Notícias da segunda

Sequestration

Vai pegar fogo esta semana o debate no Congresso sobre o tal do Sequestration. Ano passado, para resolver o impasse sobre autorização para aumento na dívida, a Casa Branca veio com uma solução mágica. O aumento seria autorizado mas haveria um prazo para que se chegasse a um acordo sobre os cortes, caso contrário o corte seria feito em todo o orçamento, horizontalmente. Pois o prazo termina sexta e não se chegou a nenhum acordo. Agora a própria casa branca joga pedras sobre a solução que ela mesma apresentou e quer jogar no colo dos republicanos os custos políticos da tal redução.
O primeiro problema é que a tal redução não é na verdade uma redução, como explica este editorial do Times. Não aquela porcaria de NY, mas o de Washington. O corte seria feito sobre o aumento dos gastos e não sobre o valor atual deles. Isso significa que na próxima década, ao invés de gastar 7 trilhões a mais do que arrecada, o governo só poderia gastar 5,8 trilhões a mais. Alguém consegue me explicar como resolver um problema de dívida apenas diminuindo o ritmo de gastos acima do orçamento? Imagina se uma pessoa endividada seguisse este caminho… mas ela não pode imprimir dinheiro não é?
Oscars
Também estava na mídia um monte de discussões inúteis sobre a noite de ontem. Sobre os vencedores e perdedores? Nada disso. Só vi discussões sobre a apresentação de Seth McFarlane, a apresentação musical sobre os “boobs”, os melhores e piores vestidos, o colar da Helen Hunt avaliado em 700 mil dóllares (é muita alienação!) e sobre o modelo da festa. Particularmente gostei do Seth, não vi a tal dança, não reparei nos vestidos e acho que o oscar ficou em boas mãos com Affleck, que merecia também o de diretor. E que Daniel Day Lewis ainda tem que comer muita grama para chegar em Trintgnant.
Nascar
Mais uma acidente na Nascar, desta vez ferindo 28 pessoas na platéia. Um deles, tremendo com o celular mostrando imagens do acidente, disse que estava assustado mas que voltaria no mesmo lugar no ano que vem. Resume tudo.

O fascínio do americano por crimes

Está em todas as redes de televisão e nas primeiras páginas dos jornais a fiança concedida o corredor sul-africano Oscar Pistorius. No dia dos namorados ele atirou na namorada, a modelo Reeva Steenkamp. Alega que ouviu barulhos no banheiro e achou que se tratava de um invasor, esquecendo que a namorada estava com ele no quarto.

Existe muita discussão se esta fiança está sendo concedida por causa de sua fama ou mesmo da sua condição de bi-amputado. O próprio juiz do caso, ao conceder a fiança, afirmou que estas duas condições eram uma garantia a mais para evitar sua fuga do país. Fica a questão se estes fatores podem ser considerados na hora de conceder uma fiança ou não. E se fosse o contrário? Se o acusado fosse uma pessoa comum, de traços comuns, então teria a fiança negada?

De qualquer forma, o que mais me chamou a atenção foi que todas as redes hoje davam destaque à mesma notícia e durante todo o tempo que corri na esteira, uns 45 minutos, só passaram isso. Será que um caso de assassinato envolvendo um famoso corredor, na África do Sul, merece tanta atenção assim da mídia?

Lembrei que em todas as livrarias que fui, da menor à maior, existe uma seção chamada “real crimes”. Existem toneladas de livros lançados sobre crimes, famosos ou não, que ocorreram no país. Aparentemente boa parte dos americanos é vidrado no assunto. Existem tv show só sobre isso, séries e filmes de tribunais, até mesmo reality shows! Os grandes criminosos são famosos e por vezes possuem até fãs.

Acho muito estranho esta fascínio e não possuo nenhuma idéia ainda sobre o assunto. Fica para reflexão.

Nos States…

Aviões não-tripulados

Está dando o que falar por aqui. Aparentemente o governo estava usando aviões não-tripulados para executar suspeitos de terrorismo fora do país, incluindo norte-americanos. Um deles, natural do Novo México, foi executado, junto com o filho de 16 anos, no Yemem em 2011. Para piorar, quem está comandando as operações é a CIA, que legalmente não pode executar operações ofensivas desde o governo Ford. Ah, antes que pergunte, Obama sabia e autorizou as operações. Fico imaginando a gritaria se fosse o Bush, mas como é do Nobel da Paz…

Ainda Benghazi

O Senado anda fazendo uma investigação sobre a reacão do governo americano ao ataque em Benghazi no ano passado. Depois de Hillary Clinton, foi a vez do secretário de defesa, Leon Panneta ser ouvido pelos senadores. Foi o membro do governo mais veemente na defesa de que não havia outra coisa a ser feita. Essa democracia americana é mesmo uma piada. Como assim o governo ter que dar explicações ao Senado? O governo é o povo!

Resumindo o pensamento de parte dos liberais progressistas

Chris Rock esteve com outros atores de segunda linha no capitólio ontem para dar apoio a Obama no maior controle de armas. Saiu com uma declaração para colocar na parede! Estou falando que os EUA estão se abrasileirando!

I am just here to support the president of the United States,” said the former “Saturday Night Live” cast member. “The president of the United States is, you know, our boss. But he’s also, you know, the president and the first lady are kind of like the mom and the dad of the country. And when your dad says something, you listen. [And] when you don’t, it usually bites you in the [expletive] later on.

 

O que vai pelos states…

Turnê do controle de armas

O presidente está viajando pelo país para conseguir apoio para uma nova restringir a posse de armas. A estratégia é sensibilizar os eleitores para que estes pressione seus representantes. Pessoalmente acho que há coisas mais importantes para ele tratar do que esta questão das armas, até porque toda hora aparece um estudo mostrando que restringir armas faz muito pouco para evitar crimes. Isso sem considerar a suspeita que o efeito é exatamente o contrário, menos armas nas mãos da população, mais crimes. Sobre estes assassinatos em armas, parece que eles costumam acontecer em lugares classificados como “free-gun”, ou seja, onde o maluco de plantão sabe que não vai ter ninguém armado além dele. No fundo são um bando de covardes.

Escoteiros

Continua o debate sobre o corpo dos escoteiros aceitarem gays. Aliás, aqui temos um problema clássico de linguagem. Não é que os escoteiros não aceitem gays, eles não aceitam que um escoteiro ou especialmente um líder de escoteiros se declare abertamente gay. É a velha política de não perguntar.  Parece que os escoteiros tem essa estranha idéia que a sexualidade tem que ficar longe de seus acampamentos e atividades. Bando de malucos! Aliás, o que impedem os moderninhos de criar sua própria instituição, sem entraves para quem se declarar gay ou qualquer outra “preferência sexual”? Eu apoio essa medida. Seria interessante ver onde os decolados progressistas colocariam seus filhos.

Processo contra a S & P.

O governo federal resolveu processar a agência S & P por sua atuação durante o estouro da bolha imobiliária. Ainda estou tentando entender as alegações. Só acho interessante que este processo tenha surgido apenas no segundo mandato e pouco depois da agência ter abaixado a classificação de risco dos títulos do governo americano. Retaliação?

Menino de 5 anos libertado

Foi notícia em todo o fim de semana. Um homem de 65 anos, depois de matar o motorista do ônibus escolar, fugiu para o porão de sua casa (mais para um buncker) onde manteve um garoto de 5 anos como refém. Depois de tensas negociações, a polícia invadiu o local e salvou o garoto, que passa bem. O homem está pessoalmente se explicando com as autoridades lá de cima. O governador parabenizou a polícia e nenhuma associação de direitos humanos teve a coragem de aparecer para reclamar.

 

Notícias na terra do tio SAM

Sabatina de Chuck Hagel

O ex-senador Chuck Hagel vai hoje para a sabatina no Senado sob fogo cerrado dos republicanos. Hegel tem um passado marcadamente anti-israel e a favor dos muçulmanos. Foi um dos dois únicos senadores a não assinar um aumento das sansações contra o Irã em 2001 e um dos quatro que não assinaram um carta de apoio a Israel em 2010. Detalhe: Hegel era um senador pelo… partido Republicano! Nos últimos dias mudou o discurso e tem defendido ações mais fortes para resolver o problema do Oriente Médio. Pelo menos por aqui as sabatinas costuma ser de verdade e não aquele circo que vemos no Brasil.

Egito em colapso

Cada vez fica mais claro que o Egito está a beira do colapso e a tal primavera árabe foi um engodo. Para piorar, começam a aparecer informações que a Líbia se tornou um centro de abastecimento de armas para os países vizinhos, notadamente Nigéria e Mali. Já se fala em intervenção americana no centro da África pois estão se configurando novos celeiros de terrorismo, como foi o Afeganistão antes do 11 de setembro. Mais dor de cabeça para o orelhudo.

Retração da economia

Um balde de água fria. O anúncio esta semana da retração econômica do último trimestre do ano passado arranhou o discurso de recuperação de Obama, que prontamente colocou a culpa nos deputados republicanos. Sobrou até para o furacão Sandy, aquele que teve jornalista agradecendo por garantir o segundo mandato do ídolo. O fato é que a economia americana não decolou mesmo depois de 4 anos de “estímulo” dos democratas.

Nos States…

Nova seção do blog para dizer o que anda em notícia aqui nos States, já que a imprensa brasileira só sabe filtrar do NYT as notícias que lhe interessam!

Aprovação do aumento do teto da dívida

Mais uma vez deputados e senadores aprovaram o aumento do teto da dívida, o que dá alguma fôlego por uns meses. O governo não dá o menor sinal de querer diminuir o gasto público e sempre ameaça cortar dos programas sociais e colocar a culpa nos republicanos, como se este fosse o único possível corte do orçamento. Hoje ameaçaram cortar das vítimas do furacão Sandy, só para não perder a forma. Os republicanos acabam cedendo para não ficar abraçado a imagem que foram responsáveis por cortes nos programas sociais. O fato é que a questão vai sendo empurrada pela barriga, como sempre.

Nova lei de imigração

O governo está finalizando uma proposta de lei para a imigração. Há 11 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, a grande maioria mexicanos e latinos. É outra questão delicada para republicanos que se endurecerem demais acabam engordando os votos democratas junto aos imigrantes que vão se legalizando. A maioria dos americanos querem uma legislação que crie um caminho para a legalização dos imigrantes que já estão por aqui, mas com verificação de antecedentes e que eles aprendam inglês, mais ou menos o que sempre defendeu o Senador republicano John McCain.

Endurecimento na compra de armas

Um dos itens da agenda de Obama, que ganhou força depois do último massacre. Pelo que ouvi as medidas serão mais midiáticas do que práticas, já que grande parte dos americanos já possuem armas e há uma grande discussão sobre o que configuraria uma arma automática. Tomar decisões e fazer leis movidos pela emoção de uma tragédia pode ser algo perigoso.

Gays nos escoteiros

Pois é, também está no noticiário que o movimento dos escoteiros americanos está discutindo a possibilidade de aceitar gays em seus corpos. Outra pegadinha linguística. Sempre houveram gays entre os escoteiros, o que se discutem agora é se pode ser escoteiro e afirmar a condição de gay. É a tal da identidade gay, seja lá o que for isso. Os escoteiros adotavam o lema das forças armadas do “don’t ask, don’t tell”. Parece que não é suficiente.