esportes e suas nuances

Como tenho assistido muito futebol americano, comecei a refletir um pouco sobre o que faz um esporte popular em um determinado país. É impressionante ver os estádios completamente lotados desde a primeira rodada do campeonato e verificar o contraste com nossa realidade no Brasil.

Não é segredo que os americanos simplesmente não conseguem compreender que o restante do mundo, inclusive a Europa, tenha o futebol como esporte mais popular, a ponto de seu evento maior, a Copa do Mundo, rivalizar com as Jogos Olímpicos. Aliás, dizem que a época do mundial é quando os Estados Unidos ficam estarrecidos com a locura do "resto do mundo".

Mas porque a diferença? Por que no Brasil temos a paixão pelo futebol bretão e os irmãos do norte são apaixonados pela bola oval?

Se pensarmos no nosso futebol, temos algumas características:

– Um jogo isolado é imprevisível. Não se trata apenas do time pior conseguir ganhar do time melhor, mas que um time pode ganhar um jogo jogando pior do que o perdedor! Para um americano, isso deve soar incompreensível. Como pode um time jogar pior e ganhar o jogo? Como fica o merecimento? Não seria uma injustiça? No futebol americano um time pior pode ganhar o jogo, mas necessariamente terá jogado melhor naquele dia específico.

– Estatísticas valem muito pouco. É fácil advinhar o ganhador de um jogo no futebol americano sem ver o placar. Basta pegar as estatísticas do jogo, jardas percorridas, corridas, posses de bola, etc. No futebol se um time chutou 1 bola no gol e o outro 20, o que chutou uma pode ter ganho! Aliás, pode ganhar sem chutar uma única bola no gol; basta ter um gol contra.

– No futebol um jogo completamente desequilibrado pode ser decidido em um único lance. Para que isso aconteça no futebol americano é necessário que o jogo seja equilibrado. Caso contrário, o resultado do jogo será construído ao longo de toda a partida.

– Um único jogador é capaz de vencer uma partida praticamente sozinho. Aliás, é capaz de ganhar uma copa! Coloque um jogador excepcional em um time, com jogadores esforçados e temos a Argentina de 86. Junte Romário e Bebeto e temos o Brasil de 94. No futebol americano, por melhor que seja, um jogador não consegue vencer sozinho. O jogo de equipe é fundamental. Cada jogador tem um papel a desempenhar e o nível de especialização chega ao absurdo. Tem jogador que nunca tocou e nem tocará na bola.

– Estratégia. É fundamental no futebol americano. No nosso, nem tanto. Técnicos medíocres, jogando na velha tática da padaria (defesa em bolo, ataque em massa), já ganharam campeonatos. Estratégia? Bola para o mato que o jogo é de campeonato.

Refletindo sobre tudo isso, não começo a pensar se o nosso futebol não é popular justamente porque é muito parecido com a vida real. Nem sempre o melhor vence. Nem sempre um bom trabalho é recompensado. Injustiças acontecem o tempo todo. Lances isolados podem definir um destino, colocar tudo a perder ou concertar o que está quebrado. Estatísticas? O impenderável pode destrui-las todas.

Já o futebol americano talvez seja o que melhor reflita a vida coorporativa tão cara aos americanos. A estratégia é fundamental para vencer. Há a divisão do trabalho, a especialização. O trabalho em equipe é chave para o sucesso. As estatísticas apontam o caminho a ser percorrido. O trabalho bem feito é recompensado no final.

São duas formas de ver a vida que se espelham na relação do indivíduo com o esporte. Ou não?

Como espetáculo, nosso futebol é um fracasso

Este ano comecei a acompanhar a liga de futebol americano, já me preparando para a temporada de um ano que passarei nas terras do tio Sam. Estamos na segunda rodada do campeonato, mas o contraste com nosso campeonato brasileiro é acachapante.

Nem estou falando como esporte, mas como espetáculo. E que espetáculo! TODOS os jogos que assisti nestas duas semanas, disputados em estádios para 70 mil torcedores, estavam lotados. Os gramados impecáveis. Transmissão irretocável.

E o que temos no brasileirão? Deu umas olhadas no Vasco e Cruzeiro e o campo era simplesmente um pasto. Sem contar o estádio, acanhado, sem a menor condição de ser palco de um verdadeiro espetáculo. Estádios vazios, campos horrorosos, brigas, caos para estacionar; tem um pouco de tudo. Realmente temos um longuíssimo caminho para percorrer para chegar no nível de profissionalismo que os americanos tratam seus esportes.

A comparação é deprimente.