O bicho pegou!

A coisa está feia aqui na terra do tio Sam.

A revelação que o leão estava fazendo um pente fino nos grupos de oposição ao governo, especialmente o pessoal do Tea Party, colocou o governo Obama muito mal na foto. Até a imprensa liberal se revoltou.

Para piorar descobriu-se que o governo também andava grampeando jornalistas. Está tão feia que o porta voz do presidente teve que vir a público para dizer que Obama é a favor da liberdade de expressão e contra abusos por parte do estado. Imaginem o que significa um presidente ter que dizer o óbvio para se defender?

A impressão é que trata-se apenas da casquinha do que pode ser um amplo esquema governamental de espionagem e utilização da máquina pública para perseguição de adversários.

Parece que a crise está apenas começando e desta vez a claque obamista realmente se assustou.

State of the Union

Hoje é um dia importante na simbologia do presidencialismo americano; é o dia do discurso do State of the Union.

A tradição tem sua raiz na constituição americana que prevê que o Presidente da República se dirija anualmente ao Congresso para informar a situação da nação e sua agenda legislativa.

He shall from time to time give to Congress information of the State of the Union and recommend to their Consideration such measures as he shall judge necessary and expedient.

A data do discurso varia entre meio de janeiro e meio de fevereiro e é televisionado para todo o país.

O partido de oposição realiza em seguida sua resposta ao State of the Union, em um estúdio fora do Congresso e também televisionado. Nos últimos anos o discurso de resposta foi feito em inglês e espanhol e este ano caberá ao senador republicano Marco Rubio apresentar as duas versões. Rubio, de origem latina, é uma das apostas do partido para 2016.

A aposta nos comentaristas políticos por aqui é que Obama seguirá o tom do seu discurso de inauguração do segundo mandato, partindo para o confronto com os republicanos. Para quem foi eleito em 2008 promentendo ser um presidente acima da disputa entre os partidos, fica mais uma promessa de campanha jogada no lixo. Sob aplausos da maioria dos democratas que querem mesmo é ver o sangue derramado.

A conferir.

Mais diferenças esportivas

Como escrevi em post anterior, é interessante observar as diferenças culturais na relação com o esporte entre grande parte do mundo, incluindo o Brasil, e os Estados Unidos. Esta semana tivemos outro exemplo.

Os árbitros da NFL (Liga de Futebol Americano, o da bola oval) estão em greve. As três primeiras rodadas foram disputadas com os chamados substitutos, árbitros de ligas secundárias. Tirando algumas pequenas polêmicas, a coisa até que ia razoavelmente, apesar da chatice de escutar os comentaristas brasileiros repetindo a todo momento ” paguem as zebras!” a cada erro ou decisão discutível de arbitragem.

Até que veio o jogo de segunda, entre Seattle e New England. No último segundo a arbitragem deu a vitória para o Seattle em um Touchdown para lá de polêmico. O mundo americano literalmente veio abaixo. Políticos, atores, jogadores de basquete, enfim, todo mundo veio a público crucificar a decisão e exigir justiça. A NFL subtamente se reuniu com os árbitros em greve e hoje eles já estão de volta. Os americanos simplesmente não aceitam que um erro de arbitragem possa decidir uma partida.

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Fiquei pensando no velho esporte bretão onde erros de arbitragem definindo jogos são muito comuns. Lembro que João Havelange, ainda como presidente da FIFA, chegou a declarar que fazem parte da emoção do futebol. Geram polêmica, rivalidades, e contribuem para a exposição do esporte na mídia. Ontém fiquei sabendo que o clássico interestadual de maior público no Brasil é Flamengo e Atlético. Com certeza a imensa rivalidade gerada pelas decisões da arbitragem na final do brasileiro de 80 e na disputa da libertadores 81 foi fundamental para esses números. O brasileiro, e talvez grande parte do mundo, sabe que não é justo uma decisão de um árbrito definir uma partida, ainda mais um campeonato. Mas sabe também que a vida é assim.

Talvez alqui tenhamos uma diferença cultural importante entre dois tipos de espírito. Um que não se conforma com o que considera injustiça e quer corrigi-la; outro que aceita a injustiça como parte da vida. O futebol americano possui a organização de como um sistema deve funcionar, com todos exercendo seu papel e premiando-se o mérito. O futebol é muitas vezes o caos, com injustiças acontecendo a todo momento, seja o jogo limpo ou não.

Poderia estar aqui uma das razões pela paixão americana pela bola oval. A despeito do resto do mundo.