Sem esperanças na oposição

Do jeito que está, o PSDB hoje é um mal para a política brasileira. Seu único papel parece ser conferir alguma legitimidade e chamar de democracia o regime em que estamos vivendo, fingindo que existe uma oposição no país. Não existe. No fundo, eles endossam a esmagadora maioria dos princípios do PT. Sua principal divergência é sobre quem deveria estar no poder, só isso.

Na prática, a maior oposição que o governo sofre é de dentro da base governista, que engloba partidos e pessoas que possuem mais divergências com os pensamentos do petismo do que o PSDB. Podem procurar, as maiores derrotas do governo vieram de dentro da base, como o código florestal e a divisão do petróleo que não existe.

Não acredito que o PSDB ou o DEM possam um dia substituir o PT no governo. Chance zero. A única possibilidade que vejo é um dia algum partido da base romper com a aliança, hoje improvável, e disputar com o petismo, rachando o imenso condomínio político construído pela esquerda brasileira. Eduardo Campos? Não, não acho que seja este. Pelo menos não em 2014, a eleição mais definida da república recente.

O único problema é que quanto mais demorar para um partido como o PMDB tomar coragem para enfrentar o petismo, mais estará disputando os restos da destruição que está em curso.

Olimpíadas e Copa do Mundo

Se eu fosse o país que sediará a próxima Copa do Mundo, ficaria seriamente preocupado. O que aconteceu em Boston pode ser apenas uma amostra do que pode acontecer ano que vem no Brasil, com muito mais gravidade. Temos fatores que indicam uma vulnerabilidade muito maior do que os americanos. Espero que os nossos governantes não coloquem na natureza pacífica do Brasil a sua maior defesa. Se pensam assim, não entendem ou não querem entender, as motivações de um terrorista.

O Brasil é um país intensamente miscigenado, para tristeza dos racialistas, o que implica que nenhuma característica física chama atenção. Ao mesmo tempo, temos imenso orgulho da nossa hospitalidade, o que dificulta qualquer medida de segurança adicional. Implica que qualquer um pode andar pelo país no meio da multidão, ou seja, não tem como se concentrar esforços em determinados grupos que estatisticamente representam maiores riscos.

Para piorar, nossa característica de gestão é do tipo reativa. Primeiro acontece o fato para depois se tomar as providências. Isso deu ao brasileiro imensa flexibilidade, o que é admirado no mundo empresarial, mas nos torna muito fracos de planejamento e antecipação. Temos dificuldades de trabalhar em cenários prospectivos e já vi muita gente boa dizendo que é bobagem tentar ficar imaginar situações futuras.

Diante de uma potencial ameaça de terrorismo, e não nos iludamos, ela é real, não dá para esperar o acontecimento para preparar a reação. Os americanos foram pegos de surpresa em 2001, mesmo depois que alguns atos isolados em seu país e no mundo indicassem vulnerabilidades. Aprenderam a lição e com imenso esforço das autoridades e compreensão de parte de sua população conseguiram evitar o que parecia inevitável após o 11 de setembro. Por 12 anos não se viu um atentado no país.

A investigação pode indicar que se trata de ato de algum maluco, o que não muda o fato que a vulnerabilidade existe. E que se trata de um ato terrorista, motivado ou não por razões políticas.

É bom que o Brasil fique de olho e trate de correr para quem sabe em busca de conhecimento. A pior coisa que pode acontecer é nos convencermos que uma ato desses não pode acontecer em nosso país.

 

Papo rápido: Marcos Feliciano

Como 99,99% dos brasileiros nunca tinha ouvido falar do tal Marcos Feliciano e nem sei o que pensa. O pouco que vi até agora me indica que jamais votaria nele, até porque literalmente vendeu a alma para ajudar a eleger a coisa ruim Rousseff, vendendo-a aos evangélicos como uma cristã piedosa. Está onde está por prêmio a esse papel; assim como seu partido, que pretende misturar cristianismo com socialismo, o que nunca dá boa coisa.

Só que não há nada que o desabone para ocupar o cargo que se encontra. Dizer-se contra o casamento gay não o faz desrespeitador dos direitos humanos, nem sequer contra os gays. Assim como sua posição contra o aborto. Os progressistas deveriam refrear seus impulsos ao querer colocar estas coisas como direitos humanos, especialmente o aborto! Mas tolerância tem significado todo especial para essa gente, significa direito de dizer o que eles acham correto.

O que incomoda, de fato, esses idiotas, é que Feliciano é um pastor. Para eles a fé religiosa é obscurantista por natureza e por isso o incapacitaria para a função. Nas diversas declarações dos partidos que insuflam as massas de meia dúzia acabam deixando passar essa constatação.

E Feliciano? Vai bem, obrigado. Garantiu pelo menos um milhão de votos na próxima eleição e vai manter sua cadeira na Câmara. Virou celebridade.

Não tenho nenhuma simpatia por este sujeito, mas estou me divertindo para valer com o herói que uma bando de desocupado, e agora artistas preocupados com um novo mundo possível, estão criando. Eles merecem!

É possível defender Chávez?

Fico estarrecido com a sem cerimônia com que a esquerda defende seus ditadores. Eu até entendo que é possível defender um ditador em nome do pragmatismo, do realismo político ou até mesmo diante de uma opção pior. Posso não concordar com a opção, mas considero defensável. O que não dá é simplesmente negar os fatos, em outras palavras, a realidade, e colocar como opinião o que é questão de fato.

Li um texto de um idiota hoje defendendo que Chávez não pode ser chamado de ditador. Que ele tenha melhorado a vida dos venezuelanos, reduzido injustiça social (seja o que for que isso signifique), é questão de opinião e pode ser defendido. É perfeitamente possível dizer: ” olha, o Chávez pode ter sido um quase ditador, mas ajudou a melhorar as condições de vida para a maioria dos venezuelanos”. Posso discordar, e o faço veementemente, com essa afirmação mas reconheço que é uma opinião defensável. 

Só que o idiota escreveu que Chávez foi um líder democrático, talvez o maior da América Latina. Aí não dá. Quais os argumentos que usou? O de sempre, que Chávez foi eleito. Pois também foram eleitos Hitler, Mussolini e até mesmo aquele maluco do Irã, aliás parceiro do Chávez. Ele realmente deve acreditar que Fidel Castro foi democraticamente eleito com 100% dos votos todas as vezes que se candidatou. 

Durante sua presidência Chávez alterou a constituição acabando com o limite de reeleições, censurou o único canal de televisão que ousava se posicionar contra o que estava fazendo, e tornou-se um presidente ilegítimo dentro da própria constituição que criou, fato ignorado pela grande imprensa mundial. A posse de Chávez foi uma flagrante ilegalidade, assim como a do tal Maduro.

Como chamar de democrático um processo eleitoral em que um candidato dispõe de horas diárias na televisão contra outro que tem que se contentar com minutos de propaganda eleitoral?

Mas não adianta tentar argumentar com um ideólogo. Ele está constantemente de costas para a realidade em um fenômeno primeiro descrito por Cervantes em sua obra magna. O problema não são idiotas como Sean Penn ou Oliver Stone. O pior são pseudo intelectuais que estão nas universidades, na mídia, publicando livros. 

Qualquer professor que tenha a coragem de dizer que Chávez foi um democrata deveria ser expulso da universidade a ponta pés. A pluralidade de opiniões é bem vinda em um ambiente universitário, a mentira não. Quando um professor mente para os seus alunos está praticando uma violência intelectual, e covarde por estar em uma posição de superioridade. 

Que tenham coragem de dizer que apesar de ser um canalha, Hugo Chávez fez um bem para seu país. Isso é honesto e até mesmo defensável, embora discorde. Mas dizer que o cara foi qualquer coisa fora disso é ser um idiota, usando o termo da forma mais técnica possível.

Repito, uma das tragédias da modernidade é que idiotas políticos dessa magnitude tenham voz em uma universidade ou na mídia. Deveriam estar se tratando com noções elementares de lógica e argumentação. Deveriam estar lendo Aristóteles para tentar aprender o que ele já sabia há mais de 2000 anos. Mas são orgulhosos demais para isso. Não possuem humildade para serem verdadeiros intelectuais.

Triste.

 

Estão reclamando com a pessoa errada! Ou a hipocrisia do caso Feliciano

Nunca tinha ouvido falar do tal pastor Feliciano e o que vi já me basta para ter quase nenhuma admiração pelo sujeito. Parece que seu principal papel político foi agir junto ao eleitorado evangélico para mostrar que a Dilma não era tão ruim assim, que tinha uma alma cristã, etc. Ou seja, enganar o eleitor porque se tem uma coisa que a Dilma passa longe é do cristianismo e seus valores.

O fato é que tudo tem um preço não é mesmo? E o preço do pastor era uma comissão na Câmara dos Deputados. Coube o destino, e esse arremedo de democracia que vivemos, que a comissão fosse a tal dos Direitos Humanos e Minorias, que tem muito mais valor simbólico do que poder de fato. Paciência, o patriota do Feliciano está aí para ajudar o governo que ajudou a eleger.

Pois os mesmos que votaram na coisa ruim e se beneficiaram dos préstimos do bom pastor Feliciano agora não querem a consequência natural de suas escolhas. Parece que fizeram um pacto com o que consideram demônio e agora não querem pagar a fatura. Qual o problema de fato? O problema é o nome da comissão. Para um bando de deslumbrados, ela talvez seja a principal da casa.

Então é fácil resolver! O PSC e o tal Feliciano nem fazem tanta questão que seja esta comissão, pode ser qualquer outra! Dei uma olhada na página da câmara e descobri que existem duas comissões chefiadas pelo PT. A de Constituição e Justiça (Jesus amado!) e Seguridade Social. 

Ao invés de protestar contra Feliciando, que tal protestar na frente da casa da Dilma para que partido troque a CCJ pela de Direitos Humanos? Afinal a defesa dos Direitos Humanos não era uma das bandeiras históricas do partido? As coisas tem significado e o PT pode passar a CCJ para o aliado PSC e ficar com a de Direitos Humanos! De quebra ainda podiam arranjar uma vaguinha para o Batistti como assessor parlamentar! Com direito a Suplicy cantando Blowing in the Wind e a Marta Suplicy fingindo que não quis espalhar que o Kassab era gay para ganhar a prefeitura em 2008!

Vamos valentes, coerência!

Dia triste no Brasil

É lamentável que tragédias como a que aconteceu ontem ainda ocorram no Brasil. De modo geral, somos totalmente despreparados para enfrentar emergências, o que acaba por tomar muitas vidas.

Como sempre tem a ver com nossa cultura, que espera que o poder público faça tudo pela gente. O resultado é que a sociedade em sua face ampla não se envolve na prevenção e solução de problemas.

Quantas vezes uma boate faz treinamento de evacuação em caso de incêndio? E uma escola? Hotel?

Uma das lembranças que tenho de quando morei nos EUA em 1981, portanto mais de 30 anos atrás!, era que eventualmente tínhamos treinamento de evacuação na escola. Sabíamos efetivamente o que devíamos fazer quando soasse o alarme. Uma vez, em um hotel na Flórida, o treinamento foi feito de madrugada! 

Infelizmente não temos nada disso no Brasil. O caso de Santa Maria não é isolado, tragédias acontecem eventualmente e algumas vidas poderiam ser salvas se tivéssemos o mínimo de treinamento para saber o que fazer.

Minhas orações estão com aqueles que estavam na boate ontem à noite. Que Deus o receba em paz.

Em tempo:

A parte mais nojenta vai começar agora quando autoridades fingem estar comovidas pela tragédia. Já começou pela própria presidente. Sylvia Colombo, da Folha, informa que ela teria chorado.

Ela chorou ao comentar a tragédia e disse que o povo brasileiro precisa dela.

Como é que é? É muita pretensão acreditar que o povo precisa dela como alguma supermãe protetora. Para começo de conversa uma supermãe não participa de organização terrorista e pior, tem orgulho de ter pertencido. Nem se comporta o tempo todo com o coração cheio de ódio por aqueles que não a compreendem.

Não acredito que esta mulher seja capaz de qualquer sentimento genuíno de solidariedade com outra pessoa. Acredito sinceramente que seja uma psicopata, incapaz de se colocar no lugar de quem quer que seja. Por isso não acredito em lágrima nenhuma dessa criatura, só de alegria por ter uma notícia para desviar atenção do antro de corrupção que participa, e da porcaria que é seu governo.

Outro do mesmo naipe é o governador do Rio Grande do Sul. 

Nenhum deles é culpado pela tragédia. Mas vão fazer de tudo para explorar politicamente o que aconteceu. Como sempre.

Eles não têm escrúpulos. Eles não têm decência. Eles não têm pudor.

Ela chorou ao comentar a tragédia e disse que o povo brasileiro precisa dela.

A hipocrisia dos ecochatos (ou burrice mesmo?)

Um dos problemas dos progressistas em geral, o que inclui os ecochatos, é que eles tem exatamente o raciocínio simplista que acusam seus maiores adversários, aqueles que chamam de direita. Vejamos um exemplo didático.

Depois da polêmica daquele vídeo ridículo protagonizado por atores globais (nossa imitação de Hollywood, inclusive com a mesma “profundidade” de pensamento), ficamos sabendo que a usina de Belo Monte funcionaria com o sistema de fio d’água e não o de reservatório, o que implica em uma área alagada menor. Parece que este é o novo modelo a ser utilizado, atendendo às pressões ambientalistas. Parece tudo razoável, não é? Uma vitória para os verdes que evitam um projeto mais agressivo.

Só que tem um custo. A usina fio d’água tem um menor fator de capacidade que a de reservatório, o que significa que produz menos energia por potência instalada.

Desde o apagão o Brasil investiu os tubos em termoelétricas para complementar nosso sistema. Significa que toda energia que deixa de ser produzida em uma hidrelétrica é compensada com… termoelétrica!

Ou seja, para evitar o dano ambiental pelo alagamento se faz a opção por queimar combustível! Não é uma maravilha?

Duas hipótese para os ecochatos. Ou são hipócritas, ou seja, sabem exatamente o que está acontecendo mais querem vender a vitória parcial sabendo que pouca gente consegue associar uma coisa com outra e perceber o custo final. É o clássico de gastar 100 reais para economizar 10. Uma das grandes leis da administração pública: não poupa dinheiro para economizar.

A segunda hipótese é a da burrice. Não sabem como está sendo produzida a energia que a usina deixou de produzir. Na cabeça deles simplesmente deixa de ser produzida e pronto. Só que o mundo real é bem diferente, a sociedade precisa de energia e ela será entregue. Nenhum governo quer conviver com um apagão não é Dilmá? Portanto, toma queima de combustível!

E todos ficam felizes!

E aí o que vocês acham? Hipocrisia ou burrice?