Carmen (Bizet)

Falsa Liberdade

 

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Depois de assistir minha primeira ópera, A Flauta Mágica, por sugestão de meu cunhado, engatei a segunda, Carmen. Composta pelo francês Georges Bizet, libretto de Meihac e Halévy, a ópera se passa na Espanha e trata da estória de uma cigana que depois de conquistar o coração de um soldado, Don José, o troca por um famoso toureiro, Escamillo.(1) 

Carmen encarna o amor livre, que se recusa a qualquer sujeição. Depois de fazer com que Don José deixa para trás tudo que lhe era importante, ela perde o interesse por ele, talvez para preservar sua liberdade. O que Carmen não percebe é que a total liberdade é uma prisão que construímos para nós mesmos. A verdadeira liberdade também é a liberdade de se sujeitar e nem por isso somos mesmos livres por causa disso.

L’amour est un oiseau rebelleque

nul ne peut apprivoiser,

et c’est bien en vain qu’on l’appelle,

s’il lui convient de refuser.(2)

 O amor de Carmen é exigente, não aceita menos do que tudo. É o que Don José termina por lhe entregar, não percebendo que o amor nunca pode ser uma rendição, um abandono de tudo que nos é precioso. O simples fato da cigana exigir isso dele já deveria levá-lo a desconfiar da verdadeira natureza do amor que ela dizia professar. 

A música de Bizet é maravilhosa. A primeira ária que Carmen canta, L’amour est un oiseau rebelle, é uma beleza que conjuga canto e uma inspirada orquestração de pausas significativas, além de um coro inesquecível. Destaque também para o tema de Escamillo, um dos mais famosos da ópera. Gostei também especialmente do dueto de Don José e Escamillo e do grande final.

 
 


(1) A versão que assisti foi a do Metropolitan House (1987) com Anges Baltsa e José Carreras.

(2) O amor é um pássaro rebelde

que ninguém consegue domar,

e você pode chamá-lo (embora isto seja) um tanto em vão,

porque convém a ele se recusar.

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Era uma vez… Grimm

Interessante como as coisas acontecem.

Fazem duas semanas que comecei a me interessar por ópera.  Depois de A Flauta Mágica, estou com Carmen, de Bizet, engatilhada para assistir no DVD. Minhas filhas já se encantaram com algumas árias da Flauta, especialmente a da Rainha da Noite e o dueto de Papageno e Papagena. Ontem a menor alugou o irmão, escutando alternadamente estas duas árias. Segundo ele, mais um pouco e sai falando alemão.

E por que me interessei pela Flauta Mágica? Como expliquei antes, foi uma associação de coisas a partir do livro O Lobo da Estepe, de Hermann Hess. Lá o personagem conversa com Mozart em pessoa. No dia que terminei o livro, um CD do compositor aparece na minha frente. No CD, fragmentos da Flauta Mágica. Depois foi só seguir as “dicas” dessa coincidência cultural.

Mas a coisa não termina por aí. Ontem, dia das crianças, teve uma peça infantil gratuita sobre os Irmãos Grimm no CCBB. Sem muitas pretensões, e sem saber nada da peça, levamos as meninas para assistir.

Pois não é que o espetáculo era uma opereta? Com direito a uma pequena orquestra de 6 músicos e 4 cantores afiadíssimos. O resultado foi simplesmente maravilhoso. Como disse minha esposa, o espetáculo infantil mais lindo que já tinha visto. Tudo funciona muito bem nessa inspirada peça de autoria do maestro Tim Rescala. Todos que participam do espetáculo estão de parabéns, se o objetivo de um artista é encantar o público, conseguiram com louvores.

Sim, existe cultura e talento no Brasil, soterrado no meio de um lixo sem fim, mas eventualmente recebemos essa brisa que nos acalenta, que nos faz ter esperanças. Lembra-nos que o Brasil é muito mais do que essa porcariada que vemos na mídia todos os dias. E que temos que ter orgulho também da nossas raízes européias, tão dilapidadas pelos nossos sociólogos do miolo mole.

Salve a boa música! Salve os artistas que permanecem para sempre.

Obrigado Mozart e a turma do espetáculo dos irmãos Grimm. Minha dívida com vocês é impagável!

Era uma vez Grimm

Expandindo fronteiras: ópera!

A Flauta Mágica (Mozart)

 

Esta semana passei pela experiência de assistir e escutar minha primeira ópera; mesmo que na televisão. Por puro acaso, comecei pela Flauta Mágica, de Mozart.

A Ópera conta a estória do príncipe Tamino, que parte para salvar a princesa Pamina, filha da Rainha da Noite, que estaria prisioneira de Sarastro, inimigo da Rainha. Para essa jornada, conta com a ajuda de Papageno, um caçador de pássaros. Depois de encontrar Pamina e descobrir que a verdadeira vilã é justamente a Rainha, Tamino é iniciado por Sorastro nos caminhos do verdadeiro conhecimento para que possa ser o homem a finalmente derrotar a Rainha.

Quando compôs a Flauta Mágica, Mozart e o letrista Emmanuel Schicknader estavam profundamente influenciados pela maçonaria e pelo iluminismo. Por isso, a ópera é cheio de simbolismos e referências. Li em algum lugar que Pamina representaria a Aústria, que na época estaria dividida entre o absolutismo da Imperatriz Maria Teresa, anti-maçonaria, e Sarastro seria Van Born, chefe de uma importante loja maçonica. Tamino seria o filho de Maria Teresa, José II, que sucederia a mãe no trono, mas influenciado pela maçonaria e pelo iluminismo. Papageno seria o homem comum, sem o conhecimento, mas que teria idéias inatas de felicidade, sobretudo pela formação de uma família.

Depois de superar a dificuldade inicial de escutar músicas cantadas em alemão, acabei entrando no mundo criado por Mozart e Schicknader.  A versão que assisti foi uma da Royal Opera House, dirigida por Sir Colin Davis, e comprei no itunes uma versão da Filarmônica de Berlin gravada em 1955 (com incrível qualidade). A ária da Rainha da Noite, interpretada por Diana Damru é de deixar de boca aberta, o que é aquilo! Além de magníficas canções como a que Tamino vê a imagem de Pamina pela primeira vez, a das três damas da noite salvando Tamino da serpente e o engraçadíssimo dueto de Papageno e Papagena.

Interessante que o ideal de felicidade de um casal formado por pessoas comuns implicassem em um grande número de filhos. Papageno e Papageno certamente têm muito a ensinar para as novas gerações!

 

 

Primeira Ópera

Não estranhem, mas estou assistindo minha primeira Ópera.

Tudo começou com uma ida despretenciosa à Livraria Leitura, no Shopping Terraço. Vi uma promoção de uma coleção de discos clássicos da Revista Bravo! e como tinha acabado de ler O Lobo da Estepe, em que o protagonista conversa em pessoa com Mozart, acabei comprando a edição do músico. Para quem não sabe, dividiram a edição dedicada à Mozart em duas partes e como não tinha a primeira, optei por comprar a segunda.

Quando cheguei em casa descobri que era de Óperas, com trechos selecionados de A Flauta Mágica e Don Giovanni. Ok, vamos em frente, abrir um pouco a mente. O folheto é muito bom, inclusive com pequenos textos explicando cada faixa. Procurando na internet, li um pouco sobre a peça da Flauta Mágica e me interessei muito pela história. “Comprei” a ópera em vídeo e comecei a assistir. Ontem vi a primeira metade, espero ver a segunda amanhã.

Sem palavras para a Rainha da Noite, vivida por Diana Damrau. Sinto que estou começando uma nova jornada. Fiquem com o vídeo abaixo.