Gostaria de entender: por que os que pagaram o mensalão receberam penas menores do que os que o operaram ou por que os corruptores pegaram penas menores do que os corrompidos?

Praticamente está tudo definido. 

A turma dos políticos ficou com uma pena variando de 5 a 10 anos; a maioria em regime semi-aberto.

A turma dos bancos pegaram penas que chegaram a 40 anos.

Juro que não entendo. José Dirceu roubou uma nota preta dos contribuintes (dinheiro público é uma pinóia! ) e usou Marcos Valério para pagar um sem número de gente, partidos políticos e outras mais. 

Dirceu pegou 10 anos; Valério 40. Por que? Em que o crime de Valério é 4 vezes maior do que o de Dirceu?

Algo está muito errado nessa estória! Ou na lei, ou na sua interpretação. Ou em ambas. E dessa vez não dá para colocar a culpa apenas no Lewandowsky e no Tóffoli. 

Que papelão da justiça brasileira!

Prisão para o herói do povo brasileiro

Deu tudo errado.

Onde estão os bufões? Cadê aquela gargalhada do Delúbio Soares dizendo que iria terminar tudo em pizza? Tudo em vão. José Dirceu está condenado; assim como Genuíno e Soares. E vem mais coisa por aí.

Se achava o julgamento um sucesso independente da condenação do gerente executivo do mensalão, fico ainda mais satisfeito pela decisão de ontem. Reparem que usei o termo gerente executivo. Para mim, palavras possuem sentido. E sempre tem alguém acima de um gerente executivo.

Deixa para lá, fica para uma próxima.

De positivo para o PT só ficou o surgimento de mais um candidato forte para o partido. Chama-se Lewandowski. Realmente o cara fez por merecer; nem os advogados o partido tiveram tanta coragem como ele!

Tchau Dirceu! Em 2002 sonhava em suceder Lula.

Agora sonho que um dia Lula o suceda.

Saiu da história para entrar na obscuridade, de onde nunca deveria ter saído!

Mensaleiros falam em recorrer

Aos poucos aparecem declarações de mensaleiros dizendo que irão recorrer a cortes internacionais.

Que recorram!

Adoraria ver seis feitos divulgados no mundo. Quem não viu o que foi o mensalão não consegue ter a idéia do que foi, até porque parece inimaginável tamanho o absurdo da coisa. Sei que a ideologia é uma droga poderosa, capaz de cegar qualquer um; mas tem coisas que são tão evidentes que é impossível negar sem corar.

Recorram valentes! Digam que foram perseguidos no Brasil, que foram justiçado quando na verdade estavam apenas zelando pelo patrimônio público e trabalhando para fazer um Brasil melhor.

O mensalão é a cara do PT.

O PT é a cara do mensalão.

Só é cego quem quer.

O caminho para a falsidade

Ensina Aristóteles em Retórica, que uma pessoa só comunica um juízo falso, um erro, em uma das seguintes situações:

  1. Quando falta o bom senso: neste caso a pessoa realmente se engana sobre o que seja a verdade, ou seja, está de boa fé mas desconhece a verdade.
  2. Quando falta a ética moral: a pessoa sabe qual é a verdade, mas por alguma conveniência deixa de comunicar o que sabe. Em outras palavras, mente deliberadamente.
  3. Quando falta a boa vontade: a pessoa tem o bom senso para saber a verdade, mas por não querer desagradar ou entrar em polêmicas prefere silenciar, deixando de comunicar o que realmente sabe.

Analisando o mensalão, depois de tudo que já veio à tona, não há como alguém defender seus participantes baseado na primeira situação. Não há falta de bom senso que justifique não saber o que aconteceu. Não há como defender o que aconteceu baseado na boa fé.

Portanto, quem está defendendo Ali Babá e sua turma pode escolher entre a opção 2 ou 3. Não há escapatória.

Na verdade, Aristóteles não considerou uma quarta possibilidade, uma que ganhou grande força no pensamento de esquerda, herdando o conceito de Maquiavel, embora destorcido. Talvez Aristóteles tenha até considerado, mas não acreditou que fosse possível. Trata-se da pessoa saber a verdade, admitir a verdade mas considerá-lo como exemplo de virtude. Uma derivação de Maquiavel. No fundo, a esquerda escocesa sabe o que aconteceu, e até admite!, mas ressalta que trata-se apenas de uma arma política como qualquer outra pois tudo se destinava a construir um Brasil melhor.

Contra esses, recorro novamente a Aristóteles, e São Tomás de Aquino, uma ação para ser boa tem que ser boa nos propósitos e nos meios. O fim não justificam os meios.

Não discuto mensalão. A verdade se impõe por si só. Não é preciso provar que existiu, salvo no julgamento formal. É preciso apenas que se aceite e entenda que nada justifica utilizar dinheiro público, ou seja do contribuinte, para comprar apoio político.

Você já aceitou a verdade?

Mensalão: avanço?

Hoje se define o destino do primeiro político acusado no mensalão: João Paulo Cunha. Na hierarquia do petismo, seria um peixe grande, mas não graúdo. Já foram condenados um ex-diretor do Banco do Brasil, aquele banco de todos os brasileiros, um publicitário especializado em lavagem de dinheiro e seus sócios. Uma das questões que se coloca desde o início do julgamento é o que caracterizaria um marco contra a impunidade? A condenação de José Dirceu? A condenação de políticos mas sem a inclusão do mais graúdo? A condenação de pelo menos alguns?

Alguns defendem que se não forem todos condenados será caracterizada a “pizza suprema”. Sem a cabeça de Dirceu, nada feito. Parece que os advogados do petismo dentro do STF _ e já ficou óbvio quem são _ trabalha com essa hipótese: joga-se os bagrinhos ao sacrifício para salvar os sacerdotes. Joga-se fora os anéis para preservar os dedos.

Outros defendem que apenas o fato de haver o julgamento já é uma vitória contra a impunidade. Afinal, nunca se viu um esquema de corrupção desse ser julgado com tanta exposição. Mesmo o julgamento do ex-presidente Collor se deu de forma muito mais discreta, fora dos holofotes. Nesse caso não, o julgamento está em cada esquina. O próprio Ali Babá ex-presidente Lula teve que se defender no New York Times.

E você leitor, o que acha? Existe um resultado aceitável para o julgamento? Qual seria?

Vaidade suprema

O nosso Supremo está reunido para julgar o mensalão, talvez o caso de corrupção mais documentado da história da humanidade. Sabe-se que corruptos não costumam assinar recibos, mas se alguma vez chegaram bem perto disso foi no esquema denunciado por Bobby Jeff. Tanto que ficou impossível negar que o dinheiro passou nas mãos dos acusados e toda a defesa ficou concentrada em enfatizar o destino do recurso. Como não dava para alegar que ia para instituições de caridade, a melhor saída foi jogar tudo no tal “caixa dois de campanha”. Saída bolada pelo famoso advogado de bandidos que fez história como ministro… da justiça! Coisas do Brasil.

Acho interessante observar o comportamento dos ministros do STF. O verdadeiro BBB é esse aí, e não aquela coisa toda montada e editada que aparece de tempos e tempos na globo. Se querem ver a amostra da humanidade confinada, nada melhor do que as intermináveis seções de julgamento do supremo. Ali o personagem principal não é nenhum dos votantes, mas o maior pecado do homem, a vaidade.

Não vou nem entrar no caso particular do Lewandowski, empenhado em melar o julgamento de todas as formas. Esse já era esperado por todos.

O que tem surpreendido algumas pessoas é o comportamento de Marco Aurélio de Melo. Eu não. Escrevi na outra casa sobre uma entrevista que ele deu na Veja em 2008. Em certo momento, falando sobre a questão do aborto e eutanásia, disse o que se segue:

Mas o STF está preparado para discutir esses assuntos?
Meu tempo na corte dura mais oito anos, quando completarei 70 anos. E tenho certeza de que ainda estarei aqui quando essas discussões acontecerem. A tendência é de uma abertura cada vez maior do Supremo em relação a esses temas. Mesmo porque outros ministros, alguns com visões mais conservadoras, se aposentarão antes de mim

Observem que não se trata do comportamento de um juiz, mas de alguém com uma causa. O papel de um ministro do STF deveria ser simplesmente de dar seu voto e deixar que a maioria decida e não querer que seu voto seja vencedor. Isso é a vaidade funcionando; ela de tão maus conselhos aos homens. Pior, se para a tese vencer, tiver que contar com a aposentadoria de ministros, que assim seja!

Parece que os ministros sabem que o voto de Peluzo será decisivo no processo. E alguns explicitamente trabalham para que não vote. No caso de Lewandowski se entende. Tófoli é outro que não me engana. Está quieto, sempre ponderado, tentando não chamar os holofotes para si para não queimar sua posição antes da hora, até porque é o de posição mais delicada devido a suas ligações com a cúpula petista. Mas Marco Aurélio, o que o move?

Uma tese que começo a formular é que o ministro sofre de um tipo perigoso de vaidade. Aquela que pretende ter razão onde todos estão errados. O desejo, consciente ou não, de ser o único que vê a luz, que consegue entender as coisas. Para esse tipo de vaidoso, ir contra a maioria é absolutamente necessário, é o que o move.

Alguns pensam que tudo é interesse, que toda ação de um homem público tem uma maquinação por trás. Na maioria das vezes eu vejo a boa e velha alma humana com todas as suas falhas. E pecados. Sim eles ainda existem apesar de toda a luta dos modernos em abolir toda a moral da face da Terra para desfrutarem da liberdade absoluta que sempre sonharam, o que é naturalmente uma ilusão pois a maior liberdade é a de submeter a uma moral!

E o pecado ronda mais fortemente homens que abrem suas almas para a vaidade, como é o caso dos 11 homens e mulheres que sentam-se naquele tribunal.

Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastesvaidade das vaidades! Tudo é vaidade.