Só bônus, sem ônus

O primeiro dia do Brasil nas Olimpíadas evidenciou um problema lógico que acomete todo nosso discurso político. Trata-se da constatação que todo sucesso tem seu padrinho, mas que os insucessos são orfãos.

Não faltaram pessoas para exaltar o sucesso da gestão política do esporte, defendendo o financiamento público. Há muito que reparo que o sonho de consumo de muitos é espelhar-se em Cuba fazendo do Brasil uma espécie de Cubão. Alguns, mais sutis, espelham-se na China. Ninguém quer saber o quanto custa para a população desses países o investimento que é feito no esporte. Desconhecem o princípio econômico do custo de oportunidade em que o custo de se aplicar qualquer recurso em algo e deixar de aplicá-lo em outro. Mas tudo isso é outra estória.

O problema aqui é que depois de dois dias sem medalhas, não apareceu ninguém para culpar o modelo ou os dirigentes. Afinal, não são eles que competem, são os atletas. Chegamos à curiosa constatação que quando dá certo, é a estrutura; quando dá errado, é o atleta.

Já seria ruim o suficiente se fosse só no esporte, mas trata-se da forma como vemos a economia e uma das explicações da manutenção desse bando de corruptos no poder. Quando o PIB aumenta, louva-se o governo. Quando diminui, a culpa é do mercado. Quantas vezes já não escutamos Mantega colocando a culpa na estagnação econômica brasileira na crise na Europa. Só que nunca escutamos se admitir que a bonança tinha qualquer coisa a ver com a expansão do mercado chinês por exemplo. A bonança era fruto do sucesso das medidas do lulismo; a retração da crise européia.

Se fere a lógica mais elementar, podem ter certeza que tem boi na linha.

Que a classe jornalística em geral seja incapaz de apontar essas incoerências só mostra sua miséria intelectual, o que contribui para fazer um estrago maior do que o da classe política em geral. Por culpa da nossa falsa intelectualidade que elegemos esses políticos que estamos vendo.

Olavão está certo, o Brasil só vai tomar rumo quando construir uma verdadeira classe de intelectuais para que possa influenciar toda uma sociedade. Por enquanto continumos tendo que aturar citações de Paulo Freire em encontros pedagógicos e de Frei Betto como expressão religiosa. Vivemos tempos de barbárie mas infelizmente não conseguimos nem perceber.

Uma heroína diferente

O Raio Verde (França, 1986)

Delphine, prestes a viajar de férias com o namorado, vê seu relacionamento praticamente terminar. Mesmo assim procura manter seus planos, mas sempre com insucesso, pois a realidade não se comporta exatamente como tinha planejado.

A chave para entender o filme é a constante afirmação dela que “está aberta para se relacionar com as pessoas”. A insistência de sua afirmação já evidencia que trata-se exatamente do contrário; Delphine mantém uma couraça defensiva protegendo-a de relacionar-se.

Eric Rohmer nos entrega talvez sua heroína mais antipática, mas difícil de gostar. Delphine rejeita todas as tentativas de amizade e aproximação, centra sua vida em si mesma, constantemente é antipática e mostra uma série de preconceitos, especialmente contra os homens.

Em suas andanças escuta uma conversa de idosos sobre o Raio Verde, uma obra de Júlio Verne. Um senhor explica que o raio verde é o último raio de sol no dia e que só pode ser visto em certas condições atmosféricas especiais. Quem consegue vê-lo obtém uma compreensão do íntimo das pessoas e de si mesmo.

Marie Reviére está maravilhosa no papel de Delphine. Seu grau de improvisação foi tanto que Rohmer dividiu com ela os créditos do roteiro. Nos entrega uma personagem perdido nesse mundo moderno de intensos deslocamentos e instabilidade emocional. A solidão bate à sua porta e os sintomas de depressão são evidentes. O mundo que Delphine criou para si é uma barreira para se conectar verdadeiramente com as pessoas. No fundo, ela tem os riscos que uma relação significa.

É impressionante como os filmes de Rohmer vão ganhando força à medida que nos afastamos dele. Compreender o alcance de suas estórias exige maturação, que acontece nos dias seguintes à experiência original do filme em si. Muitas vezes terminei um filme seu com aquela sensação de “e daí?, o filme é só isso?”. Só que horas depois me deparei ainda pensando no filme, tentando descobrir porque ele ficou na mente, o que estou perdendo. Aos poucos vai-se formando um mosaico, um quadro pintado por um genuíno artista. Quando menos se espera, estamos revendo o filme embasbacado.

O Raio Verde é o quinto filme da série Comédias e Provérbios, o mais sério deles. Há poucos momentos de genuína alegria de Delphine, embora as pessoas a sua volta estejam constantemente se divertindo. Só para não me tornar repetitivo, vou resumir Eric Rohmer em uma única palavra: o maior.

Prestem atenção no diálogo sobre o vegetarianismo. Um primor de reflexão, abordagem sobre diversos ângulos e de exposição de hipocrisia. Coisa de mestre.

O filme ganhou o festival de Veneza em 1986.

A questão moral do endividamento, uma reflexão.

Muito já se falou sobre o endividamento das famílias nesse mundo globalizado moderno. Eu mesmo já tratei aqui do problem por diversas vezes. O que pouco se comenta é sobre o aspecto moral da coisa, como se o assunto fosse exclusivo da esfera econômica.

Um dos ensinamentos do então cardeal Joseph Ratzinger que nunca esqueci foi que toda decisão econômica tem um fundamento moral. Isso não é novo, já era conhecido por Aristóteles e foi reforçado pelos escolásticos _ sempre eles!. Isso vale para nós, em nossas decisões, e vale para os que conduzem os rumos da economia mundial, empresários e sobretudo políticos.

Não é segredo para ninguém que os últimos governos brasileiros investiram pesado na facilitação do crédito para bombar a economia nacional. O consumo explodiu, milhares de empregos foram criados e criou-se uma ilusão de um círculo perfeito, onde o consumo manteria a economia sempre em expansão gerando mais empregos, mais renda e mais consumo.

Mas o mundo real não é assim. Consumir com crédito é deixar de consumir no futuro para consumir agora. Algumas pessoas argumentam que não dá para esperar chegar o futuro para poder consumir, as pessoas tem necessidades reais já.

O problema é saber o que é uma necessidade? Uma tv LCD? Um carro do ano? Endividar-se para fazer uma faculdade, criar um negócio, um curso de informática, de inglês, é uma coisa. Mas para comprar eletrônicos? Ipads? Celulares? A coisa piora muito quando se coloca automóveis e imóveis na equação. São bem caros e que se tornam ainda mais caros quando financiados.

Não se iludam com as chamadas taxas baixas dos imoveis financiados. Qualquer um que tenha estudo avaliação econômica de projetos sabe que financeiramente é mais barato morar de aluguel do que comprar um imóvel. Isso se tiver o dinheiro para comprar a vista, imagine sem o dinheiro! Mas não vou entrar nessa discussão agora, o que importa é que comprar imóvel financiado é uma brincadeira cara. Principalmente quando se pede o controle da situação.

A grande ilusão é que prestações baratas são pagáveis com tranquilidade. Uma pode ser. Mas quando se somam diversas, o resultado é uma boa dívida. Para piorar, governo, bancos e comerciantes fazem de tudo para que se compre as coisas a prazo. O resultado é o endividamente crescente, até chegar o ponto de não se ter como pagar e começar a postergar os pagamentos. É a receita para o desastre. Leiam Fausto e vão entender o que está sendo oferecidos para vocês.

Voltando ao tema moral, o que pouco se fala é o efeito que uma dívida dessas tem sobre as pessoas. Pelo Brasil afora, famílias estão sendo desfeitas, crises de depressão estão acontecendo, algumas vezes até suicídios. Sem contar com todos os efeitos colaterais que lidar com um problema desses gera no indivíduo (úlceras, gastrites, etc). O comportamento da pessoa muda, muitas vezes deixando os que estão à sua volta perplexos. Não é fácil admitir que não se tem mais capacidade de sair do buraco sozinho. O orgunho vai para o espaço.

Eu não tenho dúvidas que numa hora dessas quem melhor pode ajudar uma pessoa com um problema desses é a família no sentido amplo. Não são os bancos, governos, livros de auto-ajuda. É a boa e velha família. Feliz de quem tem a quem recorrer no momento de dificuldade.

Eu tive um momento assim há 9 anos atrás. Felizmente antes que a situação deteriorasse eu abri o jogo com minha esposa e busquei ajuda. Conversei com meu pai, pedi dinheiro emprestado para minha avó. Paguei as dívidas e fiz um acerto nas minhas contas pessoais. Cortei tv a cabo, jantares caros, presentes dispensáveis. Entrei em um período de austeridade. Logo consegui pagar minha vó e estabeleci um método para controlar minhas finanças que mantenho até hoje. As coisas melhoraram e graças a muito esforço e ajuda conseguimos sair antes que a coisa ficasse pior. Hoje a parte de prestações no meu cartão de crédito nunca passa de 300 reais.

Infelizmente nem todos possuem famílias que possam recorrer em um momento assim. A nossa cultura moderna está arrasando com a noção de família. Não há espaço para o sangue em um ambiente de relativismo cultural profundo como o que atravessamos hoje. A solução para o problema de dívida é simplesmente conseguir mais dívidas. Interessante que em um mundo em que não há certo nem errado seja considerado errado fracassar. Pedir ajuda passou a ser visto como sinal de fraqueza.

Políticos estão interessados apenas em manter a ilusão. É a economia estúpido! Bordão que usam para justificar as decisões. É preciso que as pessoas acreditem que estão melhorando de vida para continuar votando naqueles que aparecem como salvadores. Os mesmos que criam os mecanismos para o endividamento.

Governos, políticos e empresários sabem de tudo isso. Sabem que famílias estão sendo devassadas pelas dívidas. Gostaria de saber quantos divórciso se originaram em desequilíbrios financeiros profundos. Essa é uma estatística que não querem levantar. Poupar, antes uma virtude, passou a ser visto como desperdício. Precisamos de um ambiente que volte a incentivar que tenhamos sempre uma reserva para os momentos difíceis e que contrair dívidas não é uma solução válida para bens materiais. Quer aquela tv de lcd? Um ipad? Poupe até ter o dinheiro para comprá-los.

Você terá muito mais paz de espírito e esperança no futuro se souber gastar menos do que ganha. Ignore os apelos dos incautos, daqueles que só querem seu dinheiro. Paciência e prudência são virtudes, assim como a temperança.

Nem só de pão vive o homem, já dizia aquele antigo mestre. Precisamos parar de alimentar de votos os políticos com nossos estômagos. Claro que cada um tem responsabilidade pela dívida que contrai, mas aqueles que criam essas condições são ainda mais culpados. Contam com isso, precisam disso. São vampiros do juro alheio. Da dependência.

São, em suma, imorais.

Donos do mundo

Uma das coisas desagradáveis de Brasília são as filas duplas. Apesar de existirem em praticamente todas as cidades, em nenhum lugar vi essa arte ser colocada em um patamar de direito do motorista.

Outro dia minha esposa teve o carro bloqueado por um fila dupla. Por mais de 15 minutos esperou pacientemente que o indivíduo aparecesse. Ele estava tranquilamente dentro de uma loja, acompanhado da esposa e do filho pequeno.

Não se tratava de uma compra rapidinha não, como se pode observar pelo tempo que demorou e pelo fato da esposa e o filho terem descido do carro.

Ao sair, ajeitou tranquilamente a criança na cadeirinha, entraram no carro e partiram, sem nem olhar para minha esposa, como se ela não existisse. Nem um sinal, um pedido de desculpas ou qualquer outra coisa.

Tenho certeza que jugava-se no direito de fazer o que estava fazendo; embora desconfie que no fundo enganava a si mesmo. Provavelmente estava lidando com a chata de sua própria consciência, que insistia em avisá-lo que por mais que faltassem vagas na cidade, que seu problema pudesse ser urgente, a pessoa que estava com o carro travado não tinha nada a ver com isso.

Trata-se de um fato corriqueiro em Brasília, assim como ultrapassar pela direita. A questão da fila dupla é apenas uma das manifestações exteriores de pessoas que se julgam realmente donas do mundo.

Podem até ser, o que apenas significa que são donas de castelos de areia.

O elefante no centro da sala: a demografia

How Civilizations Die

(And Why Islam is Dying Too)

David P. Goldman

The European environmentalist who wants to shrink the world’s population to reduce carbone emissions will spend her declining years in misery, for there will not be enough Europeans alive a generation from now to pay for her pension and medical care.

Ao longo da história, civilizações se desenvolveram e foram extintas. Goldman analisa os fatores que levam uma civilização a perecer, principalmente sobre o enfoque da demografia. A recusa de um ou mais gerações em produzir herdeiros suficientes é a consequência de uma doença espiritual gerada pela falta de uma religiosidade que coloque a transcendência como a luz sobre as questões do mundo. A falta de fé em uma continuidade após a morte leva ao desespero e a tentativa vã de viver uma vida excencialmente material, que exclui o obrigação de criar dos próprios filhos. Inspirado no historiador Oswald Spengler, mas fugindo de seu determinismo, Goldman expõe sua tese ao analisar o islã, que ao contrário do que se pensa, vive uma crise de fé diante do encontro com o ocidente e reduziu suas taxas de natalidade de forma sem precedentes no mundo.

Dividindo suas obra em três partes, analisa primeiro a questão do islã. As baixas taxas de natalidade nos países muçulmanos do oriente médio mostram que no futuro próximo esses países terão envelhecido brutalmente. O que já é um grande problema na Europa, se tornará uma tragédia em uma região pobre, que depende praticamente da exportação de petróleo e que importa praticamente todo alimento que consome. A primavera árabe é a primeira amostra da revolta de uma juventude que não tem perspectivas e que já começa a sentir o problema de sustentar uma população idosa crescente. O Irã já é uma das mais baixas taxas de natalidade no mundo e sabe que passou do ponto de retorno possível, é uma civilização que começou seu caminho para a extinção e não tem nada a perder no jogo político mundial, o que explica muitas de suas atitudes.

A segunda parte trata da secularização na Europa que se seguiu ao nacionalismo religioso que se consolidou na Guerra dos 30 anos. Antes um continente cristão, agora enfrenta a problemática de uma população idosa crescente que ameaça o futuro de toda região.  Algumas religiões conferem aos seus crentes esperança na continuidade, o que leva a manutenção dos níveis de reprodução. Goldman defende o retorno ao estudo da teopolítica, a influência da religião na política, que foi esquecida com o humanismo, para interpretar os fenômenos de nossa época. A geopolítica é insuficiente pois parte da premissa que as nações agem de forma racional na defesa de seus interesses. Uma civilização enfrentando sua extinção deixa de ser racional e não se importa mais com auto-interesse.

Na terceira parte tata dos Estados Unidos: ao contrário do que se propaga, o futuro não será um mundo pós-americano justamente porque os Estados Unidos sobreviverá à Europa e China. Ao contrário desses atores, os americanos estabilizaram sua taxa de reprodução no nível de recompletamento, o que expressa o caráter religiosos de seu povo. Isso porque o país foi fundado sobre uma concepção religiosa de ideais e não por caráter étnicos e nacionalistas, ao contrário das nações européias.

Com fartura de argumentos, Goldman mostra que a recusa de uma civilização em se reproduzir em níveis aceitáveis condena seu próprio futuro, como aconteceu com Atenas, Esparta e Roma. Antes das derrotas militares e das invasões bárbaras que sepultaram seus destinos, houve forte queda nas taxas de natalidade indicando um pessimismo em relação ao futuro. Os dados demográficos do oriente médio e Europa não deixa margem à dúvidas que mantido os níveis atuais de natalidade, esses países envelhecerão rapidamente e diminuirão de população. A Alemanha perderá 46% de sua população até o ano de 2100; a Rússia 55%. Nenhuma sociedade é capaz de se manter com uma perspectiva dessas. Mesmo que se mudem radicalmente as taxas de natalidade, as mães dos próximos 40 anos já nasceram em grande parte, o que configura o chamado ponto de não-retorno. Para Goldman, a margem para qualquer reação é baixíssima e essas civilizações já estão condenadas.

O livro é bastante interessante, bem escrito e estruturado, com abundância de dados. Muito interessante foi ter colocado suas conclusões parciais na forma de lemas, chamando de leis de Spengler. Sem receio de colocar as coisas como são, Goldman abre todo um campo de estudos e especulações. Uma obra para se colocar na estante para consulta constante nos próximos anos.

Há algum tempo que leio as colunas de Goldman no Asia Times e suas análises da política contemporânea, sob a luz da demografia, sempre me interessaram e se mostraram mais razoáveis do que tudo que eu lia nas colunas de política e economia dos grandes jornais. De maneira geral, as baixas taxas de natalidade são colocadas em segundo plano nas questões políticas mundiais, como se não tivessem influência. Contra essa maré, Goldman coloca essa questão como central e basta observar tudo que tem acontecido nos últimos 3 anos para entender que há muito mais bom senso nas suas hipóteses do que em 99% do que está sendo dito ultimamente.

Minhas dúvidas sobre a morte do publicitário

Eu não tenho como saber o que realmente aconteceu naquele cerco da PM de São Paulo. O problema é que só quem estava lá pode saber com certeza, e são os policiais. Como são parte interessada, tem que haver uma reserva sobre o que eles podem falar.

O problema é que grande parte da mídia parece que estava lá e já definiram as vítimas e os vilões.

Claro que não se justifica um grupo de 10 policiais atirarem em uma única pessoa dentro do carro, independente do gesto que este tenha feito. Acho que o correto é mandar que ele saia do carro e não abordar o veículo com ele dentro. Acho que tem coisa esquisita aí.

Interessante também que nos jornais que vi e nas reportagens que li, ninguém especula sobre o porquê do publicitário ter fugido da polícia. É uma pergunta dura de se fazer quando o fugitivo está morto, mas a obrigação do repórter é fazer justamente essas perguntas difíceis. Por que não fizeram? Por que foi preciso 4 veículos da PM e 2 motos para que ele finalmente parasse.

Tem a estória do papelote de maconha. Claro que pode ter sido plantado pela PM, mas também pode não ter sido. Sem uma confissão de quem colocou, caso tenha colocado, nunca saberemos. Se era realmente dele, também dificilmente saberemos. No jogo da lógica, apenas a ausência da maconha poderia indicar que ele estava sem droga. Como ele estava lá, não temos como saber se estava ou  não com ele.

Só que a persistência na fuga ainda me intriga. Em um momento de susto, pode-se evadir de uma blitz por achar que pode ser um golpe. Mas diante de uma perseguição, com vários carros, essa hipótese cai por terra. Seria o suficiente para que ele parasse o carro.

Só para apimentar, imaginem se fosse realmente um golpe de bandidos, disfarçados de policiais. O publicitário foge, é perseguido e morto.

Vocês acham que a imprensa estaria colocando a culpa nos bandidos?

Aposto 10 pilas que estariam falando que a culpa era dele, que diante de bandidos não se pode reagir. Apareceria um sociólogo falando de como os marginais são vítimas da pobreza, e toda aquela baboseira que estamos acostumados.

Como eram policiais, não tem sociólogo, não tem dúvidas razoáveis; apena o desejo de sangue e condenação. Não estou defendendo ninguém, apenas colocando minhas dúvidas e constatando o óbvio: PM não tem direito à dúvida.

Intocáveis do Flamengo

Leio na internet que Botinelli será barrado por Joel Santana. Acho isso muito curioso, e um tanto trágico.

Sim, o argentino errou no primeiro gol do Corinthians. Só que Renato errou de forma muito pior. O primeiro foi substituído e está para ser barrado. O segundo é incontestável, home de confiança do treinador. Aliás, desconfiem quando um jornalista esportivo chama um jogador de homem de confiança. Provavelmente não joga nada. Nunca vi ninguém chamar Zico, Falcão, Romário, Sócrates de homem de confiança de treinador, muitas vezes até eram, mas tinham tantas qualidades que não tinha espaço para essa alcunha.

Hoje temos um festival de homens de confiança, normalmente um cabeça de área. Traduzindo para a realidade, não joga nada mas o treinador gosta dele porque tem a tal “disciplina tática”. Bons tempos em que treinadores ficavam no banco dormindo enquanto que os jogadores resolviam as partidas!

Ano passado um desses palpiteiros renumerados disse que marcação não era o forte do Renato. Como é que é? E qual é o forte dele? Armar jogadas? Tenha paciência!

Não vou entrar no mérito futebolístico, vou me prender apenas à lógica. O erro de Renato foi 5 vezes mais grave do que o do Botinelli. Quer barrar o gringo? Pois barre primeiro Renato! Era só o que faltava! Aturamos o tal do Wellington 1 ano e meio errando tudo e mais um pouco; mantido como titular. Ao mesmo tempo aturamos o David. Até que não teve mais jeito depois daquele lance contra o Vasco. O Renato vem fazendo lambança há algum tempo. Muito pior fez o Ibson na última partida e para sorte dele, e do Flamengo, um impedimento milimétrico não tirou a vitória do Flamengo.

Uma das coisas que aprende é que quando se desafia a lógica, paga-se com a realidade.

Viu Joel?

 

Em tempo: não estou com aqueles que fazem coro pela cabeça do natalino. Com o time que a presidente incompetente montou, queriam o que? Libertadores? Só pode ser brincadeira….

Em tempo 2: E o Ronaldinho, hein?