Em viagem, uma breve reflexão sobre livros

Foi-se o tempo onde a espera em uma conexão era um exercício monótono para muitos ou, como no meu caso, um exercício de peso. Explico. Nos meus tempos de conexão em Manaus ou Belém quando pegava o vôo de Santarém para Brasília, a espera era de cerca de 8 horas. Para matar o tempo, levava livros e um laptop. Sem dúvida um peso extra para carregar.

Estou agora no aeroporto de Dallas. Meus intrumentos: uma revista e um ipad mini, com um teclado wifi. Livros? Estão todos dentro do ipad, especialmente no aplicativo do kindle ou no goodreader. Jogos? Idem. Por que a revista? Para os momentos em que os dispotivos eletrônicos devam estar desligados.

E não é só para a viagem. Vou passar uma semana fora de casa, o que normalmente implicaria em 3 ou 4 livros. Não que fosse ler todos, mas sempre preciso de mais de um livro ao mesmo tempo. Afinal, não dá para ler Platão em qualquer momento, como deitado na hora de dormir ou em um engarrafamento em um taxi. Nestas horas saco um livro que não exija tanto envolvimento, como um romance. Ou não tenho muito tempo disponível, momento que recorro a um livro com partes curtas, como um livro de crônicas ou de resenhas, que não tenha continuidade entre um texto e outro.

Nesta viagem, por exemplo, estou me acompanhando de:
– The Liberal Imagination – Lionel Trilling
– Livro de Isaías (Bíblia)
– Salmos (idem)
– Caritas in Veritae (a encíclica de “economia” de Bento XVI
– The joy of reading – Von Doren

Falta um romance, eu sei. É que acabei de ler Tom Sawyer, na véspera de embarcar. Mas já estou resolvendo isso. Nada como a Amazon velha de guerra!

Em resumo, o nível de conforto que atingimos em nosso tempo é inimaginável. E talvez em nenhuma época tenhamos reclamado tanto da vida. Vai entender.

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Tour pelo Brasil!

Finalmente minha mudança deu sinal de vida! Já chegou em Vicksburg e estará sendo entregue amanhã ou sábado. Só vai dar tempo para receber mesmo pois na madrugada do domingo estaremos seguindo para o casamento do meu cunhado no Brasil. Uma pequena tour de uma semana onde passaremos dois dias em Brasília e o restante em Curitiba. Vai ser uma canseira!

Só para ter uma idéia faremos o percurso Jackson – Dallas – Miami – Manaus – Brasília, chegando na capital da corrupção, quer dizer, federal na segunda as nove da manhã! Só o bagaço!

Aproveitaremos dois dias em Brasília para rever os amigos e dar entrada em um processo na Embaixada Italiana. Na quarta, proa apontada para Curitiba para os preparativos e casamento no sábado. As meninas serão daminhas, o que significa que estamos levando na bagagem os vestidos e sapatos, além da nossa roupa para o casamento. Isso se eu lembrei de colocar meu terno na mudança que está chegando, o que não garanto!

Enfim, depois de dois meses e meio de States, vamos dar uma passadinha na terrinha. Tudo muito corrido, mas é assim mesmo. A gente descansa quando voltar.

 

Poesia na Lorelei Books

Uma das coisas interessantes aqui em Vicksburg é conhecer o comércio familiar, aqueles pequenos negócios que o próprio dono toca diretamente, inclusive fazendo o atendimento. Um desses lugares é a Lorelei Books, uma pequena e simpática livraria que fica na rua principal, a Washington Street.

Laura e seu marido mudaram para Vicksburg há cerca de 8 anos, vindo da Virgínia. Compraram o espaço da livraria e montaram sua casa no segundo andar. Normalmente vamos lá uma vez por semana e sempre conversamos um pouco.

Esta semana ela nos convidou para um evento exclusivo em sua casa, após o fechamento da livraria. Duas poetisas da região iriam ler alguns poemas e autografar o livro que estavam lançando.

Foi uma noite muito interessante onde não só conhecemos um pouco mais os donos da livraria como também tivemos oportunidade de escutar boa poesia e conversar um pouco com as poetizas.

Lenore Weiss é filha de imigrantes húngaros judeus. Viveu a maior parte de sua vida adulta em Ockland e recentemente se mudou para Monroe, 80 milhas daqui. Pelo que percebi está se reconectando à sua herança judaica, inclusive estudando hebreu. Uma das poesias que leu, falando da experiência de morar ao lado de um hospital e se acostumar com o movimento e barulhos de ambulâncias indo e vindo, faz uma ligação justamente com esta herança.

So do you believe that the villagers living outside
Dachau and Auschwitz gradually ceased
to hear each train groaning into the station?
or did they listen, like me,
then go about their business?

A outra poetisa, Melinda Palacio, também é descendente de imigrantes, mas no seu caso trata-se de imigrantes latinos. Nascida na Califórnia, também se mudou recentemente, para New orleans. Seus temas abordam justamente a mistura cultural do seu estado natal, onde imigrantes mexicanos e americanos convivem lado a lado, muitas vezes sem se misturar ou entender uns aos outros.

Keep your red cowboy boots, your tattoo of the Virgen de Guadalupe,
your mother’s huipil.
When did you become so afraid of being alone?

Comprei os dois livros e coloquei na fila. Sempre estou lendo um livro de poesia, no momento estou com uma coletânea do T. S. Elliot. Elas entraram na fila.

Presidents’ Day

Tudo começou com a comemoração do aniversário de George Washington, que ocorria em fevereiro. Aí veio Lincoln, que também fazia aniversário em fevereiro. Embora este último nunca tenha sido um feriado, costumava ser referenciado. Por fim começaram a questionar por que fazer uma homenagem apenas aos dois? E pensaram em uma terceira dada, no início de março.

Finalmente chegaram à conclusão em criar um dia único para celebrar o símbolo da presidência e foi decidido pela terceira segunda feira de fevereiro. O feriado recebeu o nome de Presidents’ Day e costuma ser usado por parte do comércio, especialmente vendedores de carros e de móveis, como senha para enormes liquidações. E uma coisa que aprendi aqui nos States é que liquidacão é liquidação para valer mesmo. Esqueçam aquelas etiquetas de 5, 7, 10%. Estamos falando de 40, 45, 50%. Em alguns casos, especialmente roupas, chegam a 60%. Inacreditável!

Portanto, hoje é feriado. Não tivemos carnaval por aqui mas ganhamos este dia para descansar. Bom para ficar de preguiça em casa, um domingo a mais no final de semana.

Amanhã começa tudo de novo.

Como assim tradução

Essa vai para os anais do serviço público.

Ontem tentamos conseguir nossa carteira de motorista aqui no Mississippi. Por causa de algum detalhe técnico na hora de inserir os dados, não conseguimos. Aparentemente se enrolaram na hora de encontrar uma data limite para nossa permanência no país. Tentei de tudo, data do visto, do passaporte, do meu cartão de trabalho, mas não aceitaram. O resultado foi que um superior iria realizar esta parte e dentro de uma semana seríamos chamados para realizar a prova.

Frustrante, mas dentro da normalidade.

Na hora de buscar as crianças na escola, dona patroa conversou com uma amiga, também estrangeira, sobre o caso. O marido dela disse que precisou ir 7 vezes ao detran daqui para conseguir a dele. E a esposa desistiu.

_ Por que desistiu?

_ Bem, ela aloprou quando exigiram que apresentasse a tradução da certidão de nascimento dela.

_ Mas… vocês são ingleses!

_ Foi isso que dissemos. Que a certidão original já era em inglês.

_ E aí?

_ E aí que a moça disse que entendia, mas o regulamento dizia que os estrangeiros tinham que apresentar a certidão traduzida!

E aí? Qual o nome do profissional que realiza a tradução de um documento em inglês… para inglês? Alguém se habilita?

Retomando

Andei meio sumido nestes dois dias, mas a coisa andou meio agitada aqui em Vicksburg.

Minhas pequenas andaram gripadas mas já estão bem melhor. Ainda estamos nos acostumando com os remédios daqui mas agora que encontramos um médico a coisa vai ficar mais fácil.

Hoje meus pais partiram de volta para o Brasil. Foram de grande ajuda neste período de adaptação mas agora está na hora de tocarmos o barco sozinhos. Deixamo-os no aeroporto de Jackson hoje de manhã e a esta altura devem estar pousando em Atlanta. Próximo destino: São Paulo.

 

Primeira Página

Para ter uma idéia do que é Vicksburg, outro dia estava na primeira página do Vicksburg Post a notícia de uma moça que foi assaltada. Quer mais? Ele teve sua bolsa roubada quando foi ao banheiro do restaurante!

Foi o suficiente para ganhar a primeira página do jornal. Que barbaridade!

Ontém caiu uma leve neve na cidade, não chegou a cobrir completamente o chão. Foi também para a primeira página cuja foto mostrava um ônibus escolar que fazia “its rounds this morning past a dusting of snow.”.

Como dizia uma antiga brasileira que morava por aqui: nada acontece em Vicksburg!

Melhor assim!

No Brasil vocês ficam com o BBB e Renan Calheiros.