A Sunday Afternoon on the Island of la Grande Jatte

Georges Seraut foi um dos criadores de um movimento que se chamou neo-impressionismo, que tinha como principal foco o estudo das cores. Sua principal técnica de pintura foi o pontilhismo, que consistia em ao invés de misturar as cores para obter a tonalidade desejada, utilizar a pigmentação diretamente na tela, fazendo que a retina do observador fizesse o trabalho de captar a cor no tom desejado pelo autor. Sua obra prima é este quadro, pintado entre 1884 e 1886 e que encontra-se no Art Institute of Chicago.

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Obra prima de Georges Seraut

PS: Estou montando um quebra-cabeças de 1000 peças desta tela. Por isso o post!

George Bellows

Estou aproveitando meu ano aqui nos States para aprimorar minha cultura sobre o país. Em literatura, li o livro do Salinger, The Catcher in the Rye.

Em pintura, já conhecia Edward Hooper. Através da revista The New Criterium, descobri George Bellows, um dos artistas que retrataram a vida americana. Selecionei três obras.

Kids (1906) é um tanto soturna, mostrando crianças brincando. Uma delas tem o rosto muito sombrio.

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Stag at Sharkey’s (1909) é considerado por muitos sua obra prima. Mostra uma cena de uma luta de boxe. Detalhe para o juiz acompanhando tudo bem de perto e os rostos da primeira fila, fascinado pela cena. A maior parte dos rostos da platéia ficam à sombra, escondidos de nossa visão.

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Snow-Capped River (1911) é uma das telas em que Bellows retrata o inverno, uma de suas especialidades. Destaque para as luzes sobre a neve.

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La Classe de Danse (Degas)

Degas classe danse

Na sala da diretora da escola das minhas filhas tem uma reprodução deste quadro de Degas, pintado entre 1873 e 1875. Provavelmente por retratar um processo educativo, que vale tanto para o balé como para a maioria das experiências de ensino.

Observa-se um velho mestre no centro da tela enquanto as bailarinas praticam ao seu redor. A uma mistura de ordem com uma certa anarquia, pois as alunas tomam diferentes posições. Uma delas, sentada sobre o piano ou uma mesa, tem uma atitude meio que de deboche. Ao seu lado uma outra me parece indiferente. Ou seja, uma sala de aula em qualquer lugar, a qualquer tempo.

A pedagogia moderna, pelo menos que se tenta aplicar no Brasil, fala do tal aluno no centro do processo de aprendizado. Toda minha larga experiência como aluno, e minha curta como professor, me colocou em condições de criticar este pressuposto, como já tratei aqui.

A tela está em exposição no Musée d’Orsay, em Paris

Mulher de Azul Lendo uma Carta

Está em exposição no MASP esta pintura de Vermeer, um dos meus pintores favoritos. A tela foi pintada entre 1662 e 1665, e tem o título de Mulher de Azul Lendo uma Carta.

Aparentemente ela está grávida e talvez por isso esteja lendo a carta de pé pois a posição sentada poderia estar incomodando. Ou simplesmente a ansiedade a fez levantar. De quem seria? O pai ausente? Um mapa da Holanda na parede lembra que vive-se uma época de intenso comércio, particularmente através dos mares. O azul dá o tom do quadro. Para mim sempre uma cor de esperança, de alegria.

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A Arte da Pintura

Considero-me um completo neófito quando se trata de artes, mas vou fazendo meu esforço para penetrar em seu mundo e seus mistérios. Por isso criei um espaço neste blog para ir dividindo com vocês as obras que chamam minha atenção.

Esse negócio de arte moderna para mim sobra muita pouca coisa que preste. Gosto mesmo é de ver um belo quadro, como este de Veermer. Vejam o detalhe do mapa na parede, as dobras do vestido, essa incrível cortina, os fios de cabelo soltos do pintor, a escultura em cima da mesa. Um quadro maravilho. Pintado em 1666. Faz tempo, hein?

Vermeer

Mariana

Tela de John Everett Millais (1851)

Millais foi um dos fundadores de um movimento na Inglaterra que ficou conhecido como pre-Raphaelites, que propunha um resgate da arte da Idade Média e que no fundo se traduziu na visão vitoriana da época medieval. Para o movimento, o artista teria uma responsabilidade pelo que estava retratando, o que se traduzia em uma fidelidade à natureza.

O quadro Marina foi baseado em um poema de Tennyson de mesmo nome, que por sua vez foi baseado em uma peça de Shakespeare, Measure for Measure. Retrata a melancolia de Mariana, que foi afastada de seu noivo. Millais procurou retratar esta melancolia, o lento passar do tempo, e um certo tom de abandono do próprio ambiente em que ela se encontra. As folhas soltas procuram mostrar este passar do tempo, assim como o pequeno rato, que também aparece no poema. A luz do sol aparece apenas para ressaltar a sujeira.

A primeira exposição do quadro foi acompanhada de um trecho do poema, que se repete a cada estrofe:

She only said, “My life is dreary,
He cometh not,” she said;
She said, “I am aweary, aweary,
I would that I were dead!”

Mariana

Merry Family (1668)

Chesterton observou que embora a Holanda seja o país mais próximo da Inglaterra, possui diferenças essenciais. Uma delas se referia à arte; enquanto a Inglaterra ficou conhecida artisticamente pela poesia, a Holanda se fez mostrar pela pintura. Para ele, isso fez da Inglaterra ainda mais isolada pois enquanto uma pintura são necessita ser traduzida, os poemas  não podem ser traduzidos.

A pintura inglesa se caracterizou por retratar a nobreza e os grandes homens; talvez por isso não tenha sido importante. Já a holandesa por retratar o homem comum, seu lar, sua família. Segundo Chesterton:

The Dutch still-life is lit and a shaded so as to show the object in the light of the human soul, like any other work of art. It awakens the soul.

Um exemplo é este quadro belíssimo de Jan Steen. É na família que uma sociedade se apóia e por isso mesmo é tão combatida, mas isso é outra estória.

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