Top 5 2013: Livros de ficção

Foi difícil, afinal foram 42 obras lidas de ficção, incluindo as releituras. Em uma primeira passagem, escolhi os livros realmente especiais, em condições de entrar no top 5, sem preocupação com a quantidade.

Esta pré-lista ficou com 12 obras. O mais difícil era selecionar 5 destes 12 maravilhosos livros. Depois colocar os 5 em ordem, o que não foi tão difícil pois segui mais a intuição, sem pensar muito a respeito.

Eis o resultado dos 5 melhores livros de ficção que li este ano.

5. O Lobo da Estepe (Herman Hesse). O livro já era bom, mas a parte final é de cair o queixo. Um aviso, tem que ter uma certa bagagem literária e uma sensibilidade desenvolvida por anos de leitura para enxergar o que Hesse queria mostrar com a viagem de seu protagonista dentro da sala onde o preço para entrar é a razão. E era mesmo.

4. Uma Fábula (Faulkner). Um livro até certo ponto difícil de ler, pelo menos em sua primeira metade. Faulkner não usou a narrativa linear, coisa que adoro!, e por vezes o leitor pode ficar meio perdido. No fundo trata-se de um manifesto anti-guerra, profundo como só uma excepcional literatura consegue ser.

3. Édipo em Colono (Sófocles). Difícil escolher uma das três peças de Sófocles sobre a estória de Édipo. Optei pela segunda. Simplesmente maravilhosa; todos os diálogos devassando a natureza humana e definindo com força o que seja uma tragédia.

2. A Outra Volta do Parafuso (Henry James). Fiquei fascinado pela narrativa de James e a forma como ele consegue nos colocar dentro de sua fantástica estória e nos conduzir a um dos finais mais ambíguos já escritos. Coisa de mestre.

1. Ficciones (Jorge L Borges). Demorou mas finalmente consegui penetrar no mundo de Borges. Impressionante como consegue manejar a linguagem para contar estórias aparentemente superficiais mas que escondem um universo de profundidade. Gênio.

Ficam como menção honrosa:

– A Marquesa d’ O – Von Kleist

– Odisséia – Homero

– Otelo – Shakespeare

– Enfermaria nr 6 – Tchekhov

– A Metamorfose – Kafka

– Contos Amazônicos – Inglês de Sousa

– O Reino Deste Mundo – Alejo Carpentier

Salvo engano, no total ficaram 2 americanos (Faulkner e James), 2 gregos (Homero e Sófocles), 2 alemães (Hesse e Kleist), 1 inglês (Shakespeare), um tcheco (Kafka), 1 russo (Tchekhov), 1 brasileiro (Souza), 1 cubano (Carpentier) e 1 argentino (Borges). Bem eclético este ano, hein?

Fica então essa lista de leitura com sugestão!

Top 5 2011: Livros de ficção

Os melhores livros de ficção que li no ano que passou foram:

  1. Enquanto Agonizo(William Faulkner): foi o primeiro livro que li do Faulkner, movido pela admiração que o Llosa tem pelo cara. E que livro! Não tem como esquecer a saga de uma família para transportar o corpo da matriarca para o local onde desejou ser enterrado. Uma verdadeira viagem no coração americano dos anos 20.
  2. O Americano Tranquilo(Graham Greene): aqui dá para ter uma idéia do buraco que os americanos se enfiariam anos depois no Vietnã. O paralelo que Greene faz da passagem do domínio do oriente da Europa envelhecida para a energia americana com o triângulo amoroso foi primoroso. Coisa de gente grande.
  3. Helena(Machado de Assis): Longe de ser um dos livros mais badalados do Machado, Helena é uma de suas melhores obras pois retrata a impotência do homem diante de uma série de mal entendidos que nos conduzem a erros sem retorno.
  4. Liberty Bar(George Simenon): os retratos da alma humana que Simenon faz são impagáveis. Um livro triste e sombrio que mostra o que pode ser a velhice de um homem.
  5. Oliver Twist (Charles Dickens): crueldade é pouco para alguns personagens do livro, mas como sempre Dickens nos lembra que existem pessoas capazes de fazer o bem. Só assim é possível uma sociedade.

Top 5 Livros de Não Ficção

Os cinco melhores livros de não ficção que li em 2011 foram:

1. O Homem Eterno – G. K. Chesterton
Um clássico do Chesterton, que conta a história do mundo sobre dois aspectos fundamentais: o surgimento de uma criatura chamada homem e o surgimento de um homem chamado Cristo. Você nunca mais vai ver a história da mesma maneira depois de ler porque esses são dois fatores fundamentais para compreender tudo que já nos aconteceu.
2. Anamnese – Eric Voegelin
É a obra do Voegelin que explica sua teoria da história e da política. Fica claro porque a ideologia é uma desgraça para o estudo de qualquer ciência humana, a história em particular. Para Voegelin, o estudo da história só tem sentido quanto o autor tem em mente suas próprias dúvidas existencias e busca descobrir o que já sabe, trazendo à superfície  a verdade que já compreendeu mas de forma ainda  não consciente. Não há como falar de história e política sem uma teoria da consciência, pois essa é a base dos atos humanos.
3. A História dos Judeus – Moacir Scliar
Um livro extremamente curto que mostra a essência da história do judaísmo. É preciso ter muito talento para dar uma imagem tão compacta de algo tão profundo.
4. How The Catholic Church Built the Western Civilization – Thomas E Woods Jr
Esqueçam aquela baboseira da luta da Igreja contra a ciência. O historiador Thomas Woods mostra porque a ciência, e a civilização ocidental, como conhecemos hoje foi um produto da Igreja Católica.
5. Right Turns – Michael Medved
O melhor do livro auto-biográfico em que o radialista Michael Medved explica porque saiu da esquerda do partido democrata, estava no hotel quando Bob Kennedy foi assassinado e foi colega da Hilary Clinton, para se tornar um conservador, é entender o ambiente cultural dos Estados Unidos ao longo das 5 últimas décadas. Além de desfazer uma montanha de mitos sobre os pensamentos da esquerda e da direita americanas.