Faltou muito pouco!

Os contra-ataques perdidos no terceiro set fizeram falta, como fizeram! Parece-me que faltou um pouquinho de concentração para colocar aquelas bolas no chão, o que realmente é difícil quando a vitória estava se desenhando tão fácil.

O momento decisivo foi o 22 x 20 no terceiro set. O Brasil tinha direito a um erro. Foram dois. Fatal.

Depois a Rússia destruiu o Brasil.

Cruel.

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O Problema dos parâmetros

Depois da desclassificação do Brasil no basquete, acompanhei as repercussões na internet. Chamou-me a atenção a quantidade de gente que apontou que o principal erro do time não foram os lances livres errados, a cesta fácil na hora certa, a precipitação nos arremessos de três. Nada disso. O grande erro foi não perder para a Espanha.

O mais curioso é que pude perceber, até pela expressão verbal, que se trata de gente de classe média para alta; provavelmente gente que participa de marchas contra a corrupção. Ao mesmo tempo que exigem ética dos nosso políticos, e eles bem que estão precisando, defendem que perder um jogo para teoricamente ter um adversário mais fácil em outra fase é apenas ” jogar com o regulamento”.

Em que medida esse jogar com o regulamento é diferente do famoso “caixa dois de campanha” ? Será que ensinar a perder é algo que ensinam para seus filhos? Repito, isso é nossa classe mais educada. Como exigir das massas? Como querer que entendam algo tão básico se temos que explicar o óbvio para os que teriam obrigação de ter essas coisas de forma tão clara?

Parece coisa boba mas é antes de tudo sintoma de nossa doença espiritual, particularmente nas classes que deveriam influenciar positivamente a turma de baixo. A perda da noção do certo e do errado resulta na falta de parâmetros para que os mais humildes possam tomar suas decisões e o resultado costuma ser desastroso. Tenho certeza que podemos ser melhores do que isso. De cima a baixo.

Brasil de volta ao basquete mundial

Sei que vai ter muita gente falando besteira depois da nova derrota para a Argentina, mas para mim o Brasil ressurge no cenário mundial. Faltou pouco para o Brasil virar o jogo quando faltavam 3 minutos para acabar a partida e acabou pagando o preço do aproveitamento fraco nos lances livres. Paciência.

Vale lembrar que sem os atletas da NBA em quadra, o excelente time de Oscar e Marcel jamais chegou em uma semi olímpica. Essa geração quase chegou lá, mas ainda tem muito pela frente. Jogou de igual para igual com a Argentina, uma das quatro grandes da última década, mas que desconfio estar se despedindo desse status. Mantendo o trabalho desse brilhante treinador, chegaremos lá em breve e temos todas as condições para disputar medalha no próximo mundial e no Rio 2016.

O mais difícil foi feito, o resgate do inferno. O Brasil não é mais saco de pancada. Por enquanto está batendo na trave, falhando na hora de dar o último salto. Foi assim com nosso volei na virada dos anos 80 para 90.

É questão de tempo.

Frustrações Olímpicas

Um pouco mais sobre os Jogos de Londres. Antes uma pequena digressão.

Para mim nosso desempenho nos jogos sempre foi de altos e baixos. Aprendi isso  à base de muita frustração e surpresas. A primeira Olimpíada que acompanhei foi a de Los Angeles, onde chegamos perto de ganhar uma série de medalhas de outro, um tanto beneficiado pelo boicote do leste europeu. E nem foram tantas medalhas assim, foram 8. Mas ver o Joaquim Cruz vencer o Sebastian Coe foi inesquecível, assim como a frustração com o prata de Ricardo Prado, então recordista mundial do 400 metros medley.

Seul já foi meio frustrante, especialmente pelo basquete masculino, que vinha da mítica vitória sobre os Estados Unidos no Pan, e pelo prata de Joaquim Cruz, nossa maios esperança e pela seleção de futebol que foi crescendo na competição e tinha tudo para ganhar o outro.

Barcelona foi uma verdadeira ducha de água fria, apenas 3 medalhas. Valeu pelo outro no volei, superando nosso complexo no esporte de ser sempre uma segunda força.

Foi em Atlanta que nos sentimos realmente bem pela primeira vez. Era praticamente uma medalha por dia. Claro que teve a entrada do volei de praia, mas mesmo assim um salto de 3 para 15 medalhas não pode ser colocado apenas na conta do novo esporte. Passamos a ganhar medalhas na natação, no hipismo, quase conseguimos no tennis. Parecia que enfim alcançaríamos novo patamar.

Aqui começa o problema das expectativas. Se ganhamos 15 em Atlanta, para Sydney passamos a exigir 20. Tínhamos bons motivos para isso, como nossos campeões mundiais Roberto Scheidt e Rodrigo Pessoa. Guga jogando o fino, o volei de praia, a seleção feminina de volei jogando de igual para igual com Cuba e Russia. A imagem da Olimpíada infelizmente foi a do cavalo do Rodrigo Pessoa refugando o obstáculo no caminho para levar o ouro.

De qualquer forma, o patamar de dois dígitos de medalhas se confirmou, embora proporcionalmente nosso número de ouros não seja bom. Parece que falta alguma coisinha para subir no degrau mais alto do pódio.

Então porque a choradeira generalizada sobre nossas campanhas olímpicas? O problema é que políticos, burocratas do esporte e mídia colocam nossas atletas acima de suas reais possibilidades. Somos convencidos a cada ciclo olímpico que temos mais chances do que realmente temos, o que sempre gera uma enorme frustração. A afirmação do COB de que a meta eram de 15 medalhas passou quase despercebida, rodapé de jornal.

O PAN ainda piora ainda mais a situação e o grande exemplo é Tiago Pereira. Suas 20 medalhas no torneio continental se transformaram em uma única olímpica. Para mim, o PAN só serve para mostrar que realmente nossos atletas de alto nível evoluíram uma barbaridade em 20 anos; o problema é que não temos atletas de alto nível em número suficiente.

O modelo de investir no atleta de alto rendimento, coisa que não existia até o final da década de 90 chegou no seu limite. Não adianta enfiar mais dinheiro que não vai sair mais resultado do que isso que temos. O que precisamos é ter mais atletas de alto nível e isso só se faz pela massificação do esporte no país.

Como fazer isso? A primeira resposta é sempre a mesma, dinheiro. Pois eu acho que pode colocar o dinheiro que for no Ministério dos Esportes, não vai dar em nada. Não é verdade que o brasileiro só pensa em futebol, uma grande parte não dá a mínima para nosso esporte mais praticada, só que não dá a mínima para nenhum outro esporte. Nosso problema é cultural.

É fácil falar que o brasileiro só liga para os outros esportes em época de Olimpíadas, mas a pergunta deve ser invertida, por que o brasileiro só se liga em esportes em época de Olimpíadas? O que tem de diferente?

Pensem nisso. Continuo minhas reflexões em outro post.

Rapidinhas sobre as Olimpíadas

1

Depois da euforia inicial das três medalhas conquistadas no primeiro dia, todas não esperadas, veio a ducha de água fria, principalmente com as derrotas no judô, especialmente de Guilheiro e Tiago Camilo. Vencer e perder faz parte do esporte e nem discuto muito sobre isso; o que acho curioso é uma certa patrulha que se colocou nas discussões de internet.

Teve gente que reclamou da postura dos dois nas lutas, principalmente pelo excesso de punições. Rapidamente veio gente dizer que quem nunca ganhou uma medalha olímpica não tem direito de reclamar dos atletas. Como é? Vivemos em uma sociedade em que todo mundo reclama de tudo e de todos, mas algumas críticas não podem ser feitas? Isso é mais profundo que parece, basta lembrar que tem gente que diz que o homem não pode opinar sobre o aborto porque nunca teve um filho, muito embora muita mulher que quer distância dessa coisa desagradável que é criança se sinta bem a vontade para ter todas as certezas sobre o assunto.

Quer saber? Vão passear! Quem espera aplausos deve estar preparado para ser vaiado. Do mesmo jeito que um atleta fica feliz em ser ovacionado nas vitórias, deve saber que pode ser vaiado. E sim, as derrotas de Guilheiro foram ridículas e meu direito de expressar minha opinião equivale a seu direito de ignorá-la. Eta mundo patrulhado!

2

Alguma coisa não anda muito bem no judô, o esporte que mais gosto de ver nas Olimpíadas. Ao invés de golpes vemos uma tal de “disputa de pegada” e jogo de punições. É um tal de evitar a mão nas costas, proteger o quimono, postura perigosa, etc. Quem consegue aplicar um golpe praticamente liquida a luta pois passa o resto da luta na defensiva. Em suma, tudo muito chato. Dificilmente veremos nos tatames o que um Koga fazia. Ainda bem que temos youtube.

3

O nível do futebol nos jogos é tão baixo, tão baixo, que arrisca o Brasil levar o ouro. Finalmente.

4

Cielo tinha o oitavo tempo do ano nos 100 metros. Ficou com o sexto lugar. Não tem muito espaço para zebra no atletismo e na natação. O resto é conversa.